Doze entidades médicas, incluindo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), emitiram um posicionamento. Elas defendem a proibição dos implantes hormonais manipulados no Brasil.
A carta solicita à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a outros órgãos, como Ministério da Saúde e Ministério Público, medidas rigorosas. O pedido visa combater a manipulação, comercialização, publicidade e uso desses produtos, além do reforço da fiscalização.
O documento afirma que "o atendimento de pacientes com efeitos adversos do mau uso de hormônios, em especial em implantes manipulados, se tornou rotina diária nos consultórios médicos".
O que são os implantes manipulados?
Os implantes hormonais manipulados são pequenos bastonetes de silicone, também chamados de "pellets". Eles são produzidos em farmácias de manipulação e inseridos sob a pele. O objetivo é liberar diferentes hormônios no organismo.
Esses implantes ficaram conhecidos inicialmente pelo uso para fins estéticos, ganhando o apelido de "chip da beleza". É importante diferenciá-los do Implanon, um implante contraceptivo regulamentado no Brasil com composição e dose padronizadas.
Entre os principais compostos utilizados nos implantes manipulados estão a testosterona e a gestrinona. Outras substâncias como ocitocina, o anabolizante oxandrolona e até tadalafila também são empregadas.
Conceitos distorcidos e falta de evidências
Atualmente, alguns médicos vendem e prescrevem esses produtos sob o argumento de "reposição hormonal" ou "terapia de reposição hormonal". As sociedades médicas, contudo, avaliam que esse uso distorce conceitos consagrados e apoiados por evidências científicas.
Tal distorção ocorre especialmente no contexto da terapia hormonal da menopausa, que envolve principalmente estrogênio e progesterona. O documento ressalta que "a única indicação de testosterona em mulheres respaldada por consensos internacionais é o transtorno do desejo sexual hipoativo na pós-menopausa, quando cuidadosamente avaliado, utilizando doses que mantenham concentrações fisiológicas".
A falta de pesquisas sobre os implantes hormonais manipulados impede que se assegure sua pureza, esterilidade ou a velocidade de liberação dos hormônios. Isso pode gerar picos ou variações hormonais perigosas no organismo.
Principais riscos à saúde
Em caso de complicações, os especialistas alertam que o paciente muitas vezes fica sem saída. Isso se deve ao fato de que, uma vez implantados, os produtos são difíceis de retirar.
Os perigos citados incluem a falta de proteção endometrial e mamária, com risco de câncer de mama. Também há problemas cardiovasculares e hepáticos, tromboembolismo, acidente vascular cerebral e alterações no metabolismo lipídico.
As informações foram publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo.
