Google e CBF fecham parceria para usar IA na análise das Seleções Brasileiras
Projeto cria plataforma unificada de dados para auxiliar comissões técnicas; Palmeiras já testa tecnologia capaz de prever jogadas em campo
A inteligência artificial está ganhando espaço nos bastidores do futebol brasileiro. O Google anunciou nesta quarta-feira (10), durante o Google for Brasil, em São Paulo, uma parceria de dois anos com a CBF para desenvolver uma plataforma de análise de dados voltada às Seleções Brasileiras. A iniciativa permitirá que treinadores e analistas consultem informações táticas, físicas e médicas por meio de comandos em linguagem natural, reduzindo o tempo gasto na compilação manual de relatórios.
O projeto prevê a criação de uma base unificada de dados na nuvem, capaz de reunir informações que atualmente estão dispersas em diferentes sistemas. Com o apoio da inteligência artificial Gemini, integrantes das comissões técnicas poderão fazer perguntas diretamente ao sistema e receber análises instantâneas sobre desempenho, desgaste físico e indicadores de performance.
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Segundo o Google Cloud, o objetivo é transformar dados isolados em inteligência aplicada ao futebol de alto rendimento. A expectativa é que a tecnologia permita análises mais rápidas e, futuramente, gere sugestões preditivas a partir dos dados coletados.
Modernização
Atualmente, grande parte do trabalho de análise esportiva exige o cruzamento manual de relatórios produzidos por diferentes departamentos. De acordo com o Google Cloud, as comissões técnicas chegam a gastar cerca de 70% do tempo organizando informações antes de iniciar análises estratégicas.
“A parceria com o Google Cloud representa mais um passo na modernização do futebol brasileiro. Estamos transformando dados dispersos em inteligência aplicada, capaz de gerar vantagem competitiva real para as nossas Seleções”, afirmou o presidente da CBF, Samir Xaud.
Palmeiras é o 1º clube da América Latina a usar IA para analisar jogo aberto
Enquanto a parceria com a CBF mira a estrutura das Seleções Brasileiras, outra iniciativa apresentada durante o evento mostra como a inteligência artificial já começa a ser aplicada diretamente na análise das partidas.
O Palmeiras tornou-se o primeiro clube da América Latina a utilizar uma nova versão do TacticAI, tecnologia desenvolvida pelo Google DeepMind para simular cenários táticos em lances com bola rolando.
A ferramenta utiliza redes neurais para analisar simultaneamente o posicionamento dos 22 jogadores em campo e prever o comportamento da partida com até oito segundos de antecedência. Em uma interface visual, analistas podem reposicionar atletas virtualmente e observar como alterações táticas influenciam a movimentação da equipe e a trajetória da bola.
Até então, versões anteriores do sistema eram utilizadas principalmente para situações de bola parada, como escanteios e cobranças de pênalti. O avanço apresentado agora permite analisar a dinâmica contínua do jogo.
Tendência
Os dois anúncios reforçam uma tendência crescente no esporte de alto rendimento: o uso da inteligência artificial para transformar grandes volumes de dados em decisões mais rápidas e precisas.
Para o Google, o futebol representa um ambiente especialmente desafiador para o desenvolvimento dessas tecnologias por envolver múltiplos jogadores, movimentações simultâneas e cenários em constante mudança. A expectativa é que os avanços obtidos no esporte possam futuramente contribuir para aplicações em outras áreas, como mobilidade, logística e robótica.
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