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POLÍCIA

Campeã de concurso de miss estudantil é alvo de ataques racistas em Baião; MPPA acompanha caso

A competição ocorreu no dia 29 de julho. E, após o anúncio da jovem como campeã, que é natural da comunidade quilombola Vila de Calado, Railene foi comparada a um urubu

O Liberal

6 de agosto de 2026 às 14:22

A imagem em destaque mostra a Railene Gomes Pinto, vencedora do concurso Miss Estudantil Baionense 2026

A imagem em destaque mostra a Railene Gomes Pinto, vencedora do concurso Miss Estudantil Baionense 2026 ( Foto: Foto: Reprodução | Redes sociais )

O Ministério Público do Pará (MPPA) informou, nesta quinta-feira (6/8), que acompanha as investigações dos ataques racistas que Railene Gomes Pinto, vencedora do concurso Miss Estudantil Baionense 2026, sofreu nas redes sociais. A competição ocorreu no dia 29 de julho, em Baião, no nordeste do Pará. E, após o anúncio da jovem como campeã, que é natural da comunidade quilombola Vila de Calado, Railene foi comparada a um urubu em uma montagem acompanhada da frase: “só faltou ‘avuar’”.

De acordo com o MPPA, a Promotoria de Justiça de Baião recebeu a representação da prefeitura do município sobre o episódio. “Foi instaurado procedimento extrajudicial para averiguar se foi instaurado inquérito policial para investigação do crime por parte da Delegacia de Polícia Civil de Baião. A autoridade policial informou que foi instaurado inquérito policial para apuração dos fatos”, informou.

O Ministério Público informou ainda que, após a conclusão das investigações, o inquérito policial será encaminhado ao Ministério Público, que tomará as medidas cabíveis. “A Promotoria de Justiça de Baião expedirá recomendação junto ao Poder Público Municipal, visando a conscientizar e coibir a prática de crimes de ódio nas redes sociais. O MPPA reforça o compromisso institucional de combate ao racismo e destaca que a denúncia é imprescindível para a aplicação da lei nos casos de crimes de ódio”, afirmou.

Nota de repúdio

Logo após o episódio, a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte, Juventude e Turismo (SESCTUR) publicou uma nota de repúdio e afirmou que “não compactua com qualquer forma de racismo, discriminação, preconceito ou discurso de ódio, atitudes que ferem os princípios da igualdade, do respeito e da valorização da pessoa humana”.

Ainda no comunicado, a SESCTUR disse que Railene “desmonstrou coragem, dedicação e representou sua equipe (Time Cumbucão) com honra”. A Secretaria manifestou solidariedade com a vencedora e reforçou que a Semana Estudantil Baionense foi criada para promover o esporte, a cultura, a integração e o respeito entre todos.

“A SESCTUR se coloca à disposição para prestar todo o apoio necessário e colaborar no que estiver ao nosso alcance, reafirmando nosso compromisso com a defesa da dignidade, da igualdade e do respeito. Racismo é crime e jamais será tratado com indiferença", destacou.