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BRASIL

'Lei Suzane von Richthofen': projeto que prevê mudança na herança avança no Congresso

Proposta amplia as restrições ao recebimento de heranças por pessoas condenadas por homicídio contra familiares

Estadão Conteúdo

17 de junho de 2026 às 11:33

Suzane fez revelações sobre o passado de sua família.

Suzane fez revelações sobre o passado de sua família. ( Foto: Foto: Reprodução/ O Globo )

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou o parecer do Projeto de Lei 23/2026. Conhecido como "Lei Suzane von Richthofen", o texto amplia as restrições ao recebimento de heranças por pessoas condenadas por homicídio contra familiares.

A proposta, aprovada na terça-feira (16), altera o Código Civil. Ela estende o instituto da indignidade aos parentes colaterais de até quarto grau.

Na prática, a medida impede que uma pessoa condenada por assassinar um familiar herde bens de outros integrantes da mesma família. Isso inclui irmãos, tios, sobrinhos e primos.

Tramitação e Alcance da Proposta

Após a aprovação na CCJ, a proposta ainda precisa cumprir outras etapas para entrar em vigor. O próximo passo será a eventual apresentação de recurso para análise pelo plenário da Câmara.

Caso não haja recurso, a matéria seguirá diretamente para avaliação dos senadores.

Atualmente, a exclusão da herança por indignidade se aplica a casos específicos. Inclui homicídio doloso ou tentativa contra o autor da herança, cônjuge, companheiro, ascendentes ou descendentes.

O substitutivo aprovado pela comissão amplia o alcance. Agora, a regra passa a incluir também os parentes colaterais até o quarto grau.

O Contexto da Lei e a Justificativa

A proposta recebeu o apelido de "Lei Suzane von Richthofen" em referência ao caso de Suzane von Richthofen. Ela foi condenada pelo assassinato dos pais em 2002.

O tema retornou ao debate após a repercussão da possibilidade legal de Suzane herdar parte do patrimônio de um tio.

A relatora Laura Carneiro (PSD-RJ) destacou, no parecer da CCJ, que a legislação atual é "gravemente atentatória à moralidade". Também atinge a solidariedade familiar e a boa-fé que regem as relações familiares.

A deputada argumenta que a mudança corrige uma omissão do Código Civil. Ela impede que autores de crimes contra parentes obtenham benefícios patrimoniais.

Laura Carneiro manteve a ampliação do instituto da indignidade. Contudo, rejeitou propostas que expandiam excessivamente as hipóteses de exclusão da herança.

Segundo o parecer, algumas mudanças poderiam gerar consequências desproporcionais. Um exemplo seria a perda do direito sucessório por crimes sem relação direta com a sucessão familiar.