Caso Giovanna: Defesa da família da vítima aponta supostas omissões em prontuário entregue à PC
Advogado Marco Pina afirma que análise inicial do documento revelou informações que considera graves e diz que outro profissional deverá ser ouvido pela Polícia Civil
A defesa da família de Giovanna Coelho, de 29 anos, afirma ter identificado supostas omissões e informações consideradas inconsistentes no prontuário médico da jovem, que morreu no dia 8 de agosto, após ser submetida a procedimentos cirúrgicos estéticos em um hospital de Belém. Segundo o advogado criminalista Marco Pina, que representa a família, a análise inicial do documento também levantou questionamentos sobre a atuação de outros profissionais que participaram do atendimento.
O advogado afirmou que o prontuário, já entregue à Polícia Civil, contém informações que, na avaliação da defesa, precisam ser esclarecidas durante a investigação. Pina também afirmou que um segundo médico teria tido participação relevante no atendimento de Giovanna. “Não obstante o inquérito esteja em segredo de justiça, mas de cara algumas omissões, algumas inverdades ditas no prontuário, muito graves, que revelam realmente que não só o doutor André Melo contribuiu diretamente, como um outro médico, um outro médico que vira à tona também, ele foi decisivo”, afirmou.
Segundo Pina, a defesa considera que a atuação desse outro profissional deverá ser investigada pela Polícia Civil. O advogado fez uma afirmação sobre o possível impacto da conduta desse médico no desfecho do caso. “Porque se esse médico tivesse agido como deveria de agir, a morte da Giovana com toda certeza teria sido evitada”, declarou.
A afirmação é uma avaliação da defesa da família e ainda deverá ser confrontada com os demais elementos da investigação. A Polícia Civil deverá ouvir os profissionais envolvidos no atendimento e analisar os documentos médicos para determinar o que aconteceu no período pós-operatório.
Prontuário pode mudar rumo da investigação
Para Marco Pina, o depoimento prestado pela irmã de Giovanna, a médica Ana Caroline Coelho, e a análise do prontuário devem ter impacto na investigação. O advogado afirma que o depoimento da irmã da vítima apresentou detalhes sobre o período posterior à cirurgia e que o documento médico acrescentou informações que, segundo ele, ainda não eram conhecidas pela família. “Esse depoimento inaugural da entidade policial, da irmã da Giovana, trouxe com riqueza de detalhes o que aconteceu, não só durante a cirurgia, mas principalmente no pós-cirurgia. O prontuário médico que nós recebemos, que já fizemos a devida juntada à autoridade policial, revela detalhes até então desconhecidos”, afirmou.
Pina também defende que não apenas o cirurgião plástico André Melo seja ouvido pela Polícia Civil. Segundo ele, outros profissionais deverão prestar esclarecimentos durante o inquérito. “Não só o médico André Melo, mas também outros profissionais terão que ser de maneira obrigatória chamados nesse inquérito para prestar depoimento, porque algo de muito sério aconteceu, porque realmente é um absurdo o que aconteceu, a falta de assistência, de cuidado e a falta, acima de tudo, de responsabilidade para com a vida da Giovana”, declarou.
Celular de Giovanna é entregue para perícia
Outro elemento que passou a fazer parte da investigação é o celular de Giovanna. De acordo com Marco Pina, o aparelho foi entregue espontaneamente pela família à Polícia Civil para que seja submetido à perícia.
Segundo o advogado, o telefone pode ajudar a reconstruir os contatos feitos pela jovem durante o período pós-operatório, especialmente porque ela mantinha comunicação com uma secretária ligada ao médico responsável pela cirurgia. “Nós apresentamos de maneira espontânea o celular da autoridade policial para que seja feita a devida perícia, já que a Giovana tinha um grupo juntamente com a secretária do doutor André Melo, que era a pessoa que ela tinha contato”, explicou.
Pina afirma ainda que a defesa identificou a ausência de algumas mensagens no aparelho e atribuiu a exclusão à secretária do médico. “Muita coisa de lá vai ser extraída, muito embora essa secretária, não sei por que, ela apagou, ela excluiu várias mensagens”, afirmou.
Médico não comparece a depoimento
O cirurgião plástico André Melo, que havia sido intimado para prestar depoimento nesta quarta-feira (19), não compareceu à Polícia Civil, segundo o advogado da família. Pina afirma que o médico foi intimado por meio do próprio advogado e que não apresentou justificativa para a ausência. “Estranhamente, o doutor André Melo, devidamente intimado através do seu advogado, não compareceu às 15 horas hoje, não deu qualquer justificativa”, afirmou.
Segundo Pina, a expectativa da defesa é que o médico seja novamente chamado para prestar esclarecimentos. “Logicamente que o delegado vai intimá-lo novamente, até porque, além da intimação para depoimento, a autoridade policial está aguardando também uma série de documentos já solicitados ao doutor André Melo”, declarou.
O advogado afirmou ainda que, na avaliação da defesa, o médico terá que comparecer à delegacia para prestar depoimento. “E se ele pensa, se ele imagina que ele vai se esquivar deste depoimento, de comparecer à polícia, ele está muito enganado. Ele vai comparecer, sim, à polícia, seja por bem, ou seja, por mal, através da Justiça”, afirmou.
Defesa pretende indicar novas testemunhas
A defesa da família também pretende apresentar à Polícia Civil nomes de pessoas que, segundo Pina, podem contribuir para o esclarecimento das circunstâncias da morte. O advogado afirma que o objetivo é colaborar com a investigação e fornecer elementos para que a autoridade policial possa chegar a uma conclusão sobre as responsabilidades no caso.
“Nós estamos fomentando a investigação, estamos colaborando enquanto advogados da família da vítima. Hoje juntamos o prontuário, que é norteador para a investigação, o celular. Vamos também requerer a oitiva de várias pessoas, que nós entendemos ser importante”, declarou.
Pina afirma que essas pessoas poderão prestar informações diretas ou indiretas sobre os acontecimentos. “Como testemunhas que sabem diretamente do ocorrido ou de maneira indireta, para que a gente possa subsidiar a autoridade policial a chegar a uma conclusão definitiva”, explicou.
Ao final, o advogado afirmou que a defesa pretende acompanhar o andamento das investigações e que eventual responsabilização deverá ocorrer somente após a análise dos elementos reunidos pela Polícia Civil. “Quem tiver de ser punido, gente, será punido, não tenha dúvida disso, porque o delegado está de maneira imparcial nessa investigação e ele vai colher o que tiver que colher para, ao final, indiciar quem tiver de ser indiciado, seja por homicídio culposo, por negligência ou imperícia, ou os dois, seja até no homicídio, na modalidade dolo eventual”, declarou.
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