Pesquisador alerta para possível novo pico da pandemia em Belém

Baixa adesão ao distanciamento social pode resultar em nova onda na Região Metropolitana, diz pesquisador da UFRA

Roberta Paraense

A Universidade Rural da Amazônia (UFRA) é responsável por um dos estudos que deu base à decisão do Governo do Pará para a retomada das atividades econômicas em cidades da Região Metropolitana de Belém, Marajó Oriental, Baixo Tocantins e Região do Araguaia.

O pesquisador da UFRA, Jonas Castro, um dos envolvidos no trabalho que embasou as medidas adotadas pelo governo estadual, faz questão, no entanto, de alertar que, apesar do pico na capital de fato já ter passado, se medidas de distanciamento e higiene não forem devidamente mantidas, há possibilidade de uma nova onda da doença. “É importante deixar claro à população que, torna-se necessário que as pessoas mantenham o distanciamento, respeitem as regras e adotem questões de higienes mais severas, porque agora, a doença que segue em direção ao interior, pode voltar com um repique na capital. O momento exige cautela e prudência.”

Ele explica que os números que alimentam diariamente os boletins da doença não refletem a temporalidade em que são lançados. Ou seja, eles mantém atrasos e apontam um cenário retrógrado.  

“Nossa pesquisa apontou logo no primeiro momento que o pico seria em abril e maio. Estimamos que no dia 12 de maio, o estado teria cerca de 9 mil infectados. E à época os índices foram bem semelhantes. Apontamos em outras datas os números de óbitos que foram compatíveis com a projeção”, lembrou. Segundo o pesquisador e pró-reitor, a doença passa a se manifestar após cinco dias que a pessoa já está infectada, e depois é que ela faz a testagem, e o resultado sai, na média, de sete dias. O atraso, devido aos diagnósticos tardios, faz com que os números diários que alimentam o boletim, sejam de dias anteriores. 

A instituição divulgou uma nota técnica informando à sociedade o que foi percebido durante o estudo e avaliou o cenário. “Aspecto importante que merece ser destacado, é subnotificação dos casos assintomáticos. No momento precisamos de estudos soroepidemiológicos, em larga escala, utilizando metodologias com melhores sensibilidade e especificidade que os testes rápidos, a exemplo dos testes ELISA ou de quimioluminescência, de maneira a permitir uma melhor definição do quantitativo de pessoas infectadas de forma assintomática”, afirmou. 

A instituição garante que sem esses estudos “não temos como avaliar se a população alcançou a imunidade de rebanho (herd immunity) mínima de 70%, o que poderia nos dizer se a redução do número de novos casos/dia está associado ao crescimento da imunidade populacional e, assim, auxiliar na definição de estratégias de saída do isolamento social”, observou.

A nota fala que os dados mostram a existência de diferentes epidemias, de acordo com as diferentes microrregiões e os municípios, com uma tendência de queda no número de casos diários de infecção e de óbitos na capital Belém, “provavelmente fruto de um conjunto de ações implementadas pelos Governos Estadual e Municipal, tais como: distanciamento social, campanhas educativas, distribuição de medicamentos e investimento em infraestrutura de suporte ao atendimento da população sintomática”, 

Ainda que uma tendência de redução do número de novos casos seja evidente na capital, os dados apontam para uma interiorização da epidemia no estado. Nesse sentido, o Boletim tem relevância para orientar a criação de estratégias de combate nessas regiões, onde o impacto da epidemia pode ser ainda maior, dadas as dificuldades de infraestrutura instalada de saúde.

EXEMPLO

Em Belo Horizonte, o processo de reabertura das atividades econômicas, deu um passo pra trás, nesta sexta-feira (29). Com piora no índice de transmissão da covid-19 e o aumento na ocupação dos leitos de unidade de terapia intensiva e de enfermagem da capital mineira, o prefeito da cidade, Alexandre Kalil (PSD), anunciou a paralisação do processo de retomada na cidade. 

