A morte da empresária Giovanna Coelho Gomes, de 29 anos, completou dois meses, nesta quinta-feira (8/10). O episódio aconteceu após apresentar complicações no pós-operatório de procedimentos estéticos realizados em um hospital particular de Belém. A família cobra respostas do Conselho Regional de Medicina do Estado do Pará (CRM-PA) e do Ministério Público (MPPA), já que, até o momento, o caso segue sem um promotor de justiça.
VEJA MAIS
A médica oftalmologista Ana Caroline Coelho, irmã de Giovanna, conta que os parentes estão completamente devastados com o que aconteceu e no aguardo por um retorno, que não chega. “Estamos aguardando quem será o promotor do Ministério Público, que, até o momento, não foi definido. O caso está parado no Ministério Público. O CRM-PA não entrou em contato conosco e nem com os nossos advogados”, conta.
Uma sindicância no Conselho Regional de Medicina é uma investigação preliminar realizada pelo Conselho para apurar denúncias ou fatos que possam configurar infração ao Código de Ética Médica, antes de decidir se abre um processo formal. De acordo com Ana, a sindicância segue aberta e os familiares ainda não foram informados para esclarecer o caso.
“O CRM abre a sua própria sindicância para decidir se vai abrir um processo ético-profissional ou não contra os profissionais envolvidos. Eu espero, de verdade, que o CRM seja imparcial e que, nada mais justo, quem fez alguma coisa, pague por isso”, ressalta. (... ) A vida de todos seguiu, mas a nossa, não”, ressalta.
Após a conclusão das investigações, a Polícia Civil indiciou quatro profissionais da saúde. O inquérito será agora remetido ao Ministério Público do Pará, órgão responsável por analisar o documento e decidir sobre o oferecimento de denúncia à Justiça. O indiciamento é uma etapa investigativa e não condena os profissionais, que terão direito à ampla defesa.
O cirurgião plástico André Melo responderá por homicídio culposo majorado e falsidade ideológica. O anestesista César Collyer e o médico plantonista da madrugada, Marcelo Antony Dantas, foram indiciados por homicídio culposo majorado. Já a plantonista da manhã, Aline Kzam, foi indiciada por homicídio culposo sem a majorante.
Com relação ao Ministério Público, Ana esclarece que ainda não há definido um promotor de justiça. “A primeira promotora pediu para sair, devido ter se denominado suspeita. O segundo promotor pediu para sair também. E tem 15 dias que estamos aguardando quem será o novo promotor. Não tem nada oficial no processo do caso da Giovanna", acrescenta.
Após esses dois meses, os questionamentos da família sobre o que aconteceu com a empresária continuam. O laudo de necropsia apontou como causa da morte um choque circulatório irreversível associado a choque hemorrágico e síndrome compartimental abdominal.
“Por que, após 24 horas de um procedimento cirúrgico, uma jovem de 29 anos, sem doenças, veio a óbito em um hospital particular, em que não teve assistência médica? (...) O laudo da Giovanna aponta que ela teve hemorragia e síndrome compartimental abdominal no ato da cirurgia. Por que os médicos envolvidos seguem como se nada tivesse acontecido, e a gente, não? Nós clamamos por respostas!", finaliza.
A Redação Integrada de O Liberal solicitou um posicionamento do CRM-PA e do MPPA. A reportagem aguarda retorno. O Grupo Liberal também tenta localizar a defesa dos médicos envolvidos no caso. O espaço segue aberto.
