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Caso Cairo Berg: morte de empresário pode estar ligada a desentendimento com médico; entenda

O delegado Allan Cavalcante, superintendente regional da Zona do Salgado, disse que essa é a hipótese de motivação do crime, mas que nenhuma outra linha de investigação é descartada

O Liberal
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A morte do empresário Cairo Gutemberg Ribeiro Ferreira, conhecido como Cairo Berg, pode estar ligada a um desentendimento que ele teve com o médico Joaquim Pereira Neto, preso pela Polícia Civil do Pará nesta terça-feira (18/8) durante a operação Veritas. Segundo o delegado Allan Cavalcante, superintendente regional da Zona do Salgado, a principal linha de investigação é de que uma ex-companheira de Joaquim, considerado o mandante do crime, teria se envolvido com Cairo logo após o término do relacionamento.

“Essa ligação (da vítima) com os demais envolvidos ainda está em andamento. Mas, ao que parece, havia um desentendimento do empresário com o médico em razão de um relacionamento conjugal do médico que uma moça teria, após o término, atado um relacionamento com o empresário”, disse Cavalcante. Ele reforçou que, apesar dessa linha de investigação, nenhuma hipótese é descartada.

Além de Joaquim, outras três pessoas foram detidas na ação, incluindo um policial militar. São eles: Felipe Pessoa Gonçalves (PM); Sintia Morais das Chagas, esposa de Felipe; e Paulo Victor Vaz Andrade. Para a PC, o policial militar teria sido o autor dos disparos, enquanto a companheira dele supostamente deu apoio ao grupo, observando e levantando informações sobre os movimentos e a rotina da vítima, e Paulo, que teria pilotado a motocicleta utilizada na execução do crime.

A investigação também identificou um imóvel que teria sido utilizado como ponto de apoio antes do crime. Os investigadores reconstruíram ainda os deslocamentos realizados pelos envolvidos antes e depois da execução, utilizando informações de sistemas de monitoramento e análise de veículos.

Entre os recursos técnicos empregados na apuração estão laudos de reconhecimento facial e perícia prosopográfica, além da análise de imagens e trajetos. Com base nos elementos reunidos durante a investigação, a Polícia Civil solicitou as prisões preventivas e as buscas, medidas autorizadas pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Castanhal. Os mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão foram cumpridos nos municípios de Bragança, Concórdia do Pará e Ananindeua.

“A investigação partiu do local do crime, com a coleta de imagens de mais de 20 estabelecimentos, em que foi possível fazer uma análise minuciosa e identificar a rota de onde eles vieram para o local do crime e de fuga. E, com isso, pudemos identificar em qual casa os suspeitos estavam morando. (...) Deu para perceber que os alvos ficavam constantemente mudando de endereço, como se estivessem prevendo que, mais cedo ou mais tarde, ia acontecer essa operação”, conta o delegado Allan Cavalcante.

“Depois de um amplo levantamento de localização e acompanhamento desses alvos, foi possível fazer as quatro prisões simultaneamente, que envolvem o piloto da moto; o executor, que é um policial militar; a esposa dele e um médico, que seria o mandante do crime. Os elementos indiciários são pujantes o suficiente não só para indiciar, mas para decretar a prisão, que já foi decretada pelo juiz da 1ª Vara Criminal da Comarca de Castanhal”, acrescenta.

A investigação do caso não foi concluída e segue em andamento. De acordo com o superintendente, os quatro presos permaneceram em silêncio e não quiseram falar sobre o caso. “A partir do momento da prisão, temos 10 dias para finalizar o inquérito e, nesses 10 dias, temos que coletar os depoimentos, verificar se surge, a partir do depoimento deles, alguma outra diligência urgente, como a oitiva de uma testemunha indicada por eles. Se surgirem indícios suficientes da participação de terceiros, a polícia pode instaurar um novo inquérito para continuar com as investigações referentes a essas terceiras pessoas que possam ter envolvimento”, detalhou.

A operação Veritas mobilizou equipes da Delegacia de Homicídios de Castanhal, Núcleo de Apoio à Investigação (NAI), Núcleo de Inteligência Policial (NIP), Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE), Delegacia do Jaderlândia e 12ª Seccional Urbana de Castanhal. A ação também integrou a Operação Ponto Crítico, realizada em âmbito estadual. Os quatro presos seguem à disposição do Poder Judiciário. 

A Redação Integrada de O Liberal tenta contato com a defesa dos suspeitos para obter um posicionamento sobre o caso. O espaço segue aberto. 

O crime

Cairo Berg tinha 25 anos e trabalhava como empresário no ramo de celulares e eletrônicos. Ele foi assassinado na noite de 11 de janeiro de 2026, por volta das 19h38, na Rua Comandante Francisco Assis, no centro de Castanhal.A vítima foi atingida por disparos de arma de fogo em frente ao estabelecimento comercial onde trabalhava. Após o homicídio, a Delegacia de Homicídios iniciou as investigações para identificar os responsáveis e esclarecer a motivação.

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