 A volta gradual da atividade econômica no município foi iniciada na última segunda-feira, (25). A segunda fase estava prevista para a próxima segunda, 1. O prefeito, na sexta, falou até uma possível aplicação de lockdown, durante o anúncio da suspensão da reabertura da cidade.

Segundo a prefeitura de Belo Horizonte, a paralisação da reabertura, levou em consideração o risco de contágio em cidades do interior e da Região Metropolitana, que dependem do sistema de saúde da capital. Na última segunda, voltaram a funcionar na cidade shoppings populares, livrarias e salões de beleza, por exemplo. Na próxima segunda, voltariam lojas de roupas, calçados, acessórios e material esportivo.

RETOMA PARÁ 

O programa de retomada das atividades econômicas no Estado, chamado "Retoma Pará",  atende a Região Metropolitana de Belém, o Marajó Oriental, o Baixo Tocantins e a Região do Araguaia. A retomada será fiscalizada e terá suas ações avaliadas semanalmente.

"Traçamos um planejamento pautado na ciência, em normas técnicas e, fundamentalmente, em critérios de saúde, para estabelecer gradativamente a retomada econômica no nosso Estado. Não podemos e não devemos confundir retomada gradativa das atividades econômicas com relaxamento. A saúde é o pilar central da tomada de decisão sobre a volta das atividades econômicas suspensas", disse Helder Barbalho.

Segundo o governador, a decisão para a reabertura gradual foi pautada em três pilares: economia, saúde e protocolos. Na saúde, foram avaliadas a evolução da doença, como o crescimento dos casos e impacto em grupos de riscos. Também foi levada em conta a capacidade do sistema de saúde, com disponibilidade de leitos e testagem e monitoramento da transmissão da covid-19. Foram considerados ainda protocolos e vulnerabilidade econômica, engajamento do cidadão e abordagem regional, definindo por regiões as medidas de retomada.

O secretário de Saúde, Alberto Beltrame, falou dos dados atuais da Covid-19 no Estado e fez uma panorama das ações realizadas na área pelo Governo, destacando a construção de oito hospitais de campanha, a transformação de outros em unidades de referência para covid-19, aquisição de EPIs e equipamentos médico-hospitalares, conclusão de obras de hospitais, lockdown para 17 municípios e a criação de mais de 1.200 leitos clínicos e 525 utis.

CLASSIFICAÇÃO

O plano foi baseado nas zonas de risco de cada região do Pará: Araguaia, Baixo Amazonas, Região Metropolitana de Belém, Marajó Oriental, Baixo Tocantins, Carajás, Marajó Ocidental, Nordeste, Tapajós e Xingu. Foram definidas cinco zonas por nível de risco em ordem decrescente de gravidade. As ações de isolamento e de retomada serão moduladas para assegurar o atendimento à população e a garantia de controle da contaminação, a partir desta classificação.

Cada zona foi classificada de acordo com as taxas de transmissão, capacidade do sistema de saúde de cada região e taxas de testes e diagnósticos por cada uma delas.

O Estado estabeleceu ainda um procedimento operacional padrão para trabalhadores e empresas, de modo a assegurar a proteção à saúde no local de trabalho. Os protocolos incluem: promover boa higiene das mãos, afastar trabalhadores do grupo de risco, adiar viagens a negócios, estimular o trabalho remoto; higienizar ambientes, equipamentos e superfícies; limitar a entrada de visitantes, abrir janelas e desligar o ar condicionado, além de afastamento de trabalhadores com sintomas.

O governador do Pará destacou que todas as ações serão avaliadas a cada semana e que futuras decisões serão estudadas de acordo com o comportamento de cada setor diante da retomada. "Isso não pode ser interpretado como normal. Quando nós formos, gradativamente, melhorando vamos chegar ao novo normal. Neste momento, cada segmento que passará a estar autorizado será obrigado a seguir as regras do protocolo e nós vamos fiscalizar. Quem não cumprir, será penalizado".

 

Pará
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