Caso Giovanna: Polícia Civil aguarda laudo do IML para esclarecer a causa da morte
Delegado afirma que documento médico já foi juntado ao inquérito e que análise será confrontada com depoimentos e demais provas
A Polícia Civil já recebeu e juntou ao inquérito o prontuário médico de Giovanna Coelho, de 29 anos, que morreu no dia 8 de agosto após ser submetida a procedimentos cirúrgicos estéticos em um hospital de Belém. O documento deverá ser analisado pelos investigadores junto aos demais elementos reunidos no caso. A informação foi confirmada pelo delegado Diego Pinheiro, responsável pela investigação.
Além do prontuário, a Polícia Civil aguarda o laudo necroscópico elaborado pelo Instituto Médico Legal (IML), que deverá contribuir para a definição da causa da morte da jovem. “Chegou hoje para nós algumas dessas documentações, especificamente o prontuário do Hospital Beneficente Portuguesa. Essa documentação vai ser analisada, ainda estamos aguardando também o laudo necroscópico do IML para determinar a causa mortis”, afirmou o delegado.
Segundo Diego Pinheiro, a investigação ainda está na fase de coleta de depoimentos e documentos. Até o momento, duas pessoas foram ouvidas pela Polícia Civil. “Foram ouvidas duas pessoas. Prontuário médico, a oitiva dessas duas pessoas que foram ouvidas, a materialização com registro de integridade de algumas dessas informações que foram veiculadas na rede social”, declarou.
Médico será novamente intimado
O cirurgião plástico André Melo, que está na condição de investigado, deveria ter prestado depoimento nesta quarta-feira (19), mas não compareceu à unidade policial. Segundo o delegado, também não houve apresentação de justificativa formal para a ausência. “Não houve o comparecimento dele, vai ser certificado o não comparecimento e vai ser expedida uma nova intimação. Não houve também nenhuma explicação, nenhuma justificativa pelo não comparecimento, pelo menos não formal, não consta nos autos nenhuma petição, não foi atravessado nenhum e-mail explicando a justificativa”, afirmou Diego Pinheiro.
O delegado ressaltou, porém, que o fato de o médico não ter comparecido não configura, por si só, crime. Segundo ele, André Melo está formalmente na condição de investigado e possui o direito constitucional de não comparecer ao depoimento. “Ele está formalmente na qualidade de investigado. É um direito constitucional dele não comparecer. Cabe à Polícia Civil, também como presidente do inquérito, tomar as devidas providências cabíveis em caso de não comparecimento”, explicou.
A autoridade policial não revelou quais medidas poderão ser adotadas caso o médico não compareça novamente, alegando que o procedimento está sob sigilo. “São métodos investigativos que aí não cabe realmente agora, nesse momento, antecipar ou expor”, declarou. O delegado confirmou ainda que há previsão para os depoimentos dos dois médicos que estão sendo investigados no caso, mas não informou as datas por causa do sigilo do inquérito.
Irmã presta depoimento por cerca de quatro horas
Nesta quarta-feira, a Polícia Civil também ouviu Ana Caroline Coelho, irmã de Giovanna. Segundo o delegado, ela acompanhou parte do período em que a jovem permaneceu internada e apresentou informações sobre o que teria acontecido durante o atendimento.
O depoimento durou aproximadamente quatro horas. Ana Caroline também entregou o prontuário médico à polícia e apontou situações que, na avaliação dela, deveriam ser analisadas pelos investigadores. “A irmã da vítima acompanhou de perto todo o procedimento. Desde o operatório até o pós-operatório esteve com a irmã no quarto, depois foi substituída pela mãe. Então ela trouxe bastantes informações do dia a dia, do que vinha acontecendo ou o que deixou de acontecer no hospital”, afirmou o delegado.
Diego Pinheiro disse ainda que a irmã apresentou questionamentos relacionados ao conteúdo do prontuário, que serão avaliados pela equipe responsável pela investigação. “Trouxe algumas informações também relativas ao prontuário, em que ela apontou algumas situações do prontuário que vão ser avaliadas, analisadas ainda”, declarou.
Segundo o delegado, a duração do depoimento está relacionada à complexidade do caso e não significa que apenas a irmã da vítima será submetida a uma oitiva extensa. “Por se tratar de um caso realmente complexo — todo caso que envolve morte por erro médico é um caso por natureza complexo — são oitivas que naturalmente vão demorar, não só a dela, mas também das outras pessoas que vierem a ser ouvidas”, explicou.
Polícia avalia ouvir outras pessoas
Após a repercussão do caso, diversas pessoas passaram a publicar relatos nas redes sociais afirmando que teriam enfrentado problemas semelhantes relacionados ao médico investigado. Até o momento, segundo o delegado, nenhuma dessas pessoas procurou formalmente a delegacia, mas a Polícia Civil já está avaliando a possibilidade de ouvi-las. “Não compareceu procurando ainda, mas eu estou avaliando a oitiva dessas pessoas. Creio que sim, é uma hipótese ouvi-las”, afirmou Diego Pinheiro.
A Polícia Civil também já preservou e registrou parte do conteúdo publicado nas redes sociais para garantir a integridade das informações que poderão ser utilizadas na investigação. “Muitas pessoas realmente relataram ter sido vítimas de algum impedimento médico. Como já foi perguntado, essas pessoas podem vir a ser ouvidas, podem. Então isso foi documentado e materializado dentro do processo”, declarou.
Investigação vai reconstruir toda a sequência dos fatos
O delegado afirmou que o objetivo da investigação é reconstruir toda a cronologia envolvendo Giovanna, desde o período anterior à cirurgia até o pós-operatório, reunindo documentos e depoimentos para, posteriormente, avaliar se houve eventual responsabilidade de algum profissional.
“O objetivo nosso aqui da Polícia Civil é documentar a cronologia dos fatos, documentar todo o processo pelo qual a vítima passou, desde o pré-operatório até a própria cirurgia em si, até o pós-operatório, documentar, trazer para os autos todos esses elementos, confrontar os depoimentos com os documentos e aí sim, ao final, tomar alguma conclusão se haverá indiciamento, se houve culpa, se houve nexo causal, alguma omissão, alguma negligência, enfim, por parte de algum profissional que tratou diretamente no acompanhamento da vítima”, afirmou.
Diego Pinheiro reforçou que a repercussão do caso não interfere na metodologia adotada pela Polícia Civil. “A repercussão do fato não muda o mérito investigativo”, destacou.
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