Informações sobre má alimentação e nutrição desafiam brasileiros em busca de vida saudável
Nutricionista aponta rotina, ambiente e informações contraditórias como fatores que influenciam as refeições
Manter uma alimentação equilibrada é um desafio para muitos brasileiros, com dados do Ministério da Saúde indicando que mais da metade da população adulta do país apresenta excesso de peso.
Este cenário reflete profundas mudanças nos hábitos alimentares e no estilo de vida da sociedade. Apesar do vasto conhecimento disponível sobre nutrição, a má alimentação persiste, conforme explica Alexandra Corrêa de Freitas, nutricionista e professora do curso de Nutrição da Faculdade Santa Marcelina.
Segundo a especialista, a má alimentação não está ligada apenas à falta de conhecimento. "Hoje, a maioria das pessoas sabe que deve consumir mais frutas, verduras e legumes e reduzir alimentos ultraprocessados. O desafio é transformar essa informação em prática dentro de uma rotina intensa, marcada por trabalho, deslocamentos e múltiplas responsabilidades”, afirma em entrevista à assessoria.
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Influência do ambiente alimentar
Alexandra Corrêa destaca que o ambiente alimentar atual exerce forte influência sobre as escolhas do dia a dia. Os ultraprocessados, ricos em açúcar, gorduras, sódio e aditivos químicos, costumam estar mais disponíveis, amplamente divulgados e associados à praticidade.
"Pesquisas em saúde pública mostram que o ambiente em que vivemos influencia diretamente nossas decisões. Por isso, alimentar-se bem não depende apenas de informação ou força de vontade, mas de fatores sociais, culturais, econômicos e ambientais”, aponta.
Outro aspecto importante é que o ato de comer não se restringe à necessidade fisiológica de nutrientes. "A ciência do comportamento alimentar demonstra que nossas escolhas não são determinadas apenas pelo que sabemos. Comemos também por hábito, recompensa, tradição familiar e, muitas vezes, para lidar com emoções como estresse ou ansiedade”, detalha a nutricionista.
Dietas restritivas e desinformação contraditória
Nesse contexto, propostas alimentares restritivas ou baseadas em regras rígidas tendem a ser difíceis de sustentar no longo prazo. Mudanças graduais e adaptadas à realidade de cada pessoa apresentam resultados mais duradouros. Além disso, o excesso de dados sem embasamento científico contribui para a confusão da população. "Vivemos um momento em que surgem constantemente novas dietas milagrosas, supostos superalimentos ou suplementos que prometem resultados rápidos. Muitas dessas mensagens não têm respaldo em estudos de qualidade e geram insegurança e escolhas inadequadas”, alerta Alexandra.
Diretrizes oficiais, como as apresentadas no Guia Alimentar para a População Brasileira, seguem recomendações claras: priorizar alimentos in natura ou minimamente processados e reduzir o consumo de ultraprocessados. No entanto, segundo a nutricionista, essas orientações competem diretamente com a forte publicidade de produtos ultraprocessados.
Mesmo diante de uma rotina acelerada, Alexandra Corrêa destaca que é possível melhorar a alimentação com estratégias simples de organização. “A palavra-chave é planejamento. Reservar um momento da semana para pensar nas refeições, organizar as compras e deixar alguns alimentos pré-preparados facilita muito a rotina e reduz a dependência de soluções rápidas e pouco nutritivas”, explica.
Dicas para uma alimentação sustentável
Para quem deseja melhorar a alimentação mesmo com pouco tempo e orçamento limitado, a nutricionista recomenda:
- Priorizar alimentos frescos;
- Planejar as compras da semana;
- Preparar refeições simples em maior quantidade para congelar porções.
"O básico bem-feito já é suficiente: arroz, feijão, legumes e uma fonte de proteína, como ovos ou frango, formam uma refeição equilibrada, nutritiva e muitas vezes mais econômica do que opções ultraprocessadas”, orienta. Por fim, Alexandra reforça que a constância é mais importante do que mudanças radicais. “Pequenas mudanças mantidas ao longo do tempo têm impacto significativo na prevenção de doenças crônicas e na promoção da qualidade de vida”, conclui.
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