Moradores e trabalhadores das proximidades do canal da 14 de Março com a rua dos Pariquis, no bairro da Cremação, em Belém, denunciam os constantes alagamentos provocados pelo transbordamento do canal. Segundo os relatos, a falta de limpeza agrava o problema, que também é associado ao descarte irregular de lixo pela própria população.
O funileiro Raimundo Belgeron Favacho, de 72 anos, contou que já teve problemas de saúde após entrar em contato com a água suja acumulada na área. A entrevista com ele foi gravada no dia 18 deste mês, uma terça-feira. Segundo Raimundo, o canal demora cerca de quatro horas para secar após as chuvas. “É o tempo que a maré vai secando e é o tempo que a pessoa pode sair de casa. Se ficar cheio, a pessoa não sai de casa, a pessoa fica presa na sua residência. Até para entrar fica difícil”, afirmou.
Para o funileiro, o canal está praticamente entupido. Ele aponta a falta de limpeza como um dos fatores que contribuem para os alagamentos, embora reconheça que serviços de limpeza são realizados no local. “Entupido, com certeza. Falta limpeza também. Apesar que, assim, mais ou menos um mês e meio, o pessoal vem aqui, dá uma dragagem. Aí melhora. Mas, depois, vai enchendo de lama, papel, que a pessoa joga lixo e vai tornando transbordar tudo de novo”, lamentou.
Raimundo defendeu que a limpeza seja realizada com maior frequência, mas também destacou a necessidade de conscientização da população para evitar o descarte irregular de resíduos. "Ter mais cuidado, limpar mais as ruas. Às vezes, a pessoa joga o lixo bem ali, e o lixo vem tudo para dentro do canal e entope tudo e aí fica difícil”, afirmou. Ele disse que, mesmo quando a limpeza é realizada, o descarte irregular de lixo acaba contribuindo novamente para o entupimento do canal e, consequentemente, para os alagamentos.
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“Com certeza, fica pior, porque tem umas pessoas que botam o lixo em um saco, não jogam no canal, mas tem umas pessoas que vêm com carro de mão, que é esse pessoal que trabalha carregando o lixo, joga ali, cai tudo dentro do canal e entope. E aí, às vezes, a gente fica aqui sem já", acrescentou ele, que trabalha naquela área há 8 anos. O funileiro também afirmou que já deixou de trabalhar e até de entrar na própria oficina por causa das enchentes. “Muitas vezes, eu fiquei sem pegar serviço e sem poder entrar na oficina também por causa da enchente, que enche muito. No inverno isso piora. No verão até que ameniza, mas, no inverno, fica um caos”, contou.
Além dos prejuízos à rotina e ao trabalho, Raimundo chamou a atenção para os riscos à saúde provocados pelo contato com a água suja das áreas alagadas. Ele contou que contraiu uma micose após entrar em contato com a água do canal e precisou passar um ano em tratamento com um dermatologista. "Uma micose em que eu passei um ano com tratamento de dermatologista. A perna ficou feia, toda marcada. Gastei um dinheirão para ficar bom por causa da micose que eu peguei aí”, afirmou.
Para o funileiro, a população precisa ter consciência sobre os impactos do descarte irregular de lixo, tanto para quem mora na área quanto para quem circula ou trabalha no local. “A população tem que ter consciência de não jogar lixo no canal, para melhorar. Tanto para as pessoas que trafegam por aqui como também para as pessoas que moram aqui no local", disse.
Raimundo também citou dificuldades para tentar impedir que outras pessoas joguem lixo no local. Segundo ele, trabalhadores da área acabam ficando sem condições de reagir diante dessas situações. “A gente não pode brigar. E eles jogam e vão embora. A gente vai falar, eles reclamam. Eles chamam no nome, um palavrão. A gente não pode fazer nada”, acrescentou. A Redação Integrada de O Liberal entrou em contato com a Prefeitura de Belém e aguarda retorno.
