Pesquisa revela que adolescentes sem supervisão têm mais chances de se envolver em violência
Segundo o estudo, essa condição pode aumentar o envolvimento dos jovens em atos infracionais
Passar tempo demais sem a supervisão de adultos pode não ser algo benéfico para os adolescentes, pois ao invés de criar independência, eles podem seguir por outros rumos na vida. Um estudo internacional publicado na revista PLOS One, realizado com mais de 58 mil adolescentes de 21 países, comprovou essa teoria ao afirmar que essa condição pode aumentar o envolvimento dos jovens em atos infracionais e violentos.
“O estudo mostra que o tempo livre desestruturado é uma variável muito importante para compreender o envolvimento dos adolescentes na violência (...) É aquele tempo em que o jovem circula sem objetivo definido, muitas vezes em contextos de vulnerabilidade e exposição a oportunidades criminais”, explicou a psicóloga Marina Rezende Bazon, professora da Universidade de São Paulo (USP), em entrevista à Fapesp.
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O ambiente digital também pode aumentar os riscos da "personalidade violenta"
Para a realização da pesquisa, os estudiosos analisaram os jovens em dois espaços completamente diferentes, que levam em consideração o tempo solitário. O primeiro foi dentro de casa, em que a vivência está mais ligada ao uso excessivo da internet; e o segundo foi fora do ambiente doméstico, em que os adolescentes estiveram presentes em ruas, bairros e espaços públicos sem monitoramento de responsáveis.
Segundo a psicóloga Marina Bazon, o cenário digital é ainda mais complexo para os adolescentes sem supervisão. “No que se refere especificamente ao tempo livre não estruturado on-line, a discussão torna-se ainda mais complexa. A permanência prolongada em ambientes digitais sem mediação pode ampliar a exposição a conteúdos, grupos e oportunidades associados a comportamentos de risco", destacou.
"Além da capacitação das famílias e responsáveis para práticas de acompanhamento e mediação do uso da internet, torna-se necessário avançar em políticas de educação digital, proteção on-line e responsabilização das plataformas, considerando os mecanismos pelos quais determinados ambientes virtuais podem favorecer a exposição a modelos, redes e oportunidades relacionados à violência e à transgressão”, concluiu Bazon.
(Victoria Rodrigues, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de Enderson Oliveira, editor web em O Liberal)
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