O senador Flávio Bolsonaro (PL) falou pela primeira vez sobre os detalhes de sua saída do Brasil rumo aos Estados Unidos. Em uma transmissão ao vivo de aproximadamente 20 minutos no Instagram, realizada nesta sexta-feira (30), ele relatou como tomou a decisão de viajar, contou detalhes da última visita ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e afirmou que pretende continuar exercendo sua liderança política mesmo fora do país.
Durante a live, Flávio disse que não sabia que a visita realizada na segunda-feira (26), pela manhã, seria a última oportunidade de conversar pessoalmente com o pai. Segundo o senador, ele tinha autorização para permanecer por 30 minutos na residência onde Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar.
“Todos sabem que meu pai está em uma prisão domiciliar e, na segunda-feira, após as eleições, eu voltei a ter autorização para visitá-lo por 30 minutos. Foi na parte da manhã, por volta das 10h, fui visitar meu pai pela última vez. Eu não sabia que seria a última vez”, afirmou.
Flávio contou que os dois conversavam sobre os próximos passos e assuntos cotidianos quando foi avisado de que o período de visita havia terminado. Na ocasião, segundo ele, também havia agentes da Polícia Federal na entrada da residência.
“Ao passar dos 30 minutos, uma pessoa bate na porta que vem avisar que o horário da visita acabou e eu precisava sair: 'Flávio, o horário da visita acabou, mas tem um pessoal da Polícia Federal aqui na porta da casa do seu pai'. Então eu olhei pra cara dele e disse: 'Pai, começou a perseguição'”, relatou.
Flávio Bolsonaro conta como foi intimado
O senador afirmou que, ao deixar a residência, encontrou policiais na parte externa e foi intimado na calçada. De acordo com o relato, a medida estava relacionada a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinava a proibição de deixar o país e a entrega dos passaportes comum, diplomático e italiano.
Flávio disse que começou a ler o documento e percebeu que não poderia viajar para o exterior. Em seguida, descreveu a reação do pai e uma conversa reservada entre os dois, após Jair Bolsonaro pedir que os delegados se afastassem.
“Quando estava saindo ali, eu tomei ciência, comecei a ler o que que era o papel e era lá a apreensão dos meus passaportes e a vedação de eu sair do Brasil. E aí olhei para a cara do meu pai, que estava com obviamente os olhos marejados”, contou.
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Segundo o senador, o ex-presidente teria perguntado se ele já sabia onde a situação poderia chegar. Flávio afirmou que respondeu que sim e que estava preparado para enfrentar o cenário.
“Ele foi me olhou, me olhou com os olhos cheios de lágrimas, falou: 'Já sabe onde é que eles querem chegar com isso, né'? Eu falei: 'Pai, já sei'. É, acho que Deus tá no comando de tudo, tô preparado, vou enfrentar, agora eu sei o que eu tenho que fazer”, relatou.
Senador diz que decidiu viajar após conversar com a família
Flávio afirmou que, depois de deixar a casa do pai, conversou com a esposa, Fernanda Bolsonaro, e decidiu viajar com o apoio da família. O senador disse que a escolha não foi fácil, mas avaliou que poderia ter mais liberdade para se manifestar politicamente estando nos Estados Unidos.
“Foi dessa forma que eu tomei a decisão junto com a minha família. Não foi fácil. Sair do seu país para continuar, pelo menos, tendo uma voz ativa, né? Isso foi o que passou pela minha cabeça”, declarou.
Ele também negou que outras pessoas tenham participado da decisão ou organizado sua saída. Segundo o senador, a escolha foi feita em conjunto com a esposa e mantida em sigilo para evitar que o plano fosse frustrado.
Flávio deixou o Brasil entre a noite de 27 de outubro e a madrugada de 28 de outubro de 2026, com destino a Miami, nos Estados Unidos. Na transmissão, ele justificou a viagem como uma forma de continuar atuando politicamente e afirmou: “Eu não saí do Brasil. Eu saí pelo Brasil”.
Flávio Bolsonaro questiona eleições e fala em atuação no Senado
Durante a transmissão, o senador também questionou o resultado das eleições e afirmou que, na avaliação dele, houve irregularidades no processo eleitoral. Flávio não apresentou, durante a live, provas que sustentassem as acusações.
“Muitos de vocês que estão me assistindo aqui agora se colocam no meu lugar e talvez tivessem tomado a mesma iniciativa. Muitas coisas estão sem explicação nessas eleições, matematicamente impossíveis de terem ocorrido no mundo real, sem que houvesse, como eu falei, algum gol de mão”, declarou.
O parlamentar também afirmou que pretende concentrar a atuação política no Congresso Nacional, especialmente no Senado Federal. Durante a live, anunciou que pretende apoiar o senador Rogério Marinho (PL) para a presidência da Casa e pediu que seus apoiadores cobrem votos dos parlamentares.
“A nossa trincheira neste momento será o Congresso Nacional, em especial o Senado Federal. E a pessoa que eu vou indicar é o Rogério Marinho para a presidência do Senado Federal. Vamos cobrar dos senadores que vocês votaram para que votem em Rogério Marinho para a presidência do Senado”, afirmou.
Flávio também disse que pretende manter contato com apoiadores pelas redes sociais e continuar participando das articulações políticas. Segundo ele, a distância do Brasil permitiria falar sobre assuntos que, em sua avaliação, poderiam gerar mais perseguição caso permanecesse no país.
Senador não descarta disputar novamente a Presidência
Ao longo da transmissão, Flávio agradeceu aos eleitores que votaram nele e afirmou que os quase 60 milhões de votos recebidos representam uma motivação para continuar na política. Ele também não descartou disputar novamente a Presidência da República, inclusive antes de 2030.
“Qualquer coisa que aconteça, eu vou estar aqui pronto, inclusive se for preciso para disputar a Presidência da República de novo. Esses quase 60 milhões de votos que vocês me deram, para mim significa demais”, declarou.
O senador encerrou a live pedindo que os apoiadores permaneçam mobilizados e que deputados e senadores continuem atuando no Congresso. Ele também afirmou que pretende reorganizar a vida nos Estados Unidos, próximo da família, e manter a participação no debate político brasileiro.
