A estudante Clara Souza, de 22 anos, viralizou na internet após defender o seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) intitulado "Antes Elize do que Eliza", na Faculdade de Direito da Universidade Estadual Vale do Acaraú, que fica situada em Sobral (CE). Com mais de 130 páginas, a pesquisa da jovem faz uma análise dos casos envolvendo Elize Matsunaga, que matou o marido, e o assassinato de Eliza Samúdio.
Em entrevista ao portal G1, a aluna explicou com detalhes a sua pesquisa. "A frase sobre Elize e Eliza está entre aspas [no título]. Não é uma fala minha, não fui eu que disse isso. É algo que vem sendo repetido no Tiktok com frequência (...) Analiso isso como um fenômeno social, um sintoma de uma sociedade em que as mulheres se sentem desprotegidas. Em nenhum momento, justifico o crime cometido pela Elize", revelou Clara.
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O que quer dizer a frase "Antes Elize do que Eliza"?
A frase no título do TCC de Clara Souza foi colocada entre aspas para fazer referência àquelas pessoas que argumentam que Eliza Samúdio havia buscado ajuda da polícia para se proteger de seu agressor, mas mesmo assim foi assassinada. Enquanto Elize Matsunaga também procurou ajuda das autoridades, não conseguiu, reagiu de forma extrema ao assassinar o próprio marido, foi presa, mas sobreviveu para contar a história.
Ao longo das páginas, a estudante faz algumas comparações entre o estilo de vida da vítima e da ré. São elas:
- Elas tiveram histórias ligadas ao "mercado do sexo", o que fez com que elas fossem visualizadas como "interesseiras";
- As duas tiveram origens humildes e se mudaram para o centro da cidade, a fim de buscar melhorias de vida;
- Tanto Elize quanto Eliza se envolveram com homens ricos e influentes, o que abriu um debate para as suas "ambições".
Repercussão do TCC de Clara Souza
Com a repercussão de seu trabalho que ganhou nota máxima da banca avaliadora, a jovem acabou recebendo muitas mensagens de pessoas que gostaram pela forma como a pesquisa foi abordada no TCC. "Recebi mensagens de mulheres de todos os cantos do Brasil que leram a pesquisa, que gostaram, que acham importante que esse debate seja cada vez mais espalhado. Isso é gratificante para mim", pontuou Clara Souza ao G1.
(Victoria Rodrigues, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de Enderson Oliveira, editor web em O Liberal)
