O deputado federal Antônio Leocádio dos Santos, conhecido como Antônio Doido (MDB-PA), é investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por suspeitas de desvio de recursos públicos, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro. O parlamentar também foi alvo de uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA), que manteve sua inelegibilidade por oito anos, até 2032, em processo relacionado às eleições municipais de 2024. No domingo (27), a Polícia Federal cumpriu quatro mandados de busca e apreensão expedidos pelo TRE-PA em endereços ligados a um parlamentar federal candidato à reeleição. Durante as buscas, os agentes apreenderam R\$ 87.475 em espécie, três veículos, documentos e aparelhos eletrônicos. Parte do dinheiro estava acondicionada em envelopes identificados com nomes de terceiros. Quem é Antônio Doido? O deputado federal Antônio Leocádio dos Santos, mais conhecido como Antônio Doido, tem 48 anos e está no primeiro mandato na Câmara dos Deputados. Ele foi eleito em 2022 com 126.535 votos e, antes de chegar ao Congresso Nacional, comandou a Prefeitura de São Miguel do Guamá, no nordeste do Pará, entre 2017 e 2020. O município tem pouco mais de 52 mil habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Nas eleições de 2020, tentou a reeleição pelo PL, mas não conseguiu permanecer no cargo. Em 2022, disputou uma vaga na Câmara dos Deputados e foi eleito com 126.535 votos. Dois anos depois, já como deputado federal, voltou a concorrer a um cargo no Executivo. Antônio Doido disputou a Prefeitura de Ananindeua nas eleições de 2024 e terminou em segundo lugar, com 23.091 votos. O vencedor foi Dr. Daniel (PSB), que foi reeleito com 229.930 votos. Formado em Ciências Contábeis pela Faculdade da Amazônia, Antônio Doido se apresenta como empresário. Na Câmara, integra a Comissão Externa sobre Obras Públicas Paralisadas e Inacabadas no País e a Comissão de Desenvolvimento Urbano. VEJA MAIS PF acha celular no esgoto em ação contra deputado candidato à reeleição no Pará Ação realizada em apoio à Procuradoria Regional Eleitoral cumpriu quatro mandados de busca e apreensão e resultou em uma prisão em flagrante, além da apreensão de dinheiro, veículos, equipamentos eletrônicos e documentos TRE-PA torna deputado federal Antônio Doido inelegível até 2032 Decisão por 5 votos a 1 aponta abuso de poder nas eleições de 2024 Flavio Dino autoriza buscas em apartamento do deputado Antônio Doido Medida faz parte da Operação Igapó, da Polícia Federal Emendas parlamentares Durante o mandato, o deputado paraense também ganhou destaque pelo volume de recursos destinados por meio de emendas parlamentares. Antônio Doido direcionou R\$ 37,8 milhões em emendas para diferentes prefeituras do Pará em 2024. Os recursos foram destinados principalmente a ações de custeio na área da saúde, incluindo serviços de atenção básica e atendimentos de média e alta complexidade. Investigação sobre dinheiro em espécie As investigações envolvendo Antônio Doido tiveram um dos principais capítulos às vésperas das eleições municipais de 2024, quando aproximadamente R\$ 4,9 milhões em dinheiro vivo foram apreendidos com pessoas próximas ao deputado. A Polícia Federal passou a investigar a hipótese de que os valores poderiam ser utilizados para compra de votos. Em janeiro de 2025, policiais federais também encontraram mais de R\$ 1 milhão em espécie com o assessor parlamentar Jacob Aarão Serruya Neto. Segundo a investigação, uma das linhas apuradas é a possibilidade de que o dinheiro fosse destinado ao pagamento de propina a funcionários públicos. Somadas, as apreensões relacionadas ao caso chegam a aproximadamente R\$ 6 milhões. O inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), em razão do foro por prerrogativa de função do deputado federal. As suspeitas ainda são objeto de investigação e não representam uma condenação criminal. Decisão do TRE-PA por inegibilidade Além da investigação criminal, Antônio Doido também responde a uma ação na Justiça Eleitoral relacionada à campanha para a Prefeitura de Ananindeua em 2024. O TRE-PA manteve, por 5 votos a 1, a condenação do deputado por abuso de poder político e econômico. A decisão determinou sua inelegibilidade por oito anos, com efeitos até 2032. Em julho, o TSE suspendeu a inegibilidade do deputado, permitindo, assim, que ele participe do pleito atual. A decisão, porém, não representa absolvição e nem anulação da condenação.