Pará tem cerca de 80% dos casos de doença de Chagas no Brasil
No período de 1º de janeiro até 11 de abril, foram confirmados 97 casos no estado, com quatro óbitos
O estado do Pará concentra cerca de 80% das ocorrências de doença de Chagas em todo o Brasil, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). A infecção pela doença, transmitida por insetos conhecidos como barbeiros, se dá pela ingestão de alimentos contaminados pelas fezes do parasita Trypanosoma cruzi, devido à falta de controle de higiene e de cuidados no momento do processamento.
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No período de 1º de janeiro até 11 de abril, foram confirmados 97 casos no estado, com quatro óbitos. Foram registrados 494 casos de Doença de Chagas Aguda em 2024, com seis óbitos, e 512 casos em 2025, com oito óbitos. Em 2026, no período de 1º de janeiro até 11 de abril, foram confirmados 97 casos, com quatro óbitos. A Sespa informa que 89% dos casos ocorrem por transmissão oral, pela ingestão de alimentos contaminados.
A pasta destaca, ainda, que 53% dos afetados são do sexo feminino, 50% dos casos são registrados em área periurbana, 24,3% na zona rural e 24,3% na zona urbana. Para controlar os casos de doença de Chagas em municípios prioritários, a Sespa, por meio da Coordenação Estadual de Doença de Chagas e Vigilância Sanitária Estadual, tem realizado ações específicas em parceria com as Prefeituras Municipais e com o apoio do Ministério Público do Estado.
“Devido às notificações estarem sendo feitas com mais tempo hábil, mais de 90% dos casos confirmados no Pará registram melhora da doença sem intercorrências”, enfatiza Eder Monteiro, coordenador do Programa de Controle da Doença de Chagas pela Sespa.
Sintomas
A doença de Chagas é transmitida pelo barbeiro infectado que, ao picar uma pessoa sadia, deposita fezes contaminadas no ferimento, permitindo a entrada do parasita Trypanosoma cruzi na corrente sanguínea (transmissão vetorial).
Na fase aguda, os principais sintomas são dor de cabeça, febre, cansaço, edema facial e dos membros inferiores, taquicardia, palpitação, dor no peito e falta de ar. Como os sintomas iniciais parecem com os de outras doenças, a pessoa deve procurar a unidade de saúde mais próxima de sua residência para atendimento médico e fazer os exames.
O diagnóstico precoce é fundamental nos casos de doença de Chagas, pois quanto mais tempo leva para o paciente iniciar o tratamento, mais danos o parasita Trypanosoma cruzi causa no organismo, principalmente no coração e no sistema digestivo.
“Um paciente com suspeita da doença precisa comparecer à Unidade Básica de Saúde, ser logo notificado e imediatamente encaminhado para exame e início do tratamento”, explica Eder Monteiro. Assim, o paciente com Chagas recebe medicamento específico por dois meses e permanece sob acompanhamento pelo período de cinco anos na atenção básica municipal e, quando necessário, por especialista cardiologista, infectologista e gastroenterologista.
Iniciativas
Recomendações como essas já fazem parte de conteúdos repassados por diversas capacitações feitas pela Coordenação Estadual do Programa de Controle da Doença de Chagas, que correspondem ao papel da Sespa nesse fluxo, que é o de apoiar os municípios com assessoria técnica, por meio de treinamento de profissionais, para que a rede de atendimento esteja articulada e funcione da melhor forma possível, o que garante diagnóstico oportuno e tratamento imediato aos casos notificados.
“Além desses treinamentos, intensificados a partir de 2019, damos apoio aos municípios nas ações de prevenção da doença, tanto na atenção básica e nas escolas municipais, como também em ações educativas para produtores de açaí e treinamentos para batedores da fruta sobre as boas práticas na manipulação de alimentos”, complementa Eder.
Em março, aconteceu em Belém uma Oficina de Alinhamento para a elaboração do Plano de Prevenção de Surtos de Doença de Chagas no Estado do Pará, feita em parceria com o Ministério da Saúde, e que dinamizou os esforços da secretaria na estruturação de estratégias específicas em municípios prioritários e integração entre diversas áreas da saúde e outros setores. Isso já resultou na capacitação de mais de 600 profissionais e na redução significativa de casos e óbitos relacionados à doença no Estado.
Essas providências ainda incluem ajuste de fluxo para atendimento dos casos suspeitos e confirmados; reuniões técnicas on-line para orientação e discussão dos surtos; webconferências com os coordenadores dos Centros Regionais de Saúde e representantes da Vigilância Epidemiológica; interpretação do diagnóstico laboratorial; fluxo de abastecimento da medicação para o tratamento específico; e a importância da completude das notificações na investigação dos casos.
Nesse contexto, a Sespa também tem colaborado com uma série de iniciativas do governo do Estado, por meio da parceria da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) com instituições como o Ministério Público e a Universidade Federal do Pará (UFPA), em favor do aperfeiçoamento de práticas e inovações que permitam a garantia de qualidade do açaí vendido ao consumidor.
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