A TV Globo já deixou de realizar debates presidenciais em outras eleições, mas o cancelamento anunciado nesta quinta-feira (1º) tem uma particularidade. Em 2026, a emissora decidiu suspender um debate que já estava programado e próximo de começar depois de decisões judiciais alterarem, poucas horas antes da transmissão, as regras e a composição do encontro.
A Globo informou que recebeu duas notificações judiciais que interferiam nas regras previamente acordadas. Uma decisão da ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibiu a exibição do púlpito destinado a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que havia decidido não participar do debate.
Outra, do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão de Renan Santos (Missão) no encontro.
A situação mudou novamente após Flávio Bolsonaro (PL) anunciar que não participaria do debate. A emissora afirmou que as sucessivas decisões tomadas pouco antes do programa geraram insegurança jurídica e interferiram na organização do encontro.
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Globo já deixou de realizar debates em outras eleições
Embora a situação de 2026 seja diferente, a Globo já passou por eleições em que não houve debate presidencial.
Em 1994, a emissora decidiu não realizar o debate do primeiro turno. Naquele ano, havia oito candidatos e a legislação eleitoral determinava que todos fossem convidados. A Globo avaliou que um encontro com todos os concorrentes seria inviável e estudou a realização de dois debates.
O problema estava na definição dos participantes: a legislação exigia sorteio ou acordo entre os partidos para dividir os candidatos entre os encontros. Sem garantia de que os principais concorrentes estariam em confrontos diferentes, a emissora não realizou o debate.
E em 1998?
Quatro anos depois, a situação se repetiu. Em 1998, havia 12 candidatos à Presidência, e a Globo novamente não realizou debate no primeiro turno.
Segundo o Memória Globo, a legislação obrigava a emissora a convidar todos os candidatos ou, caso não houvesse acordo entre os partidos, realizar sorteio para definir a participação. A quantidade de candidatos dificultou a organização do encontro.
Portanto, nesses dois casos, o debate não chegou a ser cancelado às vésperas da transmissão. A emissora optou por não realizar o confronto diante das regras eleitorais e das dificuldades para definir sua composição.
O que aconteceu em 2018?
A eleição de 2018 teve outro episódio envolvendo a ausência de um debate presidencial.
No primeiro turno, a Globo realizou o confronto entre os candidatos em 4 de outubro. Jair Bolsonaro, que liderava as pesquisas naquele momento, não participou porque ainda se recuperava do atentado sofrido em setembro.
No segundo turno, Bolsonaro e Fernando Haddad (PT) disputariam a Presidência. A Globo havia programado um debate entre os dois, mas o encontro não aconteceu porque Bolsonaro não compareceu. A emissora informou que o candidato ainda se recuperava e, com sua ausência, decidiu não substituir o debate por uma entrevista com Haddad.
Foi a primeira vez desde a redemocratização que os dois candidatos que chegaram ao segundo turno não participaram de um debate televisionado.
O que diferencia o caso de 2026?
A principal diferença está no momento em que o cancelamento ocorreu.
Em 1994 e 1998, a Globo não chegou a realizar o debate do primeiro turno por causa das regras eleitorais e da dificuldade de organizar os encontros com todos os candidatos.
Em 2018, o debate do segundo turno deixou de acontecer após a ausência de Bolsonaro.
Já em 2026, o debate estava programado para ser realizado naquela noite e a emissora já havia definido sua estrutura e regras. Poucas horas antes do horário previsto, decisões do TSE e do STF modificaram as condições do encontro. A Globo então anunciou o cancelamento e atribuiu a decisão às mudanças judiciais de última hora.
Assim, o episódio de 2026 se diferencia dos anteriores por envolver o cancelamento de um debate presidencial já programado e próximo da transmissão após decisões judiciais que alteraram suas regras.
