Jornaleiros e baderneiros mantêm viva a circulação do Jornal Amazônia há 26 anos
Profissionais que atuam desde a madrugada garantem a distribuição e mantêm tradição do impresso
A história dos 26 anos do Jornal AMAZÔNIA também passa pelas mãos de quem faz o periódico circular pelas ruas. Nas primeiras horas do dia, baderneiros e jornaleiros iniciam a rotina que garante que a informação chegue até o leitor. Eles são parte essencial desse processo: os baderneiros compram os exemplares e abastecem os jornaleiros, que levam o impresso às bancas, às ruas e, em alguns casos, diretamente aos assinantes.
O trabalho feito ainda na madrugada ajuda a manter viva a presença do jornal impresso no cotidiano dos leitores, como garante o baderneiro Joel da Silva, 64 anos, e há 32 na “baderna”. Ele conta que começou na distribuição do Grupo Liberal antes mesmo de o AMAZÔNIA começar a circular. O ponto de distribuição fica na rua Gaspar Viana, em frente ao antigo prédio de O Liberal, de onde acompanha a chegada dos jornaleiros e a saída dos exemplares que seguem para as ruas antes do sol nascer.
“A gente chega aqui às 3h30 da manhã. Hoje em dia é esse horário, mas já foi bem mais cedo. Aí o pessoal vem buscar o jornal das assinaturas para fazer as entregas. Em seguida, começam a chegar os jornaleiros, aqueles que vivem da venda de porta em porta, nas esquinas e nos semáforos. A essa hora, alguns já saíram para vender no Ver-o-Peso, onde o movimento é a noite toda”, relata.
Dia a dia nas ruas
Depois de distribuir o jornal aos companheiros, Joel segue para os distritos de Icoaraci e Outeiro, onde mantém pontos de venda e jornaleiros já o aguardam para receber o AMAZÔNIA. A esposa dele também o ajuda nesse processo. E, após 26 anos, o AMAZÔNIA ainda segue com um volume grande de vendas. “O comentário que se tem na rua, na boca maior, que é o leitor, é que o jornal em si ia ser comido mesmo pela mídia eletrônica, pela internet. Parece que ele abriu os braços e não está passando”, comenta.
“O AMAZÔNIA é um dos poucos no Brasil que continua circulando dessa forma. Eu acredito que ainda vá ficar aí por um bom tempo. Eu espero estar vivo, porque já estou há tanto tempo nisso que espero continuar colocando ele na rua para vender, dando a minha contribuição também. Porque ele já contribuiu muito para a vida da gente. Já ajudou muito”, relata Joel.
Ele ainda completa: “As coisas que tenho e construí foi vendendo jornal. Não só eu, como outros parceiros. Saio cedo de casa, em Icoaraci, e o sorriso é sempre o mesmo. Independentemente de eu vir de casa com problemas, às vezes. Toda madrugada estou aqui. Mas os dias vão e a vida é desse jeito: alegre”, relata.
Uma vida dedicada ao jornal
Aos 76 anos e há 65 distribuindo jornal, o baderneiro Francisco Favacho diz que construiu sua vida vendendo jornal. A rotina de trabalho começa ainda de madrugada. Francisco afirma que acorda por volta das 3h30, sai de casa às 4h30 e segue até a Feira da Bandeira Branca, onde busca os jornais para iniciar as entregas. O ponto final é no bairro de Nazaré, onde os jornaleiros chegam por volta das 5h para retirar os exemplares e seguir para as ruas.
“Hoje em dia as coisas já são mais difíceis por causa da modernidade. Mas o AMAZÔNIA continua sendo o baluarte, está no meio dessa evolução. E nós, trabalhadores, também estamos aí. Os jornaleiros também são verdadeiros soldados. Sem eles, tudo seria mais difícil. Todo dia que eu amanheço eu peço a Deus para eles estarem lá, porque meu serviço depende deles. Se não for eles, eu não faço parte dessa história”, comenta seu Favacho, ao falar da importância do trabalho de distribuição.
Mesmo com o avanço da internet e das novas tecnologias, Francisco avalia que o jornal segue resistindo e se reinventando. “O AMAZÔNIA tem nome, tem história. E continua vendendo mesmo com internet, com tudo. Os leitores gostam muito dos cadernos de esporte e de polícia. Apesar de ser curto, é um jornal completo”, pontua Favacho.
Cotidiano dos jornaleiros
O jornaleiro Francisco Rabelo, de 65 anos, trabalha no mercado Ver-o-Peso e está prestes a completar duas décadas de trabalho. Ele chega cedo ao ponto de venda, por volta das, depois de buscar os jornais com os baderneiros. Morador do bairro da Cremação, Rabelo conta que faz esse trajeto diariamente para garantir que os exemplares estejam nas mãos dos leitores logo no início da manhã. Segundo ele, o AMAZÔNIA costuma ser um dos primeiros a acabar.
“É um jornal mais fácil, menor. Como se diz, é de leitura rápida. No Ver-o-Peso, os maiores leitores são os feirtantes”, afirma o jornaleiro. Ele também destaca que os cadernos de polícia, esporte e a tradicional “Gata da Capa” estão entre os conteúdos mais procurados pelos leitores. Rabelo destaca que a renda vem da venda dos jornais e reforça a importância para a sua rotina. Para ele, o aniversário de 26 anos do AMAZÔNIA é um marco importante. “É um bom jornal. Enquanto o jornal existir, vai ajudar também o nosso trabalho. Muitos jornaleiros dependem disso”, afirma.
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