Em meio à rotina acelerada da vida moderna, é comum passar horas em frente ao celular, computador e televisão. Do trabalho ao lazer, as telas são procuradas para diversos momentos, mas, em excesso, também podem trazer alguns riscos, como a provocação ou agravamento de dores de cabeça. Segundo o neurologista Antônio de Matos, membro titular da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), o problema pode ser resultado da fadiga visual, má postura e outros fatores que favorecem tanto dores tensionais quanto crises de enxaqueca. No Dia Nacional de Combate à Cefaleia, celebrado nesta terça-feira (19), a data reforça a importância da atenção aos sintomas, fatores de risco e formas de prevenção das dores de cabeça. “O excesso de telas pode atuar como gatilho, principalmente por esforço visual prolongado, postura inadequada, tensão cervical, exposição à luminosidade intensa, redução de pausas e piora do sono. Isso favorece tanto dores tensionais quanto crises de enxaqueca em pessoas predispostas”, afirma o médico, que atua em Belém. VEJA MAIS Lula, sobre isenção do IR até R\$ 5 mil: 'É bom, mas é pouco' Ele mencionou que os gastos com saúde de pessoas mais ricas geram dedução do Imposto de Renda Câncer de mama: teste genético no SUS pode ajudar no diagnóstico e tratamento Segundo o especialista, o exame é considerado especialmente relevante para mulheres com câncer de mama diagnosticado antes dos 50 anos ou com histórico familiar importante da doença A medicina reconhece mais de 300 tipos de cefaleias, conforme a Classificação Internacional das Cefaleias (ICHD-3). Nas cefaleias primárias, a dor é a própria doença. Já nas secundárias, a dor é um sintoma de outra condição decorrente de causas diversas, como vasculares, infecciosas e tumorais, por exemplo. “A dor de cabeça comum costuma ser mais leve, sem pressão, sem muitos sintomas associados. Já a enxaqueca geralmente é moderada a forte, pode latejar, piora com movimento e pode vir com náuseas, vômitos, sensibilidade à luz, barulho e cheiros”, explica o médico. Atualmente, a privação de sono, o estresse e a ansiedade são alguns dos principais gatilhos da cefaleia. Além disso, passar um longo tempo sem se alimentar, bem como a desidratação, o excesso de cafeína ou a retirada abrupta do ingrediente na alimentação também podem piorar o quadro. Segundo o médico Antônio de Matos, o público deve ter atenção, ainda, com o sedentarismo, os longos períodos em telas, luminosidade intensa, alterações hormonais e uso frequente de analgésicos. No caso de crianças e adolescentes, os dois grupos também podem apresentar cefaleia relacionada a telas, sono irregular, ansiedade e sedentarismo. “Os pais devem observar dor recorrente, queda no rendimento escolar, irritabilidade, náuseas, sensibilidade à luz, uso excessivo de remédios e dor que acorda a criança à noite. Nesses casos, é importante avaliação médica”, indica. Riscos Atualmente, um dos maiores fatores de risco é o uso de medicamentos sem prescrição e orientação médica. O uso frequente de analgésicos pode transformar uma dor de cabeça episódica em dor crônica, além de causar gastrite, lesão no fígado, rins e mascarar doenças graves. “A automedicação é um dos grandes problemas no manejo das cefaleias, podendo inclusive determinar internação hospitalar para tratamento da crise de dor”, alerta o médico. A combinação entre estresse, ansiedade e sono ruim também traz impactos diretos para o quadro. O cérebro se torna mais sensível à dor, há maior tensão muscular, pior regulação hormonal e menor tolerância aos estímulos. Segundo o neurologista, “dormir mal é um dos gatilhos mais importantes para enxaqueca”. Para ele, quando a dor de cabeça é frequente, intensa, progressiva e diferente do padrão habitual, é preciso realizar uma avaliação médica. O mesmo vale para casos de impactos na rotina, uso repetido de remédios e dor que surge mais de uma vez na semana. Veja quais são os sinais de alerta Dor súbita e muito intensa Febre Rigidez na nuca Confusão mental Desmaio Convulsão Fraqueza Alteração visual Dor após trauma Início após os 50 anos Dor em paciente que está lutando contra o câncer, imunossupressão (por doença ou por medicamentos) ou gestante Fonte: neurologista Antônio de Matos Como prevenir Alguns hábitos e mudanças simples na rotina ajudam a prevenir o quadro. Na alimentação, a boa hidratação, a redução de ultraprocessados, do álcool e do excesso de cafeína podem reduzir a frequência das dores. “Outros hábitos preventivos são: sono regular; pausa no uso de telas; atividade física; controle do estresse; evitar jejum prolongado; reduzir excessivo de cafeína e procurar acompanhamento caso as crises se repitam”, destaca o médico neurologista. *Ayla Ferreira, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de Camila Moreira, chefe de reportagem