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ELEIÇÕES 2026

Advogada de Flávio diz que só apresentará dados de sigilo após análise de dados de Lula

Desafio sobre a quebra dos sigilos telefônico, bancário e fiscal dos dois candidatos à Presidência foi lançado por Lula durante debate promovido pela Band no último domingo, 18

Estadão Conteúdo

22 de outubro de 2026 às 12:18

Flávio Bolsonaro em Belém

Flávio Bolsonaro em Belém ( Foto: Wagner Santana / O Liberal )

A advogada Maria Claudia Bucchianeri, que lidera a equipe jurídica do senador Flávio Bolsonaro (PL), disse nesta quinta-feira, 22, que a campanha do senador só pretende apresentar os dados telefônico, fiscais e bancários do seu candidato após uma análise das informações prestadas pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na prática, essa decisão levanta dúvidas quanto à viabilidade de prestação de contas de Flávio Bolsonaro antes da eleição neste domingo, 25.

O desafio sobre a quebra dos sigilos telefônico, bancário e fiscal dos dois candidatos à Presidência foi lançado por Lula durante debate promovido pela Band no último domingo, 18. Flávio, na oportunidade, se esquivou e evitou se comprometer com a quebra de sigilos.

Bucchianeri afirmou, em entrevista a jornalistas nesta quinta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que "o desafio sobre a quebra de sigilo foi lançado e foi aceito". Disse que a campanha de Flávio exigiu que os dados de Lula não se limitassem a oito anos, como definido inicialmente pelos petistas, mas desde 2003, quando ele assumiu a Presidência pela primeira vez.

Segundo ela, é preciso saber também informações quanto aos cartões corporativos, as visitas aos palácios presidenciais e dados públicos desses últimos anos de mandato.

"A gente precisa verdadeiramente de uma transparência real. Oferecer um telefone que nunca é usado é não oferecer nada. Queremos o telefone que era usado, o telefone do Marcola Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula", disse a advogada, que é ex-ministra do TSE.

"Nós topamos a pedida deles. Absolutamente tudo que foi pedido pela campanha de Lula será apresentado", completou.

Bucchianeri, porém, indiciou que qualquer apresentação de dados de Flávio só acontecerá após verificação dos dados de Lula. Isso pode inviabilizar a transparência com tempo hábil até o segundo turno da eleição.

"Se ele Lula verdadeiramente trouxe os documentos que a gente pediu, como ele disse que faria, nós reafirmamos aqui o que é público, que vamos trazer. E será bastante rápido. Nós temos tudo já", respondeu ao ser questionada se a campanha de Flávio já apresentaria as informações neste momento.

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Bucchianeri falou com a imprensa ao deixar o TSE. Estava ao lado do senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR). Deltan disse que foi escalado pela campanha de Flávio Bolsonaro para auditar a documentação da quebra dos sigilos entregues por Lula ao TSE.

Ele alegou que Lula "é especialista em ocultar patrimônio" e também falou em "resgatar a história" na análise da documentação.

"Da última vez que eu analisei os sigilos de Lula, ele foi parar na cadeia (....) Lula foi desafiado e concordou em entregar uma série de documentos que englobam documentos fiscais e bancários seus e de parentes seus, que englobam documentos fiscais e bancários de empresas relacionadas a ele, relacionadas a filhos e a filhas dos parentes, que já foram objeto de acusações da Lava Jato", declarou Dallagnol.

A equipe da campanha de Lula chegou ao TSE por volta das 11h para apresentar documentos sobre a quebra de sigilo dele, da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, e seus filhos.