O corpo de Dayse Diniz de Seixas, de 25 anos, foi encontrado nesta quarta-feira (29/7) em um ramal que fica próximo de uma chácara na região do Eixo Forte, em Santarém, oeste do Pará. Ela desapareceu na última sexta (24/7), no mesmo município. De acordo com a Polícia Civil, o principal suspeito de cometer o crime, João Pedro Pereira dos Santos, que já estava preso, confessou o crime apenas nesta manhã.
Ainda conforme a PC, João — que possui condenação por um homicídio em Uruará e estava na condição de foragido — confessou o crime. Ele também é suspeito de participação em um assalto na cidade. O preso segue à disposição da Justiça.
Conforme o portal O Impacto, João, durante depoimento, confessou a autoria do crime e onde estava o corpo. Durante as buscas, o cadáver da jovem foi localizado em uma área de mata, já em avançado estado de decomposição. As circunstâncias da morte ainda serão esclarecidas pela investigação.
Em nota, a Polícia Civil disse que a vítima foi localizada nesta quarta-feira (29). "Perícias foram solicitadas e as investigações seguem através da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Santarém para completa elucidação dos fatos. Um suspeito foi encaminhado à Deam e os procedimentos cabíveis estão em andamento", comunicou. Já a Polícia Científica do Pará informou, também por meio de nota, que o corpo de Dayse será periciado e liberado para a família, posteriormente.
Suspeito já estava preso
Em conversa com a imprensa da região, Márcia Rabelo, titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Santarém, explicou que o suspeito tinha sido preso em flagrante na última sexta-feira (24/7) por envolvimento em um assalto. Entretanto, conforme ela, a confissão de João Pedro na morte de Dayse só veio nesta quarta (29/7). “Por ser uma pessoa que já cumpriu pena em presídio, ele conseguiu, infelizmente, guardar a informação por mais tempo do que nós queríamos. Já poderia ter acabado essa situação e cessado o desespero dessa mãe”, contou ela ao perfil Encontro das Águas Notícias.
“Desde sexta-feira, o NAI já ouviu mais de 15 pessoas. Cada informação dada por familiar, essa pessoa era chamada (para prestar depoimento). Nós acreditamos, assim como ele confessou, que somente ele (participou do crime) e que ele estava bêbado e que costuma ficar violento”, continuou.
A delegada informou que as apurações da Polícia Civil contaram com a ajuda do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, além do apoio da população e da imprensa na divulgação das informações. “Foi um serviço de inteligência, com o apoio da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, população e imprensa”, destacou.
Ela ressaltou ainda que o trabalho feito pela polícia neste mês no combate à violência contra mulher em Santarém. “(...) Dos três supostos feminicídios que foram apurados pela Polícia Civil nesses 15 dias, um menor foi apreendido e os dois maiores (de idade) foram presos”, disse Márcia.
Última imagens
Imagens de câmeras de segurança obtidas pela família registraram os últimos momentos em que a jovem foi vista, antes de sumir. As primeiras gravações mostram Dayse na saída de um bar localizado no bairro Nova República. Nas imagens, ela aparece usando um vestido longo, de cor clara — aparentemente branco ou amarelo — enquanto conversa com alguns homens na porta do estabelecimento. O registro, no entanto, não permite identificar se ela deixou o local na companhia dessas pessoas ou se seguiu outro destino.
Em outro trecho das imagens, a jovem já aparece na garupa de uma motocicleta, acompanhada por um homem. É possível perceber que o vestido está um pouco levantado na altura das pernas, dando a entender que ela poderia estar ferida na altura do joelho.
Homicídio em Uruará
Em 2019, João Pedro foi apontado pela polícia por suspeita de assassinar a facadas uma mulher identificada como Naiara Lima dos Santos. Conforme as autoridades, no dia 5 de novembro daquele ano, a vítima chegou sozinha na inauguração de um bar, onde já estava João e a companheira dele. Ele deixou o local, junto com a namorada, para ir dormir em casa.
Porém, por volta de 00h de 6 de novembro, os policiais constataram que ele havia se encontrado com Naiara para matá-la. A companheira do suspeito relatou à Polícia Civil que, na época, viu João retornar ao imóvel com o braço direito sujo de sangue. Ela então perguntou ao suspeito o que havia acontecido.
Ainda segundo os autos do processo criminal, João confessou ter matado Naiara a facadas e que, por ela estar lhe devendo R$ 50 e ser “cagueta”, merecia morrer. Ele foi preso dois dias após o crime, no dia 7 de novembro de 2019.
Em 11 de maio de 2023, ele foi julgado pela morte de Naiara e condenado a 16 anos e seis meses de reclusão pelo crime de homicídio qualificado por motivo fútil, sem o direito de recorrer da decisão em liberdade. Ainda em 2023, a desembargadora Eva do Amaral Coelho diminuiu a pena para 14 anos, cinco meses e oito dias de reclusão.
