Músico e médico Alcyr Guimarães é acusado de envenenar a esposa Ciane Mackert, morta em 2015

Relatório de inquérito concluído pela Polícia Civil aponta o artista como principal suspeito; caso segue sob sigilo

Um inquérito policial aberto em 2018 pela Polícia Civil concluiu que o médico, músico e compositor paraense Alcyr Guimarães teria matado sua ex-companheira envenenada. É o que diz um documento da Polícia Civil datado de 7 de outubro de 2019, que passou a circular nas redes sociais nesta quinta-feira (6).

O relatório, ligado à Divisão de Homicídios da Diretoria de Polícia Especializada da Polícia Civil, faz parte do inquérito que apura a morte da médica Ciane Cristina de Oliveira Mackert, com 40 anos na época, ocorrida na residência do casal, na travessa Curuzu, em 28 de março de 2015. Diligências do inquérito já haviam comprovado que a morte de Ciane Mackert não foi natural.

O marido Alcir Guimarães Siqueira, o nome de registro do músico, foi investigado, de acordo com o documento da polícia, por contradições em depoimentos dados às autoridades. Conforme o delegado Eduardo Rollo, da Divisão de Homicídios, o caso segue sob sigilo, e por isso, não poderia fornecer detalhes. Contudo, o delegado confirmou que Alcyr foi, sim, indiciado com a conclusão do inquérito, que segue em apreciação no Judiciário.

Família de médica espera por justiça

Em contato com o advogado Paulo Tamer Jr, assistente de acusação e advogado da família de Ciane Cristina de Oliveira Mackert, a reportagem apurou que as desconfianças sobre a causa da morte da médica surgiram logo após a remoção do corpo.

Segundo o advogado, Alcyr teria sido fortemente contrário à análise do corpo no Instituto Médico Legal (IML). Após quatro anos de investigações, uma denúncia robusta foi construída no inquérito, argumenta o advogado. O inqúerito foi enviado ao Judiciário Paraense, que ainda não se manifestou.

Inquérito detalha motivações

A redação integrada de O Liberal teve acesso ao arquivo em PDF, um documento de 32 páginas, que cita, à época da morte de Ciane, que o laudo de óbito foi feito por uma médica pediatra que apontou um infarto como causa da morte. No entanto, ressalta o relatório da polícia, o cadáver não foi encaminhado à necrópsia no Instituto Médico Legal (IML).

O inquérito foi presidido inicialmente pela delegada Ione Maria Coelho Pereira, antes de passar, em outubro de 2018, ao delegado Glauco Valentim Carvalho do Nascimento, após o falecimento da delegada. 

Somente após um pedido da delegada e deferimento de uma juíza, o corpo foi exumado e o material coletado foi analisado em São Paulo. Essa medida foi tomada pois, segundo o advogado da família de Ciane, Paulo Tamer Jr, Alcyr disse "ter influência" local, e, por isso, consideraram melhor tranferir a análise para um outro estado. Lá, o laboratório detectou a presença de um composto chamado carbofuran, altamente tóxico.

Sobre o indiciamento, o documento assinala vários outros crimes que também teriam sido cometidos por Alcir Guimarães:

Após analisar todos os depoimentos e provas materiais, concuiu-se que Alcir agiu de caso pensado. Tinha um grande trunfo nas mãos, a morte de Wanderley em Curitiba, esposo de Ciane. Verifica-se que antes de sua morte, Ciane o colocou como usufrutuário do imóvel onde residiam. Obrigou-a a passar seu carro da marca Corolla para o nome dele. Ele a obrigava as piores coisas, como aceitar que seus filhos tomassem banho com ele. Já eram ameaças praticadas por ele. Após o óbito, Alcir tentou adquirir a guarda dos filhos de Ciane para administrar o patrimônio deixado pelo pai deles. Também por um período recebeu os aluguéis que vinham de Curitiba, os quais eram de propriedade dos menores. Furtou numerários das contas de poupança das crianças e depois das contas de Ciane. Culpou um dos filhos da morte da mãe, causando-lhe intenso sofrimento, com fins de manipulá-lo a dizer coisas em seu favor.

O texto do relatório final do inquérito policial conclui: "Diante do contexto, entende-se que Alcir praticou crime de homicídio qualificado pelo emprego de veneno, tipificado pelo artigo 121 (motivo torpe, emprego de veneno, e dificultou a defesa da vítima), do Código Penal Brasileiro.        

Defesa diz que inquérito está "repleto de falhas graves"

Alcir Guimarães está internado em estado grave desde o início de janeiro, no Hospital Guadalupe, após sofrer um infarto, seguido de infecção pulmonar e comprometimento de seu caso por diabetes mellitus.

Em nota, a defesa de Alcyr Guimarães reforçou que o atestado de óbito afirmou que Ciane morreu em decorrência de um "infarto agudo do miocárdio, aterosclose da artéria coronaria e diabetes mellitus", e nega veementemente a hipótese de envenamento.

Polícia
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