Mulher baleada por PM morreu de hemorragia interna, aponta laudo; resgate demorou 30 minutos

Estadão Conteúdo

A ajudante geral Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, baleada no tórax durante uma abordagem policial na zona leste de São Paulo, morreu de hemorragia interna aguda, aponta o laudo o Instituto Médico Legal (IML), concluído nesta sexta-feira, 10. O Estadão teve acesso à certidão de óbito da vítima, que cita ainda "agente perfuro contundente" na causa da morte.

Thawanna foi atigida por um disparo efetuado pela policial militar Yasmin Cursino Ferreira após uma discussão entre as duas na Rua Edimundo Audran, em Cidade Tiradentes, zona leste de São Paulo. O caso aconteceu na sexta-feira da semana passada, 3.

O soldado Weden Silva, que também participou da ocorrência, e Yasmin Cursino Ferreira foram afastados das operações. Thawanna era mãe de cinco filhos e ela completaria 32 anos na última quarta-feira, 8 de abril.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP) do Estado informou que Polícia Civil e Corregedoria da PM investigam o caso, bem como corregedorias "das instituições envolvidas".

Imagens da câmera corporal do policial Weden Silva, que fazia a patrulha com Yasmin e dirigia a viatura da PM, gravou a dinâmica do episódio. O registro, obtido pela TV Globo, mostra que os agentes começaram a discutir com Thawanna e com o marido dela, Luciano Gonçalves dos Santos, por volta das 2h58 da madrugada.

A briga se iniciou depois do retrovisor da viatura dos policiais acertar o Luciano, que andava pela rua com Thawanna. Weden deu ré e xingou o homem: "A rua é lugar para você estar andando, ca...?". Thawanna, então, responde: "Com todo respeito, vocês que bateram em nós", dando início a discussão.

A briga escalou. Yasmin desembarcou do carro e, durante um bate-boca com Thawanna, atirou contra a vítima. A soldado da PM alega ter sofrido um tapa da mulher no rosto. A câmera acoplada à farda de Weden Silva não flagrou o momento do tiro porque o policial estava atrás da viatura, que bloqueou a visualização da cena - Yasmin não estava usando a bodycam.

Após o disparo, Weden questiona a soldado dos motivos para ela ter aberto fogo contra Thawanna. Ele, então, por volta das 2h59, aciona o resgate.

Outras viaturas da Policia Militar chegam minutos depois, mas uma ambulância só aparece na rua segundos antes das 3h30 da madrugada. Durante este tempo, Thawanna ficou deitada no chão, sem receber atendimento médico especializado.

Em depoimento à Polícia Civil, Weden Morais afirmou que foram prestados os primeiros socorros com uso de Atendimento Pré-Hospitalar Tático "com o intuito de preservar e manter" a vítima viva enquanto aguardava a chegada do Samu.

As imagens da câmera corporal chegam a mostrar o próprio Weden caminhando pela mulher e falando: "Não faz força. Fica de boa. Já vai chegar o resgate". Ele não chega a fazer as manobras de primeiros socorros.

Ainda conforme o registro, ele volta a ligar ao Centro de Operações da Polícia Militar e, por mais de uma vez, pede pela chegada de uma ambulância.

Com a chegada do resgate, Thawanna foi levada ao Hospital Santa Marcelina, também em Cidade Tiradentes, mas não resistiu aos ferimentos. O óbito foi confirmado cerca de cinco horas depois.

Caso mostrou falta de humanidade e empatia dos policiais, diz advogada

Em conversa com o Estadão, a advogada Viviane Leme, que representa a família de Thawanna, considera que "a câmera corporal do motorista cai (o depoimento deles) por terra".

Ela classificou a situação como uma "tragédia" e afirma que houve "falta de e empatia" por parte dos policiais militares no episódio. "Nem se fosse um bandido deveria ser feito dessa forma, ainda mais dois trabalhadores".

"A soldado não teve nenhum tipo de empatia, não era uma ocorrência, as pessoas estavam andando na rua. Quem deu causa, inclusive, foi a viatura que bateu no cotovelo dele (do Luciano). Enfim, uma tragédia que poderia muito bem ter sido evitada", acrescentou a defensora.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o caso é investigado "com prioridade" pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) e que as câmeras corporais foram anexadas aos inquéritos.

Um Inquérito Policial Militar (IPM) foi aberto e a Corregedoria da PM também apura o episódio para entender o que aconteceu. A ocorrência foi registrada como Homicídio Decorrente de Oposição à Intervenção Policial.

O Ministério Público também instaurou, na última segunda, 6, um procedimento para apurar a morte de Thawanna. O processo foi aberto por promotores do Grupo de Atuação Especial de Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp).

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