Temperaturas elevadas e dias longos definem o verão. Já na região amazônica, a estação traz uma particularidade: a presença constante de chuva e umidade, o que exige um cuidado especial da população, especialmente para quem vai aproveitar o clima nas praias do estado. A reportagem ouviu uma médica dermatologista e uma nutricionista, que destacaram alertas para diferentes partes do corpo. Para a pele, a umidade pode favorecer a proliferação de fungos. Já na alimentação, a falta de hidratação adequada pode prejudicar o trabalho dos rins em um momento que exige maior ingestão do líquido.
Segundo a médica dermatologista Heliana Goés, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD-PA), o desafio é duplo na região amazônica. “Temos a radiação ultravioleta (UV) intensa e a umidade elevada. O cuidado principal é com filtro solar e com barreiras físicas. Recomendo o uso de chapéus de abas largas, óculos de sol com proteção UV e roupas que protejam a pele ou com tecidos que tenham proteção UV”, orienta.
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Nos meses mais quentes, podem surgir alguns problemas como a insolação, que ocorre quando uma pessoa se expõe ao calor intenso ou permanece muito tempo ao sol. A temperatura do corpo passa dos 40°C e o organismo não consegue se resfriar, além de queimaduras solares, desidratação e intoxicação alimentar. O calor faz com que os alimentos estraguem com mais facilidade. Quando eles são ingeridos em condições inadequadas para o consumo, ocorre a intoxicação.
Manter a hidratação também é fundamental no período, já que o calor intenso favorece a desidratação da pele e compromete a barreira cutânea. Além de beber bastante água, também é preciso investir em hidratantes leves, preferencialmente após o banho, para manter a integridade da pele — a primeira defesa contra agentes externos.
“O protetor solar deve ser usado diariamente, pois a radiação UV atravessa nuvens e reflete em superfícies. A aplicação correta envolve quantidade, com reaplicação do filtro idealmente a cada 3 horas, especialmente na nossa região onde o suor é intenso; e consistência, usando todos os dias, mesmo em dias nublados ou dentro de ambientes com muita incidência de luz artificial”, recomenda Heliana Goés.
O calor e a umidade, característicos do verão na região Norte, criam o ambiente perfeito para a proliferação de fungos. O público deve secar muito bem as dobras do corpo após o banho (entre os dedos dos pés, virilhas e axilas), evitar o compartilhamento de toalhas e roupas de banho, além de dar preferência a roupas de algodão, que permitem a transpiração da pele, evitando tecidos sintéticos que retêm o calor e a umidade, conforme orienta a médica dermatologista Heliana Goés.
É preciso ter cuidados especiais com crianças, idosos e pessoas de pele mais clara. Até os seis anos de idade, a recomendação é evitar a exposição solar direta. Após essa idade, fazer o uso de filtros infantis e a proteção física, pois o dano solar na infância é cumulativo e determinante para o risco de câncer na vida adulta.
“A pele idosa é mais fina e tende a ser mais seca, com menor capacidade de cicatrização e reserva imunológica. O uso de hidratantes potentes associado ao fotoprotetor é essencial. Já as peles claras têm menos melanina, o que significa menos proteção natural contra a radiação UV. Precisam de filtros com FPS mais alto (50 ou mais) e devem evitar o sol entre 10h e 16h”, destaca a especialista.
A exposição ao sol aumenta o risco de câncer de pele. Segundo a médica dermatologista Heliana Goés, a “Regra do ABCDE” pode ajudar a orientar os pacientes na observação de pintas ou manchas. Confira:
- Assimetria (A): ao dividir a lesão ao meio, uma metade é diferente da outra.
- Bordas (B): irregulares.
- Cor (C): variações de cor dentro da mesma lesão (tons de marrom, preto, azul).
- Diâmetro (D): lesões maiores que 6 milímetros.
- Evolução (E): mudanças de tamanho, forma, cor, ou sintomas como sangramento, coceira ou cicatrização que não ocorre.
Fonte: médica dermatologista Heliana Goés, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD-PA)
Além disso, qualquer ferida que não cicatriza em quatro semanas é um sinal de alerta clássico que exige avaliação com dermatologista.
Altas temperaturas exigem mais trabalho do corpo, explica nutricionista
As altas temperaturas fazem com que o corpo humano trabalhe mais para regular a temperatura corporal, mesmo com a elevada umidade do ar. De acordo com a nutricionista Liz Amazônia, o suor demora mais para evaporar por causa da umidade, o que eleva a temperatura interna do corpo e acelera a perda de água e eletrólitos. Ela ressalta que a água participa de diferentes funções do organismo, como o metabolismo, o transporte de nutrientes e a queima de gordura.
Por isso, recomenda aumentar a ingestão para cerca de 40 a 45 mililitros de água por quilo de peso corporal, além de observar a cor da urina, que deve permanecer clara. “Se você desidrata, o metabolismo desacelera, a filtragem renal fica sobrecarregada e o intestino prende”, afirma.
Outro hábito comum durante as férias é o aumento do consumo de bebidas alcoólicas. Liz explica que o álcool tem efeito diurético e favorece a eliminação de líquidos, intensificando a desidratação, principalmente quando consumido sob o sol. Segundo ela, a bebida também interfere no processo de emagrecimento por fornecer calorias sem valor nutricional, interromper temporariamente a queima de gordura pelo organismo e estimular o consumo de alimentos mais calóricos.
“Se for beber, a regra de ouro é o equilíbrio hídrico: tome um copo de água mineral para cada copo de bebida alcoólica”, orienta. Na alimentação, a nutricionista destaca que o verão também é uma oportunidade para aproveitar frutas típicas da região. Ela recomenda alimentos com maior concentração de água, vitaminas, antioxidantes e minerais, que auxiliam na reposição dos nutrientes perdidos com o suor.
Além da água, Liz afirma que outros hábitos podem contribuir para enfrentar o calor com mais conforto. A água de coco, segundo ela, funciona como um isotônico natural por ajudar na reposição de eletrólitos. A especialista também recomenda refeições leves, com proteínas magras, peixes regionais e vegetais, evitando preparações muito gordurosas, que aumentam a sensação de calor durante a digestão.
Veja a lista de alimentos indicados
- Melancia e melão, ricos em água, potássio e magnésio;
- Taperebá e camu-camu, fontes de vitamina C e antioxidantes;
- Cupuaçu, que contém teacrina, composto associado à disposição;
- Açaí consumido de forma tradicional, sem açúcar, como alternativa para reposição energética.
Fonte: nutricionista Liz Amazônia
*Ayla Ferreira, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de Fabiana Batista, coordenadora do Núcleo de Atualidades
