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Petróleo na Amazônia

Audiência pública debate exploração na Margem Equatorial

Discussão foi motivada por negativa a licença para exploração de petróleo na foz do rio Amazonas

Fabrício Queiroz

31 de maio de 2023 às 13:21

Câmara dos Deputados recebeu especialistas que expuseram dados sobre a exploração de petróleo na região costeira

Câmara dos Deputados recebeu especialistas que expuseram dados sobre a exploração de petróleo na região costeira ( Foto: Vinícius Loures / Câmara dos Deputados )

A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, presidida pelo deputado paraense José Priante (MDB), realizou nesta quarta-feira (31) uma audiência pública para discutir a intenção de explorar petróleo e gás na Margem Equatorial. O presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama), Rodrigo Agostinho, e representantes do Ministério de Minas e Energia e Meio Ambiente (MME), da Petrobras, além de pesquisadores e outros especialistas da área.

O requerimento para o debate partiu do deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) e ocorreu após o indeferimento do Ibama para a solicitação de realização de Avaliação Pré-Operacional (APO) no bloco FZA-M-59, localizado na foz do rio Amazonas, no estado do Amapá. A exploração na região é uma das principais apostas da Petrobras para garantir a segurança e soberania energética do país.

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“A Petrobras já perfurou mais de 3 mil poços em água profundas no Brasil ao longo de sua história e nunca houve um acidente de vazamento de óleo de grande porte como os que foram modelados em volumes de pior caso. A empresa atua com as melhores práticas, procedimentos e sistemas de segurança operacional”, ressaltou a gerente de licenciamento da companhia, Daniele Puelker, que chamou atenção ainda para a distância das operações da costa do Estado do Amapá e que outros estudos socioambientais seriam realizados nas próximas fases do processo de licenciamento.

Já o coordenador geral de programas e projetos do MME, Carlos Agenor Cabral, expôs dados que demonstram a importância dessa região para os planos do setor em virtude da concentração de petróleo nos estados do Sudeste, em especial o Rio de Janeiro; o declínio na produção desde meados de 2011 por questões econômicas e dificuldades no licenciamento e os sinais de esgotamento exploratório no pré-sal a partir da próxima década.

Carlos Agenor Cabral, do MME, defendeu pesquisas para conhecer as reservas de petróleo na Margem Equatorial
Carlos Agenor Cabral, do MME, defendeu pesquisas para conhecer as reservas de petróleo na Margem Equatorial (Vinícius Loures / Câmara dos Deputados)

Para Cabral, as descobertas de poços exploráveis comercialmente na Guiana e no Suriname, indica o potencial da Margem Equatorial para atender às demandas nacionais, bem como atrair investimentos e impactar na geração de emprego e renda nos estados da região. “O nosso arcabouço de segurança operacional e meio ambiente para perfuração é muito rígido igual ao nosso licenciamento ambiental. Vocês podem ter certeza que o licenciamento que for dado no Ibama, vai ter o mesmo rigor da ANP (Agência Nacional de Petróleo) para fiscalização das atividades”, acrescentou o coordenador do MME.

O secretário de estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará, Mauro Ó de Almeida, também participou da audiência e destacou a demanda dos estados amazônicos que apoiam o empreendimento. Segundo o titular da Semas, a viabilização do projeto na Margem Equatorial seria importante para garantir o financiamento das políticas de transição energética até 2050.

Além disso, Almeida pontuou que há restrições financeiras, jurídicas e burocráticas no repasse de recursos para que Estados e Municípios atuem, por exemplo, no combate ao desmatamento. Com isso, os royalties oriundos das atividades petrolíferas poderiam contribuir para manter e ampliar as ações realizadas localmente nessa área.

“Nós temos que discutir o legado que isso pode dar para a transição energética que nós pretendemos e para a resolução dos problemas sociais”, declarou o secretário, que apresentou na sessão a manchete do jornal O Liberal da última terça-feira (30), em que o governador Helder Barbalho defendeu o diálogo entre o Ibama, a Petrobras e os estados para resolução do conflito em torno do projeto.

Em sua fala, o presidente do Ibama justificou que a negativa à realização do simulado se baseou em critérios técnicos e na legislação vigente, que embasaram a identificação de alguns problemas no projeto. Entre eles estariam lacunas nos planos de emergência individual, de comunicação e de atendimento à fauna, a proximidade do poço com a fronteira da Guiana Francesa e a distância da área em relação ao principal ponto de apoio à fauna, que foi construído em Belém.

“A gente não tem duvida da capacidade técnica da Petrobras, mas são esses os pontos que deixaram clara a necessidade que os estudos fossem aperfeiçoados”, disse Agostinho, que ressaltou que o indeferimento da autorização não é indicativa de qualquer conflito com a petrolífera, que somente neste ano já recebeu 23 licenças do órgão.

Sobre o pedido de reconsideração enviado pela Petrobras na última semana, que inclui a ampliação da base de estabilização de fauna no município de Oiapoque, entre outras medidas, Rodrigo Agostinho disse que o recurso está análise. “Nós precisamos que a viabilidade ambiental seja demonstrada”, frisou.