Um vídeo compartilhado nas redes sociais na noite de sexta-feira (30/10) mostrou o incêndio de grandes proporções que atingiu a região de Alter do Chão, em Santarém, no oeste do Pará. A publicação foi feita pelo Grupo de Pesquisa em Ciências Atmosféricas na Amazônia (GP.CAA), da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).
“Não é apenas a floresta que está em risco. É a nossa saúde, a biodiversidade e o futuro da Amazônia! A fumaça das queimadas libera poluentes que prejudicam a qualidade do ar e aumentam os riscos de doenças respiratórias e cardiovasculares", diz a legenda da publicação.
Em uma filmagem publicada pelo GP.CAA, é possível a grande quantidade de fumaça e de fogo no incêndio. “Os responsáveis precisam ser identificados e responsabilizados! Não podemos aceitar a destruição da nossa biodiversidade e a deterioração da qualidade do ar como algo normal", afirma o Grupo.
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A Redação Integrada de O Liberal procurou a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) e o Corpo de Bombeiros Militar do Pará (CBMPA) para comentarem o assunto. A reportagem aguarda retorno.
Recomendação do MPF
Na última quinta (29/10), o Ministério Público Federal (MPF) divulgou a recomendação para que a União, o governo do Pará, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) adotem medidas urgentes para reforçar o combate às queimadas no estado. Entre as principais providências está a criação de um Comitê de Crise Integrado, no prazo de cinco dias, para coordenar as ações de enfrentamento aos incêndios florestais e reduzir os impactos ambientais, sanitários e humanitários provocados pelo fogo.
A medida ocorre em meio ao avanço das queimadas no território paraense. Dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), citados pelo MPF, apontam que o Pará registrou 11.274 focos de calor entre os dias 1º e 27 de outubro. Somente nos dias 26 e 27 foram contabilizados 931 focos. No dia 28, o estado também liderava o país em eventos de fogo ativos, com 435 incêndios e 140 possíveis incêndios.
O cenário de alerta também aparece no levantamento do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sinpdec). Segundo relatório com dados de 21 de outubro, 31 municípios paraenses possuem reconhecimento vigente de situação de emergência, totalizando 34 registros. As ocorrências incluem incêndios florestais, estiagem, chuvas intensas, enxurradas, vendavais e outros desastres.
Entre os municípios com registros relacionados a incêndios florestais estão Cachoeira do Piriá, Jacareacanga, Monte Alegre, Muaná, Portel, Rurópolis e Trairão. Em alguns casos, os incêndios atingiram áreas protegidas ou provocaram impactos na qualidade do ar. O relatório também aponta situações de estiagem em municípios como Abel Figueiredo, Pacajá e Rio Maria.
Outro dado que chama atenção é a situação de Altamira, que não aparece na relação dos 31 municípios, mas decretou situação de emergência em razão dos incêndios. O município lidera o ranking de cidades brasileiras com o maior número de focos de incêndio em 2026. Na Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, cerca de quatro mil hectares foram devastados pelo fogo, segundo informações do ICMBio.