Pará terá especialistas para atendimento ortopédico infantil no sistema público de saúde

Estado vai lançar programa “Doenças ortopédicas da infância”, que vai realizar cirurgias de alta complexidade para tratar os casos de crianças com deformidades ortopédicas de origem congênita ou adquirida

João Thiago Dias
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No Pará, uma em cada mil crianças nasce com pé torto congênito (PTC) considerado uma deformidade complexa que compromete todos os tecidos músculo-esqueléticos distais ao joelho. Se levar em consideração que a doença pode ser bilateral em pelo menos 50% dos casos o número de pés a serem tratados aumenta ainda mais. No entanto, há 15 anos, o Estado não contava com especialistas para atendimento ortopédico infantil no sistema público de saúde

Essas informações são Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), que informou que vai lançar esta semana o programa “Doenças ortopédicas da infância”, que vai realizar cirurgias de alta complexidade para tratar os casos de crianças com deformidades ortopédicas de origem congênita ou adquirida. 

De acordo com o secretário adjunto da Secretária de Estado de Saúde Pública, Sipriano Ferraz, nunca houve no Estado um único serviço preparado para atender de forma completa as crianças que possuem deformidades ortopédicas, inclusive ofertando a reabilitação no pós-cirúrgico.

"Se conseguirmos atuar no momento adequado, tratando de forma rápida e efetiva esses pequenos paraenses, conseguiremos escrever um novo caminho nas suas histórias de vida. Trata-se de uma causa muito nobre e nós, em nome do governo do Estado, estamos muito felizes em poder proporcionar este serviço a nossa população”, afirmou.

Ainda segundo a Sespa, estima-se cerca de oito mil crianças portadoras de Pé Torto Congênito no Pará, atualmente. Também são frequentes doenças como o Pé Plano, luxação congênita do quadril, sequelas de doenças neurológicas (como a paralisia cerebral e a mielomeningocele, por exemplo), sequelas de infecção óssea e articular e as sequelas de fraturas. 

A criança, seja da capital ou do interior, que apresentar algum tipo de deformidade passará pelo atendimento ambulatorial onde será avaliada pela equipe de especialistas. O tratamento pode acontecer de duas formas. Através do modo conservador, ou seja, sem cirurgia e no qual o paciente é tratado com órteses, gessos e fisioterapia ou ainda através do método cirúrgico indicado para os casos mais graves nos quais as crianças não mostram resultados na correção da deformidade com os recursos já utilizados ou que o diagnóstico e tratamento foram iniciados tardiamente. 

“Uma boa parte das cirurgias será de alta complexidade visto que pelo longo período que ficaram sem um tratamento eficaz, muitas crianças cresceram e as deformidades tornaram-se mais graves, necessitando de procedimentos mais complexos para sua correção”, explicou o médico Paulo Braga, Ortopedista Pediátrico.

O Programa

O Programa “Doenças ortopédicas da infância” não vai atender casos de urgência e emergência, apenas as patologias e deformidades em caráter eletivo. Os atendimentos ambulatoriais serão feitos no Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), em Belém, como já vem sendo realizado há mais de um ano, e as cirurgias serão realizadas no hospital Abelardo Santos, em Icoaraci. A expectativa é realizar cerca de 30 cirurgias todos os meses, mas o número de procedimentos pode aumentar, pois já existe uma demanda reprimida de cerca de 200 crianças aguardando atendimento. 

A diretora técnica da Sespa, Maitê Gadelha, afirma que “a consulta será marcada de duas formas: ou no próprio Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação, pelo whatsapp (91) 98564-6266, ou ainda pela regulação estadual, por meio do encaminhamento dos pacientes para a consulta especializada com ortopedista pediátrico. O CIIR será o responsável por fazer o contato direto com o Hospital Abelardo Santos para agendamento das cirurgias”. 

A equipe que fará a cirurgia a partir de 26 de setembro é formada por três ortopedistas com especialização em ortopedia pediátrica e um médico especialista em alongamento e reconstrução óssea. A idade recomendada para as cirurgias depende da patologia apresentada pela criança, mas o recomendado é ter acompanhamento médico logo nos primeiros meses de vida para garantir a eficácia do tratamento. 

“Hoje em dia com o recurso da ultrassonografia morfológica muitas crianças já têm as suas patologias detectadas de modo intrauterino e os pais são encaminhados ao ortopedista para terem uma orientação em relação à patologia dos seus filhos e como será a abordagem após o nascimento. Não existe uma idade ideal para avaliar a criança, pois muitas anomalias já se mostram no nascimento, já outras vão acontecer durante a evolução na vida. Então o importante é que a criança seja encaminhada sempre cedo para que ela possa ser avaliada e acompanhada e aquelas deformidades que estão aparentes sejam logo tratadas”, explica o médico Paulo Braga. 

Parceria

A Sespa em parceria com o Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR) e a Santa Casa de Misericórdia do Pará autorizou a equipe médica a realizar entre junho e dezembro de 2019 um mutirão para atender os casos de pé torto congênito e sequelas de paralisia cerebral. Foram realizadas 80 operações de menor porte em crianças de todo o Estado. 

O programa Doenças Ortopédicas da Infância, diferente dos mutirões já realizados em anos anteriores, não tem previsão para a sua conclusão. Será um serviço regular e contínuo que visa atender a grande demanda reprimida existente em todo o Estado. De acordo com a equipe responsável o programa buscará proporcionar assistência médica de forma permanente para as crianças que já possuem problemas ortopédicos e para as que possam vir a nascer futuramente com a mesma condição. 

A iniciativa do governo estadual faz parte de um projeto ainda maior, o “Fila Zero”, no qual a Sespa diz que vem analisando as principais demandas de atendimento do Estado que precisam ser atendidas com atenção e urgência. A primeira modalidade a ser lançada pelo projeto no início de setembro foi o programa “Obesidade Zero”, que já iniciou as triagens e atendimentos, e vai realizar cerca de 40 cirurgias bariátricas por mês totalizando 480 procedimentos por ano.  

Titular da Sespa, Romulo Rodovalho, assegurou que "assim como o ‘Obesidade Zero’, o programa “Doenças Ortopédicas da Infância” faz parte do projeto ‘Fila Zero’, no qual estamos atuando para zerar as filas de cirurgia do nosso Estado”.

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