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Prefeitura inaugura praça em último endereço ocupado pela Cracolândia: 'Não vão voltar mais'

A cerimônia ocorreu pouco mais de um ano após o esvaziamento do chamado "fluxo" de dependentes químicos, que até maio do ano passado concentrava-se por ali

Estadão Conteúdo

A Prefeitura de São Paulo inaugurou nesta terça-feira, 1.º, uma praça localizada entre as ruas dos Protestantes e General Couto Magalhães, último endereço ocupado pela Cracolândia, aglomeração de usuários de drogas cravada por três décadas no centro da capital. A cerimônia ocorreu pouco mais de um ano após o esvaziamento do chamado "fluxo" de dependentes químicos, que até maio do ano passado concentrava-se por ali.

"Estamos hoje devolvendo para a cidade de São Paulo um espaço que era ocupado pelos traficantes e pela malandragem, que não vão voltar mais", disse o prefeito Ricardo Nunes (MDB). A inauguração da chamada Praça do Triunfo, que conta inclusive com quadra e academia ao ar livre, recebeu investimento de cerca de R$ 2,5 milhões.

Além do prefeito, a cerimônia de inauguração contou ainda com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que destacou as ações integradas para intensificar as internações e coibir o tráfico na região, incluindo as ações para acabar com uma espécie de "ecossistema" do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região. "A Praça do Triunfo significa muito, significa a vitória sobre uma chaga de mais de 30 anos", disse.

Efeitos do 'fim' da Cracolândia

Como mostrou levantamento recente do Estadão, as apreensões de crack caíram pela metade no centro após o esvaziamento da Cracolândia, em redução puxada pelas regiões de Campos Elíseos e Santa Ifigênia, últimos endereços do fluxo. Ao mesmo tempo, mais do que dobraram na Sé e na Consolação.

Pesquisadores afirmam que os dados reforçam a necessidade de um trabalho continuado e a percepção de uma possível migração de usuários para outros pontos, como a Praça 14 Bis, na Avenida Nove de Julho, e os arredores da Baixada do Glicério e do Parque Dom Pedro II, perto da Avenida do Estado. Moradores relatam novas aglomerações também em áreas como o entorno da Comunidade de Gato, perto da Marginal do Tietê, e a Avenida Roberto Marinho, na zona sul.

A gestão estadual nega que tenha havido dispersão e atribui as altas a esforços crescentes contra o tráfico, enquanto a Prefeitura fala em avanços "evidentes e incontestáveis" nos últimos meses. Balanço do governo do Estado aponta que mais de 34 mil encaminhamentos já foram feitos pelo Hub de Cuidados com Crack e Outras Drogas, "repaginação" do Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod).

Segundo o governador, após o esvaziamento, as gestões estadual e municipal têm intensificado os "braços de assistência" de saúde e assistência social também em outras regiões. "Para que a gente não permita mais ter aglomeração de dependentes químicos sem que eles sejam encaminhados para um tratamento, sem que eles tenham uma porta", disse.

Tarcísio ressaltou que a inauguração da praça se dá em um contexto de melhorias na região para receber o novo centro administrativo, com investimento estimado de cerca de R$ 5 bilhões. "A gente tinha que resgatar a autoestima dos comerciantes daqui", afirmou durante a cerimônia. "Daqui a alguns anos, o centro de São Paulo vai ser absolutamente diferente."

Como mostrou recentemente o Estadão, um ano após o esvaziamento do fluxo, os roubos e furtos caíram na região onde a aglomeração de dependentes químicos permaneceu por décadas, apontam dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP). Comerciantes da região reconhecem que houve melhoras, mas queixam-se da falta de clientela.

Moradora da Rua dos Gusmões, Mônica Macedo, de 48 anos, foi surpreendida com a inauguração da Praça do Triunfo quando passava por ali. O primeiro instinto foi tirar o celular do bolso e gravar um vídeo para mandar no grupo do condomínio. "No prédio tem muita criança, adolescente, e eles só ficam numa quadra menor, um pedacinho. Tenho um filho de 12 anos que vai adorar que agora tem quadra aqui", disse à reportagem.

"Agora não tem mais essa de ficar pulando no prédio, discutindo com irmão. Vou falar: vai para a quadra", comentou outra mãe, que assistia à movimentação intensa de crianças pela quadra. A única ponderação, disse ela, é que podiam ter mais equipamentos na academia ao ar livre para adultos.

Conforme a Prefeitura, a praça foi implantada por meio da parceria público-privada (PPP) municipal da habitação para inaugurar um conjunto de intervenções destinadas a requalificar uma área estratégica da região central. A obra foi realizada pela Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) e pela Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab-SP).

A gestão municipal acrescentou que, na mesma quadra, que antes possuía instalações do Teatro de Contêiner, será construído também um empreendimento com 97 unidades habitacionais, três unidades comerciais e novos espaços públicos de lazer, desenvolvido em parceria entre município e Estado, com previsão de início das obras em novembro de 2026.

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