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Fotógrafo paraense Gabriel Chaim retrata a Guerra na Ucrânia por meio de sua arte

Após retornar ao Brasil depois de passar três meses cobrindo a Guerra da Ucrânia, o fotojornalista nascido em Oriximiná, concedeu uma entrevista exclusiva à reportagem do Grupo Liberal

Fabyo Cruz

Trazer à tona problemas sociais de guerras e crises humanitárias. É dessa forma que o paraense Gabriel Chaim, 40 anos, define seu trabalho como fotógrafo, documentarista e cinegrafista de conflitos pelo mundo. Após retornar ao Brasil depois de passar três meses cobrindo a Guerra da Ucrânia, o fotojornalista nascido em Oriximiná, município localizado no oeste do Pará, concedeu uma entrevista exclusiva à reportagem de O Liberal.

Gabriel saiu de Belém há cerca de 22 anos. Formado em gastronomia pela faculdade Anhembi Morumbi de São Paulo, estudou fotografia em Florença, na Itália, e se especializou em fotografia de comida em Dubai, nos Emirados Árabes, onde trabalhou durante um ano para financiar seu projeto Kitchen4life, onde documenta o cotidiano dos refugiados. Em 2013, o paraense começou a fazer coberturas de guerra quando esteve em Alepo, na Síria.

“Comecei a cobrir a Guerra da Síria, em 2013, contra o ditador Bashar al-Assad. De lá para cá foram várias viagens para a Síria até o início deste ano”, disse o fotógrafo. Chaim costuma acompanhar exércitos em missões para registrar momentos importantes. O documentarista já esteve em Gaza, no Irã e nos campos de refugiados na Turquia e Jordânia.  

“Quando se vai para determinados locais em conflito, onde existe esse drama humano, da fuga e do abandono, consigo transmitir essa dor para o público e eles conseguem, de uma forma ou de outra, enxergar uma situação onde eles nunca iriam conseguir ver. Trazer à tona  problemas sociais de guerras e crises humanitárias é o mais importante do meu trabalho”, afirmou Chaim.

O paraense estava há sete meses longe do Brasil. Ele esteve na Síria antes de ir para a Ucrânia. Em meio à guerra, perdeu colegas de profissão, entretanto, conseguiu mostrar para o mundo, por meio de suas lentes, a devastação que assustou o continente europeu. “Muitos amigos meus, que assim como eu eram jornalistas estrangeiros, morrem na Ucrânia. Alguns estavam hospedados no mesmo hotel que eu, chegamos a trocar informações de pontos onde ocorriam os ataques", recordou.

Questionado se chegou a temer a morte, Gabriel diz que tinha certeza de que nada iria acontecer na capital Kiev, e de fato não aconteceu. No entanto, vivenciou momentos de tensão na região sul da Ucrânia. “Os lugares mais difíceis foram as cidades de Irpin e Druzhkivka. Na primeira, vi pessoas tentando fugir em uma ponte quebrada. Na outra, civis foram amarrados e executados. Nessas cidades aconteceram as piores batalhes”, comentou.

Chaim diz que trouxe uma reflexão sobre a experiência na Ucrânia. Para ele, ficou notório o quanto uma guerra na Europa chamou mais atenção do mundo do que um conflito no Oriente Médio. “É algo que ficou bastante claro pra mim. O mesmo acontece com os povos indígenas na Amazônia. Há conflitos desse tipo no Brasil, no Oriente Médio, mas os olhos do mundo estão atentos para o continente europeu”, afirmou.

No final do ano passado, o paraense promoveu a exposição “Devolvo Ouro”, onde reuniu fotografias produzidas na Terra Indígena Yanomami, na fronteira entre os estados de Roraima e Amazonas, regiões de Surucucu e Palimiu. O fotógrafo acompanhou, durante dois meses, a ação do Exército e da Polícia Federal contra o garimpo ilegal naquele lugar. Lá, as condições geológicas justificam a presença do ouro. Já o garimpo ilegal e os sistemáticos ataques aos povos Yanomami são justificados por omissões políticas, em curso há décadas.

Livro “A Guerra de Gabriel Chaim”

De volta ao Brasil, o paraense pretende se dedicar para a produção do seu livro “A Guerra de Gabriel Chaim”, que tem lançamento previsto para o mês de agosto deste ano. A obra reunirá registros de conflitos pelo mundo feitos por Gabriel Chaim com texto do jornalista Guga Chacra.  

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