Veja quem são os candidatos a vice nas eleições municipais em Belém

A maioria dos nomes participa da corrida eleitoral pela primeira vez

Keila Ferreira

Segundo na hierarquia da administração federal, estadual ou municipal, o vice – seja vice-presidente, governador ou prefeito – tem um papel importante na política. Ele é quem deve assumir as funções do titular, em caso de ausência por motivo de viagens, licença ou outro impedimento, podendo ficar no cargo permanentemente até o fim do mandato em situações previstas em lei, a exemplo do que aconteceu com Michel Temer, que substituiu a presidente Dilma Rousseff, após o processo de impeachment. Em Belém, Manuel Rezende, que foi vice-prefeito de Sahid Xerfan, governou a cidade de 1990 a 1992, após o titular ter renunciado para concorrer ao governo.

Porém, em muitos casos, a campanha não destaca o nome e o histórico do candidato a este cargo, apesar dele também ser capaz de fazer a diferença numa eleição. Isso pode fazer com que alguns nomes cheguem a cadeira de vice sem terem sido avaliados de forma mais criteriosa pelo eleitor. Entre os que estão compondo chapa com os candidatos à Prefeitura de Belém, há nomes conhecidos, pessoas que já ocuparam cargos eletivos e possuem histórico de militância política. Outros, têm uma carreira profissional consolidada, possuem envolvimentos com comunidades, são ligados a igrejas e até têm algum destaque na área em que atuam, mas ainda são desconhecidos do grande público. A maioria participa da corrida eleitoral pela primeira vez. 

“O vice representa a soma em uma aliança eleitoral. No caso de coligações com partidos distintos, representa um “casamento" entre legendas em busca de um resultado eleitoral vitorioso. Desta forma, o vice pode somar na perspectiva da participação de mais um partido na coligação, no tempo de TV, na soma de recursos financeiros ou até mesmo na representação de um segmento, que pode ser religioso, identitário ou até mesmo na perspectiva da experiência. Para os partidos políticos, a indicação de vice representa o protagonismo do partido na composição da chapa”, ressalta a cientista política Karol Cavalcante.

No Brasil, a figura do vice ainda é, de certa forma, ignorada pelos eleitores. Para Karol Cavalcante, isso se deve ao fato do sistema eleitoral brasileiro ser centrado em pessoas/ personalidades e não em partidos. “Na nova república, os dois momentos em que no Brasil os vices passam a ter relevância são justamente em momentos de instabilidade democrática. Com Itamar Franco (posteriormente, aconteceu o impedimento de Collor) e Temer, que foi o vice que mais tempo ocupou o cargo de presidente, após o impedimento de Dilma Rousseff. A ascensão de Temer, ao meu ver, mudou apenas a perspectivas de partidos e candidatos em relação a vislumbrar uma possível ocupação do cargo. Para o eleitor, o vice segue sendo um espaço de pouca importância”.

A cientista política diz que o sistema eleitoral brasileiro é personalista e o eleitor vota em pessoas ao invés de partido, fortalecendo personalidades ao invés de programas. "Na república velha, houve momentos na história política brasileira, em que o vice era eleito separadamente, o eleitor votava para eleger o vice. Hoje, no atual modelo de eleição e de campanha, o eleitor vota na chapa e é garantido apenas ao candidato a prefeito maior espaço público de debate, não sendo garantido ao vice, por exemplo, esse mesmo espaço. Desta forma, o vice acaba por ocupar um espaço de menor visibilidade no processo eleitoral. Tornando-se assim uma figura ‘desconhecida’ do eleitor”, observa.

Ela chama a atenção, porém, para as chances do vice assumir o papel de titular na administração, em caso de morte ou impeachment do prefeito, por exemplo. “Portanto, ao votar no prefeito, você também está votando no vice e a depender de fatores conjunturais pode ou não estar conferindo a esse candidato a possibilidade de vir a ser o prefeito. Logo, é de suma importância que o eleitor conheça quem é o vice da chapa”, completou.

