A Anvisa investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia) em pacientes que utilizavam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. A condição é considerada rara e pode provocar perda permanente da visão. Os relatos envolvem medicamentos como Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro, utilizados principalmente no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. A Anvisa, no entanto, ressalta que a ocorrência da doença em pessoas que fazem uso desses medicamentos não comprova, por si só, uma relação de causa e efeito. Todos os casos permanecem sob investigação. O que é a neuropatia óptica? A neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica afeta o nervo óptico, estrutura responsável por transmitir ao cérebro as informações captadas pelos olhos. A doença ocorre quando há redução do fluxo sanguíneo em pequenos vasos que irrigam o nervo, o que pode provocar danos às células nervosas. A alteração visual costuma surgir de forma repentina e, em muitos casos, não provoca dor. Dependendo da gravidade, a condição pode causar perda permanente da visão. VEJA MAIS Anvisa proíbe propaganda da caneta de semaglutida Semavy após anúncios irregulares A suspensão da propaganda foi determinada contra a Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S.A. Ministério da Saúde pede incorporação de canetas emagrecedoras ao SUS Pedido inclui avaliação de semaglutida e liraglutida para pacientes com obesidade Semavy: nova caneta de semaglutida chega às farmácias; saiba quanto custa! O medicamento teve o registro aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 29 de julho Quais medicamentos estão envolvidos? Segundo os dados de farmacovigilância da Anvisa, as 13 notificações relacionadas aos agonistas de GLP-1 estão distribuídas da seguinte forma: Cinco casos associados ao Ozempic; Três relacionados ao Wegovy; Dois envolvendo o Wegovy FlexTouch; Dois associados ao Rybelsus; Um relacionado ao Mounjaro. Desde 2018, o sistema de farmacovigilância da Anvisa registra 24 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica associadas a diferentes classes de medicamentos. Os 13 relatos envolvendo agonistas de GLP-1 fazem parte desse total. A investigação ocorre em razão de um aumento no uso desses medicamentos para controle do diabetes e do peso. A partir das notificações, a agência busca identificar possíveis padrões e avaliar se existe alguma associação entre os tratamentos e os eventos oftalmológicos. Até o momento, todos os registros envolvendo os agonistas de GLP-1 são considerados casos suspeitos. Noia já aparece nas bulas de alguns medicamentos A possibilidade de ocorrência da neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica já é reconhecida pela Anvisa para medicamentos à base de semaglutida. Em junho de 2025, a agência determinou a inclusão da Noia como reação adversa muito rara nas bulas de medicamentos como Ozempic, Rybelsus e Wegovy. Na ocasião, a Anvisa orientou os pacientes a procurar atendimento médico imediatamente caso apresentassem perda repentina da visão, visão turva ou piora rápida da capacidade visual. O órgão também reforçou a importância do acompanhamento de profissionais de saúde durante o tratamento. A Anvisa tem adotado medidas para ampliar o controle sobre a prescrição, comercialização e segurança desses medicamentos, além de combater produtos irregulares. (*Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo sob supervisão de Mirelly Pires, editora web de OLiberal.com)