Deputado sem máscara gera bate-boca na Alepa

Dra. Heloísa e Carlos Bordalo criticaram Toni Cunha, que se diz curado da covid-19

Keila Ferreira

O não uso de máscara por alguns parlamentares e a suspeita de que um dos deputados presentes em plenário está com covid-19 provocou bate-boca na Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), na manhã desta terça-feira (15). Durante os trabalhos, deputados se incomodaram com os colegas de parlamento que deixaram de lado o acessório de proteção facial, um dos itens recomendados pelos órgãos de saúde como forma de prevenção ao novo coronavírus.

Presidindo a sessão, Dra. Heloísa (DEM), que é médica, lembrou que o uso de máscara ainda é obrigatório por decreto governamental e pediu que os deputados dessem exemplo à população. Ela também solicitou à equipe de saúde da casa que entrasse em plenário e entregasse a máscara para aqueles que estivessem sem o acessório.

As reclamações continuaram e, logo depois, o deputado Bordalo (PT) argumentou que Toni Cunha (PTB) entrou com pedido de licença, até esta quarta (16), porque estaria com covid-19. Cunha estava em plenário e chegou a andar sem máscara.

A pedido de Bordalo, Dra. Heloísa leu o requerimento apresentado pelo deputado do PTB, onde ele solicita licença nas sessões dias 8, 9, 15 e 16 de setembro, “por motivo de saúde”. Mas, ao se defender, o parlamentar negou que estivesse com o coronavírus. “Eu acho que nós temos que acabar com essa palhaçada de tentar tumultuar a sessão por alguma razão subliminar, argumentando covid-19. Eu não teria irresponsabilidade de vir ao plenário com covid, tanto que faltei semana passada por isso. Não vai ser o senhor ou qualquer outro parlamentar que vai dizer se eu cumpri ou não o período de quarentena. Vou continuar no recinto e quero me pronunciar, porque tem coisas mais importantes”, declarou.

Os dois continuaram discutindo em plenário. “Sai do plenário, tá com medo, sai do plenário”, chegou a responder Toni a Bordalo. O deputado petista, por sua vez, ressaltou os riscos da doença. “Eu não estou fazendo nenhum tipo de manobra para impedir o deputado de se pronunciar. Eu estou tomando cuidado, mas eu acho que o deputado quando apresenta um requerimento, causa insegurança, poderia mostrar um teste, que a gente fica tranquilo”.

Defesa

Procurado por O Liberal, Toni Cunha confirmou que teve covid e que entrou com requerimento em razão da doença. “Mas já se passaram 15 dias, que é o prazo maior que as autoridades recomendam (para isolamento)”. Ele firma que fez um novo teste e não está mais com coronavírus. “Eu jamais iria se ainda estivesse com covid”, disse o parlamentar, que ficou de enviar o resultado. Sobre o tempo do pedido de licença, Toni afirma que pediu até o dia 16 de setembro por precaução, para poder se ausentar dos trabalhos, caso ainda estivesse com sintomas. 

Para o deputado, os argumentos contra ele podem ter sido motivados pela matéria em pauta. “A gente suspeita de que isso seja algum receio para alguns trabalhos que a gente ia desenvolver hoje, acho que eles queriam paralisar a sessão”, declarou. Um dos projetos que estava na pauta suspende o prazo de validade dos concursos públicos até o final de 2021 e o parlamentar informou que iria debater esse assunto.

Quanto ao uso de máscara, ele argumenta que tem que manter, mas “eventualmente, alguém bebe água, café, e não tem como”. E ainda completou: “É obrigado usar máscara e acho que é prudente, razoável”.

A sessão da Alepa terminou por falta de quórum.

Política
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