QUA · 28 OUT 2026Assine
O Liberal 80 anos

corrupção

Flávio Bolsonaro viajou em avião de empresa ligada a Milei sob investigação

Proximidade da Baires Fly com o poder se transformou em caso de polícia e passou a repercutir na Argentina

O Liberal

28 de outubro de 2026 às 13:46

Flávio Bolsonaro chega aos Estados Unidos com a família

Flávio Bolsonaro chega aos Estados Unidos com a família

O jato utilizado pelo senador Flávio Bolsonaro e sua família durante a fuga para os Estados Unidos pertence a uma empresa com laços com o presidente argentino, Javier Milei, e que é alvo de investigação da Justiça Federal de Buenos Aires. A companhoa aérea Baires Fly, dona da aeronava, é acusada de lavar milhões em recursos públicos desviados por aliados do governo argentino, conectando a saída do senador a um dos maiores escândalos de corrupção da atual gestão. As informações são do jornal O Globo. 

Veja mais

Carlos visita Jair Bolsonaro: ‘Desculpa, pai. A gente falhou' Segundo ele, o ex-presidente está "tentando assimilar" tudo o que está acontecendo: "é impressionante a força que ele tem"

'Família criminosa': Democratas criticam apoio de Trump a fuga de Flávio Parlamentares americanos compararam o tratamento dispensado ao político brasileiro com a política migratória dos Estados Unidos

Segundo o canal argentino C5N, um assessor político de Milei esteve no aeroporto em Puerto Iguazú no momento em que Flávio chegou ao local, acompanhado da esposa e das filhas. Não há registro de conversas entre eles. A TV argentina registrou que o senador cruzou a fronteira em uma van na noite da última terça-feira, depois de passar a noite em uma fazenda em Foz do Iguaçu.

A Baires Fly, de propriedade do empresário Luis Grande, ganhou destaque após as eleições argentinas de 2023. O presidente Javier Milei utilizou um jato da companhia para sua primeira viagem internacional aos Estados Unidos. O voo privado foi financiado pelo empresário Gerardo Werthein, que posteriormente foi nomeado embaixador da Argentina em Washington. A proximidade da Baires Fly com o poder logo se transformou em caso de polícia e passou a repercutir na Argentina.

Atualmente, a empresa é peça central de um escândalo de corrupção investigado na Agência Nacional de Deficiência (ANDIS), órgão entregue por Milei ao comando de Diego Spagnuolo, seu ex-advogado pessoal e aliado, que é investigado como o chefe de um esquema de desvio de verbas públicas por meio de licitações irregulares na área da saúde.

De acordo com a Justiça Federal argentina, a ocultação do dinheiro desviado contava com a participação ativa de Sergio Mastropietro, um operador e intermediário comercial intimamente ligado à companhia aérea. Ele é apontado como o principal articulador da lavagem de dinheiro dentro da companhia.

O esquema envolvia fornecedores do Estado, que ganhavam contratos superfaturados com a ANDIS e transferiam propinas milionárias para as contas da Baires Fly. Os repasses eram justificados como pagamentos por voos fretados que, na realidade, nunca ocorreram. Em um único dia, empresas de insumos médicos chegaram a transferir mais de 95 milhões de pesos à companhia.

Devido à gravidade das provas financeiras, a Justiça argentina determinou o bloqueio de bens dos executivos envolvidos, incluindo Mastropietro. Também foi ordenado o confisco de aeronaves da Baires Fly para garantir o pagamento de multas no decorrer do processo.