Sente atração por criminosos? Saiba o que é hibristofilia, tema da série Tremembé
Fenômeno envolve idealização emocional e é associado à fantasia do “amor bandido”, como mostrado na trama inspirada no caso Cravinhos
A série brasileira “Tremembé” reacendeu o debate sobre a hibristofilia, termo usado para descrever a atração sexual ou emocional por pessoas que cometeram crimes violentos ou estão privadas de liberdade. A trama retrata o romance entre Daniel Cravinhos e Celina, personagem inspirada em Alyne Bento, ex-esposa de Cravinhos, que na vida real conheceu o criminoso em 2011 durante uma visita ao irmão no presídio.
No enredo, quando o relacionamento é descoberto, a jovem afirma ter um “fetiche por presos”, uma referência direta ao comportamento que, embora incomum, tem forte presença na cultura pop e em casos envolvendo criminosos famosos. A hibristofilia, apesar do impacto social, não é classificada como transtorno mental, e não significa que a pessoa tenha inclinação para violência. Entenda o que é a condição.
VEJA MAIS
Alyne e Daniel se casaram três anos após o primeiro contato e permaneceram juntos até 2022. Em depoimentos relatados pelo autor Ulisses Campbell no livro “Suzane: Assassina e Manipuladora”, Alyne descreveu a relação como afetuosa, mencionando episódios de carinho e a necessidade constante de liberdade por parte de Daniel, que também chamava atenção de outras mulheres.
O que é hibristofilia
A hibristofilia é considerada uma parafilia, categoria que descreve comportamentos em que a fonte principal de prazer está associada a elementos fora do ato sexual tradicional. No caso específico, envolve atração por pessoas condenadas por crimes graves ou vistas como perigosas.
Esse tipo de atração costuma surgir por meio de projeções emocionais, idealizações e fantasias construídas a partir da imagem do preso. A pessoa tende a enxergar no parceiro alguém a ser salvo, protegido ou “transformado”. Redes sociais e conteúdos que romantizam criminosos podem reforçar esse imaginário, contribuindo para a construção da fantasia.
Por que algumas pessoas se sentem atraídas por pessoas presas
A atração não se estrutura exatamente sobre quem o criminoso é, mas sobre o que ele simboliza. Em muitos casos, o preso é visto como uma figura de poder, uma vítima da sociedade ou alguém “convertível”, o que alimenta o senso de missão na pessoa que se envolve afetivamente.
Especialistas apontam que esse fenômeno pode estar relacionado a fatores como:
- idealização intensa;
- carência emocional;
- histórico de relações abusivas;
- busca por validação;
- desejo por experiências intensas;
- fantasia de que o amor pode “curar” ou transformar o outro.
Quais são os riscos desse tipo de vínculo
Quando a fantasia se transforma em envolvimento real, podem surgir riscos emocionais e até físicos. A hibristofilia tende a gerar vínculos desequilibrados, porque a idealização cria laços profundos que não correspondem à realidade da pessoa encarcerada. Esse movimento reforça ciclos de dependência emocional e expõe o parceiro a situações vulneráveis.
A atração por indivíduos perigosos também pode ser intensificada pelo risco e pelo desafio. Essa combinação costuma aumentar a excitação e fortalecer o vínculo afetivo baseado na fantasia — e não na convivência.
Palavras-chave
COMPARTILHE ESSA NOTÍCIA