Veja quem são os candidatos a vice nas eleições municipais deste ano, em Belém

Alexandre Padilla – PP (Vice de Gustavo Sefer, da Coligação “Frente Democrática Reconstruir Belém” – PSD / PP)

É advogado, tem 25 anos e já ocupou cargos na Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e Tribunal de Justiça Federal do Pará. Especializou-se em Direito Tributário na Universidade Salamanca, na Espanha. Essa é a primeira vez que ele concorre a um cargo eletivo. Está alinhado ao pilar principal da campanha, que é a reconstrução da cidade e virada de página na história da capital do Pará.

Cristiano Sobral – PCO (Vice de Jair Lopes, do mesmo partido)

Cristiano Soares Sobral de Souza tem 30 anos, é de Belém e possui ensino superior completo. Segundo informações repassadas à Justiça Eleitoral, ele trabalha como professor de ensino médio. Essa é a primeira vez que ele concorre em uma eleição.

Ana Paula – PMB (Vice de Dr. Jerônimo, do mesmo partido).

Tem 35 anos, é mãe de dois filhos e entra pela primeira vez na disputa eleitoral. Psicóloga, diz que como belenense, criada nos moldes de uma criação humanizada por tradição familiar amazônida e ribeirinha, somada aos avós migrantes da seca nordestina, sempre esteve atenta aos pormenores da vida cotidiana do povo da capital paraense e suas necessidades básicas, como moradia, alimentação, segurança, saúde, transporte e lazer. Na área em que atua, ajudou jovens carentes viciados no uso de drogas lícitas e ilícitas, mães adolescentes, vítimas de estupro, ressocialização de delinquentes juvenis e até internados do regime carcerário. Chegou a ocupar o cargo de diretora do Hospital Municipal de Curralinho.

Edilson Moura – PT (Vice de Edmilson Rodrigues, da Coligação “Belém de Novas Ideias” - PT / Rede / UP / PC do B / Psol / PDT)

Ex-vereador e ex-deputado estadual, Edilson Moura tem 57 anos, é professor e iniciou a atuação comunitária durante a ditadura militar, na década de 80, no Movimento Jovem da Igreja de São Sebastião – que reivindicava o direito de morar no bairro da Sacramenta, onde cresceu e passou a maior parte da vida –, e do Movimento Estudantil, na UFPA e Unama. De 2007 a 2010, foi secretário de Cultura do Governo do Pará. Em 2015 e 2016, desempenhou o cargo de delegado federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) do Pará, com o compromisso de promover a democratização do acesso à terra, a inclusão produtiva, a ampliação de renda da agricultura familiar e a paz no campo.

Major Diamantina – PTC (Vice de Guilherme Lessa, do mesmo partido)

Diamantina Pastada do Nascimento tem 57 anos e é tenente coronel da Policial Militar. Formada em Pedagogia, é professora licenciada em Ciências Biológicas e especialista em Defesa e Proteção Ambiental. Também possui bacharelado em Defesa Social e Cidadania e é especialista em Gestão e Responsabilidade Social. Coordenou a implantação do Programa Estadual de Prevenção às Drogas e a Violência no Pará e o Cras de Mosqueiro. Nas últimas eleições, em 2018, concorreu para deputada estadual, pelo PSB, mas não foi eleita.

Max Lima – Pros (Vice de Cássio Andrade, da coligação “Inovar para Mudar” – Solidariedade / Avante / Pros / PSB”)

Tem 37 anos, é pastor na Assembleia de Deus em Icoaraci e administra igrejas desde os 20 anos de idade. Nasceu em Monte Alegre, no Baixo Amazonas, mas sempre viveu em Belém. Morou às margens do canal do Mata Fome e também no bairro do Benguí. Se formou em Bacharel em Teologia no Instituto Paradigma e, atualmente, trabalha como professor no Instituto de Ciências Teológicas e Humanas - Incith, em Icoaraci, e cursa Direito. Mora no bairro da Cohab, é casado e pai de três filhos. No sistema de divulgação de candidatura (Divulgacand), do Tribunal Superior Eleitoral, não consta participação de Max Lima em eleições anteriores.

