O Sistema Único de Saúde (SUS) começa a ofertar, nesta semana, nove novos medicamentos para o tratamento do câncer, ampliando o acesso a terapias de alta tecnologia no Pará e em outros estados brasileiros. A medida contempla 13 indicações para diferentes tipos de tumores e faz parte de uma iniciativa do Ministério da Saúde que prevê a inclusão de 23 novos fármacos oncológicos na rede pública até o fim de 2026.
Segundo o Ministério da Saúde, a ampliação representa um aumento de 35% nas alternativas de tratamento disponíveis no SUS e deve garantir o atendimento de 100% da demanda por esses medicamentos. As terapias são destinadas a pacientes com câncer de mama, próstata, pulmão, estômago, rim, tireoide, além de pessoas com linfomas e outros tipos da doença.
O anúncio foi feito nesta terça-feira (20) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em São Paulo. A apresentação também foi acompanhada por representantes do ministério em 14 estados e no Distrito Federal.
Medicamentos de alto custo chegam à rede pública
Entre os novos medicamentos está o abemaciclibe, indicado para determinados casos de câncer de mama e cujo custo na rede privada pode chegar a R$ 366 mil. A oferta pelo SUS busca ampliar o acesso ao tratamento para pacientes que têm indicação clínica.
A lista também inclui o pazopanibe, que passa a ser disponibilizado para pacientes com câncer renal metastático, e a ampliação do uso do trastuzumabe, já utilizado na rede pública contra o câncer de mama e que agora também será indicado para casos de câncer de estômago.
As terapias atuam de acordo com o tipo de tumor, o estágio da doença e as características de cada paciente. Entre os benefícios esperados estão o aumento da sobrevida, a melhora da qualidade de vida e a redução do risco de retorno do câncer em situações nas quais o tratamento é realizado após a cirurgia.
A primeira etapa da implementação ocorre em 20 centros de tratamento distribuídos pelas cinco regiões brasileiras. A expectativa é expandir a oferta para as demais unidades habilitadas até o fim do ano. A previsão é beneficiar mais de 116 mil pessoas, com investimento anual de R$ 155,4 milhões na aquisição dos nove medicamentos.
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Pará terá mais opções de tratamento pelo SUS
Em Belém, o assessor da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, Paulo de Tarso, participou da agenda no Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB) e destacou os avanços previstos para a assistência oncológica no estado.
“Teremos mais medicamentos gratuitos pelo SUS, passando de nove para 13 indicações, além de uma linha nacional de cuidado para crianças e adolescentes com suspeita de retinoblastoma, que é um câncer ocular. São avanços importantes que permitirão que a gente se aproxime cada vez mais da meta de diagnosticar em até 30 dias e iniciar o tratamento em até 60 dias”, afirmou Paulo de Tarso.
De acordo com o Ministério da Saúde, a inclusão dos medicamentos era aguardada havia anos em alguns casos. Embora determinadas tecnologias já tivessem sido incorporadas ao SUS, a oferta efetiva aos pacientes ainda não havia sido implementada.
A mudança faz parte do programa Agora Tem Especialistas, lançado em 2025 para ampliar a assistência especializada e reduzir o tempo de espera por diagnóstico e tratamento. Para organizar a distribuição dos medicamentos oncológicos, o ministério instituiu a Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco).
Investimento prevê R$ 4 bilhões por ano
Para viabilizar a oferta dos 23 medicamentos previstos até dezembro, o Ministério da Saúde adotou diferentes estratégias de aquisição e financiamento. A pasta ficará responsável pela compra e negociação direta de dez fármacos, enquanto outros nove serão adquiridos pelos estados por meio de uma ata de preços. Para os quatro restantes, haverá ampliação dos repasses destinados ao custeio dos serviços oncológicos do SUS.
O investimento total estimado para viabilizar a medida é de R$ 4 bilhões por ano.
Veja os nove medicamentos e as indicações
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Trastuzumabe: câncer de estômago ou da junção esofagogástrica.
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Abemaciclibe: câncer de mama precoce ou avançado/metastático.
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Acetato de lanreotida: tumores neuroendócrinos.
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Pazopanibe: câncer renal de células claras metastático.
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Rituximabe: leucemia linfocítica crônica e linfomas folicular e difuso.
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Abiraterona: câncer de próstata em diferentes estágios, conforme a indicação clínica.
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Gefitinibe: câncer de pulmão de não pequenas células, em primeira linha.
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TSH recombinante (alfatirotropina): câncer diferenciado de tireoide com indicação de iodo radioativo.
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Sunitinibe: câncer renal de células claras metastático e tumor estromal gastrointestinal (GIST) avançado ou metastático após falha ao imatinibe.
SUS começa a distribuir testes para rastrear câncer de intestino
Além da ampliação dos medicamentos, o Ministério da Saúde iniciou a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT) para o rastreamento do câncer colorretal. A implementação será gradual nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), com início previsto para novembro em capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes.
O exame é destinado a homens e mulheres assintomáticos de 50 a 75 anos e identifica pequenas quantidades de sangue oculto nas fezes, que podem indicar pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer. O resultado ajuda a identificar quem precisa realizar uma colonoscopia para confirmar o diagnóstico. Segundo o ministério, o teste tem precisão de até 92%.
A pasta também anunciou investimento anual de R$ 46 milhões para custear cirurgias videotorácicas oncológicas, utilizadas principalmente no tratamento do câncer de pulmão. Por ser uma técnica minimamente invasiva, o procedimento pode reduzir o tempo de internação e as complicações após a cirurgia.
Ministério amplia recursos para diagnóstico e tratamento
As medidas incluem reajustes nos valores pagos por procedimentos oncológicos, com o objetivo de fortalecer os serviços especializados e ampliar a capacidade de atendimento. Para medicamentos administrados pela veia, o repasse por procedimento será quatro vezes maior. Já para os medicamentos orais, o valor será dobrado.
O financiamento anual destinado à iodoterapia para o tratamento do câncer de tireoide também será ampliado em 246%, passando de R$ 5,2 milhões para R$ 18 milhões.
Os procedimentos de anatomia patológica, como biópsias e análises de peças cirúrgicas, também terão os valores atualizados. A estratégia prevê o fortalecimento dos Centros Regionais de Patologia Digital e Telepatologia (CERPAT), que auxiliam na análise de amostras. Dos oito centros previstos, três já foram inaugurados, em Manaus (AM), Teresina (PI) e Diamantina (MG), enquanto os outros cinco estão em obras.
Outra iniciativa é o Super Centro Brasil para o Diagnóstico de Câncer, realizado em parceria com o A.C. Camargo Cancer Center. A estrutura recebe lâminas de biópsias de diferentes estados para acelerar a liberação dos resultados. Segundo o ministério, exames que antes poderiam levar de seis a sete meses em alguns locais passaram a ter resultados em até oito dias com a parceria.
Ministério prepara linha de cuidado para câncer infantil
O Ministério da Saúde também criará um grupo de trabalho para elaborar a primeira linha nacional de cuidado voltada ao retinoblastoma, um tipo de câncer que atinge a retina e afeta principalmente crianças com menos de cinco anos.
A proposta é organizar o atendimento no SUS, estabelecer fluxos de encaminhamento e favorecer o diagnóstico precoce. Um dos principais sinais de alerta é o reflexo branco na pupila, que pode aparecer acompanhado ou não de estrabismo.
Outra medida anunciada é a prorrogação, até 2031, do incentivo fiscal do Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon). O programa financia projetos de prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e pesquisa sobre o câncer. As inscrições para o edital destinado a instituições privadas sem fins lucrativos ficam abertas até 26 de outubro.

