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PRISÃO

Delegada do Pará é presa suspeita de receber R$ 50 mil do PCC

A delegada foi detida em Brasília; investigação aponta suspeita de repasse de informações sigilosas e proteção institucional à facção

O Liberal

15 de outubro de 2026 às 09:46

Modificado em 15 de outubro de 2026 às 10:11

A delegada Maria Virgínia Grimwood Pinto, da Polícia Civil do Pará, foi presa nesta quinta-feira; ela é suspeita de receber R$ 50 mil para fornecer informações sigilosas e proteção institucional a integrantes do PCC

A delegada Maria Virgínia Grimwood Pinto, da Polícia Civil do Pará, foi presa nesta quinta-feira; ela é suspeita de receber R$ 50 mil para fornecer informações sigilosas e proteção institucional a integrantes do PCC ( Foto: Foto: Reprodução | Portal Metrópoles )

A delegada Maria Virgínia Grimwood Pinto, da Polícia Civil do Pará, e Renato Henrique do Carmo, conhecido como "Gordão" e apontado como liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC), foram presos nesta quinta-feira (15. A delegada é suspeita de receber R$ 50 mil para fornecer informações sigilosas e proteção institucional a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ela foi presa em Brasília.

O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), informou que acompanhou, na manhã desta quinta-feira (15), o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão relacionados à investigação que apura a suspeita de envolvimento de uma delegada da Polícia Civil do Pará com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com a investigação, Maria Virgínia é suspeita de receber vantagens financeiras indevidas para fornecer informações sigilosas e oferecer proteção institucional a integrantes do PCC. A apuração aponta possível ligação da delegada com Renato Henrique do Carmo, conhecido como “Gordão”, apontado como uma das lideranças da organização criminosa na região de Muro Alto, em Ipojuca (PE), preso em janeiro de 2025, durante a Operação Sinalagma.

A delegada foi presa em um hotel localizado no Setor Hoteleiro Norte, em Brasília (DF), enquanto Renato Henrique foi preso em um resort de luxo em Porto de Galinhas (PE), informou o portal Metrópoles. A suspeita surgiu durante a Operação Sinalagma, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco, que investiga um esquema interestadual de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio que movimentou mais de R$ 14 milhões.

A investigação policial apontou que a delegada mantém um relacionamento amoroso com Renato Henrique do Carmo, apontado como líder na região de Muro Alto, em Ipojuca (PE). O suspeito já havia sido preso em janeiro de 2025 durante a Operação Sinalagma e foi solto.

Após a prisão de Renato, o celular dele foi apreendido e os policiais obtiveram autorização judicial para extrair os dados do aparelho. A análise das conversas permitiu identificar outros possíveis integrantes e colaboradores da organização criminosa, além de levantar suspeitas sobre a relação entre o investigado e a delegada. Segundo a apuração, Maria Virgínia teria recebido vantagens financeiras indevidas em troca de proteção institucional, fornecimento de informações sigilosas e acesso a sistemas restritos de segurança pública.

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A Polícia Civil de Pernambuco desencadeou, na manhã desta quinta-feira (15), a “Operação de Repressão Qualificada Sinalagma"
A Polícia Civil de Pernambuco desencadeou, na manhã desta quinta-feira (15), a “Operação de Repressão Qualificada Sinalagma" (Foto Divulgação | Ascom PCPE)

Movimentação financeira

Além das suspeitas de envolvimento de agentes públicos, a Operação Sinalagma identificou indícios de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. De acordo com as investigações, os suspeitos teriam utilizado documentos falsos, empresas formalmente constituídas e contas bancárias de terceiros para movimentar recursos e esconder a origem do dinheiro.

A análise financeira também identificou operações bancárias incompatíveis com a capacidade econômica declarada dos investigados. Para rastrear os recursos, os policiais analisaram dados telemáticos, informações de inteligência e Relatórios de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Os fatos relacionados à delegada podem configurar, em tese, crimes como corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional e colaboração com organização criminosa.

O nome da operação faz referência ao conceito jurídico de reciprocidade de obrigações e simboliza a suposta troca de vantagens ilícitas entre integrantes da organização criminosa e agentes públicos, com pagamentos em contrapartida ao fornecimento de informações sigilosas e à proteção das atividades ilegais.

O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), acompanhou, na manhã desta quinta-feira (15), o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão relacionados à investigação que apura a suspeita de envolvimento de uma delegada da Polícia Civil do Pará com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com a investigação, Maria Virgínia é suspeita de receber vantagens financeiras indevidas para fornecer informações sigilosas e oferecer proteção institucional a integrantes do PCC. A apuração aponta possível ligação da delegada com Renato Henrique do Carmo, conhecido como “Gordão”, apontado como uma das lideranças da organização criminosa na região de Muro Alto, em Ipojuca (PE), preso em janeiro de 2025, durante a Operação Sinalagma.

Nota da Polícia Civil de Pernambuco

A Polícia Civil de Pernambuco, com o apoio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento do Narcotráfico (RENARC), coordenada pela Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (DIOPI), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), desencadeou, na manhã desta quinta-feira (15), a “Operação de Repressão Qualificada Sinalagma" (a 85ª do ano), sob a presidência dos delegados de polícia Ney Rodrigues e Flávio Vieira, respectivamente, titular  e adjunto da 1ª  Delegacia de Repressão ao Narcotráfico (1ª DPRN), unidade integrante do Departamento de Repressão ao Narcotráfico (DENARC), vinculado à Diretoria Integrada Especializada (DIRESP/PCPE). 

Ainda segundo a Assessoria de Comunicação da Polícia Civil de Pernambuco, as investigações foram iniciadas em janeiro de 2025, com o objetivo de identificar e desarticular uma organização criminosa voltada à prática dos crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e ativa, violação de sigilo funcional e falsidade ideológica. A Operação teve origem em ações de inteligência voltadas à identificação de lideranças de organizações criminosas com atuação no Estado, o que resultou na prisão de um suspeito apontado como integrante da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC), fato ocorrido em janeiro de 2025 na cidade de Ipojuca (PE). A partir das diligências, foram identificados indícios da atuação de uma organização criminosa interestadual envolvida com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio, além de possíveis práticas de corrupção de agentes públicos. 

Nesta quinta-feira, estão sendo cumpridos, portanto, 3 (três) mandados de prisão, 11 (onze) mandados de busca e apreensão domiciliar e ordens judiciais de sequestro de bens e bloqueio de ativos financeiros, todos expedidos pelo Juízo da Vara Criminal da Comarca de Ipojuca-PE. As investigações foram assessoradas pela Diretoria de Inteligência da Polícia Civil de Pernambuco (DINTEL/PCPE), contando ainda com o apoio operacional do Comando de Operações e Recursos Especiais (CORE/PCPE), dos Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público de Pernambuco e do Pará (GAECO/MPPE/MPPA), do Grupamento Tático Aéreo (GTA/SDS-PE), das Polícias Civis dos Estados do Pará (PCPA) e de São Paulo (PCSP) e da Força Integrada de Combate ao crime Organizado no Distrito Federal (FICCO/DF). 

O apoio institucional e logístico da DIOPI/SENASP/MJSP contribuiu para a atuação integrada das Polícias Civis de Pernambuco, Pará e São Paulo, fortalecendo a cooperação interestadual no enfrentamento ao tráfico de drogas, à lavagem de dinheiro e às organizações criminosas. Os detalhes da referida operação serão divulgados pela Assessoria de Comunicação da Polícia Civil em momento oportuno.