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Sinal de Frank: dobra na orelha pode indicar risco cardíaco; saiba o que fazer se identificar

Descoberto em 1973, o sinal de Frank é um indicativo importante para investigar doenças como infarto e AVC

Jennifer Feitosa
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A dobra diagonal no lóbulo da orelha, conhecida como sinal de Frank, é um alerta para a saúde arterial e riscos cardiovasculares. Especialistas apontam que este sinal, muitas vezes imperceptível, gera preocupação, principalmente em adultos jovens.

A relação entre o formato da orelha e a saúde do coração é estudada há décadas. A prega na orelha não é um diagnóstico conclusivo, mas indica a necessidade de investigar a circulação sanguínea.

A atenção ao sinal cresceu após o falecimento do empresário Henrique Madeirite, vítima de infarto aos 50 anos. “É praticamente impossível um paciente de 30 anos ter esse sinal e ter uma saúde totalmente normal. Isso é um sinal de envelhecimento das artérias e de que ele não está se cuidando”, explica o cardiologista João Vicente da Silveira, do InCor da Universidade de São Paulo (USP), ao G1.

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Fatores de risco para doenças cardiovasculares

  • Pressão arterial alta (hipertensão)
  • Níveis de glicemia elevados
  • Colesterol alto (dislipidemia)
  • Tabagismo
  • Obesidade
  • Uso frequente de bebida alcoólica
  • Sedentarismo
  • Apneia do sono
  • Histórico familiar de doença cardiovascular

“Qualquer indivíduo que tenha qualquer um desses elementos ou que tenha a prega do lado diagonal deve ser investigado do ponto de vista cardiovascular”, aconselha o dermatologista Hélio Amante Miot, da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

O que é o sinal de Frank?

Relatado pela primeira vez em 1973 pelo médico norte-americano Sanders Frank, o sinal foi relacionado ao envelhecimento precoce dos vasos sanguíneos e à aterosclerose. Esta condição envolve o acúmulo de placas de gordura e colesterol nas artérias, elevando o risco de infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Como o sinal se manifesta no corpo?

O lóbulo da orelha é irrigado por microartérias. A desorganização das fibras de colágeno, responsáveis pela elasticidade dos vasos, está relacionada à dobra. Com a ausência de elasticidade, as artérias ficam mais rígidas, abrindo espaço para entupimentos e eventos cardiovasculares como AVC ou infarto.

“A prega globular é um sinal de que a circulação pode não estar 100%, de que a orelha pode estar sendo mal irrigada”, ressalta Miot. O especialista destaca que as extremidades possuem pouca vascularização, e por isso, o dano vascular é mais intenso.

Pesquisa da Unesp investiga o sinal

Um estudo da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp) ressalta a associação entre o sinal de Frank e doenças coronarianas. Entre 110 homens submetidos à cineangiocoronariografia, a prega diagonal no lóbulo foi observada em 60% dos pacientes com doença coronariana. No grupo sem obstruções, a incidência foi de 30%. Quando a dobra no lóbulo foi acompanhada de uma prega pré-auricular, o valor preditivo positivo alcançou 90%.

Sinal de Frank: o que fazer ao identificá-lo?

É recomendável procurar avaliação médica para checar exames. A necessidade de testes adicionais dependerá da gravidade do perfil do paciente, conforme avaliação do médico.

  • Testes de colesterol e glicemia
  • Eletrocardiograma
  • Ecocardiograma
  • Em casos específicos, teste ergométrico ou angiotomografia das coronárias

Especialistas alertam sobre a interpretação do sinal

A dobra na orelha não deve ser vista como uma sentença, mas como um alerta para procurar um especialista, diz o cardiologista João Vicente da Silveira. Segundo ele, “o principal risco é interpretar o sinal de forma isolada. Ele é só um indicador. Tem muita gente que tem doença coronariana e não tem esse sinal”.

Alguns estudos identificaram que certas pessoas com o sinal não demonstravam doença no coração. Ter o sinal não é algo certeiro de possuir a doença, mas ainda é um aviso, de acordo com Hélio Amante Miot.

(Jennifer Feitosa, Jovem Aprendiz, sob supervisão de Vanessa Pinheiro, editora web de oliberal.com)

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