Mary Muniz – PSDB (Vice de Thiago Araújo, da coligação “Renova Belém” - PMN / Cidadania / PSDB / DEM / PV)

Natural do município de Peixe Boi, Mary tem 53 anos e cursa Serviço Social. Vem de uma família humilde, chegou em Belém com 12 anos e trabalhou como empregada doméstica e como vendedora no centro comercial da capital paraense. Foi coordenadora do programa Ama Belém e trabalhou no Núcleo de Apoio às Comunidades da Prefeitura. Representa a mulher, mãe, negra e periférica. Concorre pela primeira vez a um cargo eletivo.

Patrícia Queiroz – PSC (Vice de Priante, da coligação “Juntos por Belém” - MDB / PTB / PSL / Pode / PSC / PL / DC)

Tem 39 anos, é missionária da Igreja do Evangelho Quadrangular e cantora gospel. Natural de Rio Branco (AC), mora em Belém desde os dois anos de idade. Filha de pastores, cresceu no ambiente cristão e, desde muito cedo, entrou no seguimento da música. É casada e tem um filho. Com mais de 20 anos de Ministério de Louvor, Patricia Queiroz fundou o Mulheres Blindadas no Altar (MBA), com o objetivo de reunir mulheres para trabalhar a espiritualidade. Está participando de uma eleição pela primeira vez.

Samir Santos – PRTB (Vice de Mário Couto, do mesmo partido)

Tem 34 anos, é bacharel em Direito, com pós-graduação em Gestão Pública. Já trabalhou no Instituto de Metrologia do Estado do Pará, no Portal do Trabalhador, em escritório de advocacia e na Secretaria da 5ª. Vara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Pará. Também concorre pela primeira vez numa eleição.

Sargento Gonçalves – Republicanos (Vice de Vavá Martins, do mesmo partido)

Nasceu em Belém e tem 48 anos. Começou trabalhar aos 14 anos de idade no comércio informal e, logo após completar a maior idade, entrou para o Exército Brasileiro, servindo na função de soldado de 1991 até 1992. No ano de 1994, ingressou na Polícia Militar do Pará. Seis anos depois, deu início ao projeto “Ação Solidária”. Em 2017, foi promovido a graduação de 3° sargento. Já serviu em diversos departamentos e batalhões da PM, entre eles, a Rotam, e foi condecorado com medalhas pelos bons serviços prestados. Concorre pela primeira numa eleição.

Sargento Quemer – Patriota (Vice do Delegado Federal Eguchi, do mesmo partido)

Tem 46 anos, é casado, pai de dois filhos e possui ensino superior completo. Esta é a primeira vez que ele entra na disputa a um cargo eletivo, conforme informações do Divulgacand. Edemberg Quemer é sargento da Polícia Militar há 26 anos e está lotado no Batalhão Rotam há seis. Bacharel em Teologia, é pastor auxiliar da Assembleia de Deus, onde é um dos líderes da Missão com Família e da Missão com Mulheres, ambos programas de inclusão social, cidadania e de assistência espiritual na capital. Fundou o grupo Rotam e Louvor, da Polícia Militar Estadual.

Seu Alex – PSTU (Vice de Cleber Rabelo, do mesmo partido)

Seu Alex é transexual, tem 55 anos, uma filha e dois netos. Concorre pela segunda vez em uma eleição, pelo PSTU, sendo a primeira como vice-prefeito. Em 2018, disputou o cargo de vice-governador, também com Cleber encabeçando a chapa. É operário da Construção Civil há 31 anos. Atualmente, é diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Belém e, além das lutas para as conquistas de melhores condições de vida para os operários, se dedica a luta contra as opressões, contra a LGBTfobia. Junto com Cléber, esteve na luta pela classificação das Mulheres Operárias da Construção Civil para que sejam pedreiras, entre outras ações.

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