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Mulheres indígenas WaiWai produzem mix de pimentas e buscam espaço no mercado

O Imaflora apoia a cadeia produtiva e a comercialização da pimenta fracionada no Pará

Emanuele Corrêa

Os conhecimentos gastronômicos ancestrais indígenas estão presentes nos pratos, mas também nos temperos. Ainda pouco difundidas, a mistura de pimentas produzida pelo povo WaiWai, localizado nas Terras Indígenas Trombetas-Mapuera e Nhamundá-Mapuera, na Calha Norte do Rio Amazonas, é identificada como Pimenta Assîssî. Os temperos são utilizados no preparo de peixes, carnes e outros alimentos. Estão entre os produtos da sociobiodiversidade amazônica ofertados no Brasil e no mundo.

A atividade é majoritariamente feminina, as mulheres indígenas plantam, cultivam, colhem e beneficiam as pimenteiras. Elas detêm o conhecimento tradicional dos processos de produção e manejo das pimentas. As cores variam entre vermelho, amarelo, verde e roxo. As pimentas são produzidas e utilizadas em diferentes níveis de maturação. Os processos de produção são artesanais e o resultado é identificado como alimento artesanal.

Luis Wiriká, da Cooperativa Mista dos Povos e Comunidades Tradicionais da Calha Norte (Coopaflora), afirma que outras aldeias produzem a pimenta e que esta está bastante ligada à cultura dos povos tradicionais. “Os indígenas produzem pimenta em quase toda aldeia, porque isso fica como se fosse cultura nossa, então pra gente utilizar no dia a dia, comer com a família, a gente tá utilizando, então quase toda aldeia está produzindo”, contou.

“No quintal a gente cuida, observa, molha, é mais fácil para coletar também. Os que estão na roça dá para coletar, mas não é suficiente porque nossa roça é distante também, dá pouco. O que garante a produção é no quintal”, complementou uma produtora de pimentas na aldeia Takará.

Produzida por mulheres indígenas, pimenta Assîssî é um mix de pimentas do povo WaiWai


Parceria na produção das pimentas

O projeto Florestas de Valor, do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), atua na facilitação de parcerias comerciais entre empresas e as comunidades. Os indígenas se organizaram e buscaram parcerias para estruturar a cadeia produtiva, consolidar os empreendimentos comunitários e inserir a pimenta em pó no mercado.

Marlúcia Gomes, presidente da Associação de Mulheres Indígenas da Região do Município de Oriximiná (AMIRMO), revela que a aldeia Mapuera, em 2017, recebeu fundos do terceiro setor para criar a entidade e implantar as áreas de plantio de pimenta na margem oposta à aldeia. “Quando nós criamos a associação de mulheres eles perguntaram o que nós precisávamos de ajuda. Aí escolhemos a pimenta, fizeram uma reunião com todas as mulheres e elas aceitaram a pimenta, pensaram que isso daí daria uma ajuda pra elas, pra gente ganhar dinheiro”, disse.

A comercialização da pimenta Assîssî e outros produtos também tem parceira com a Coopaflora, que facilita o escoamento da produção nos territórios do Norte do Pará, que surgiu a partir da necessidade de uma estrutura comunitária para ampliar o volume de oferta para empresas, além de reforçar a união dos grupos étnicos na defesa dos seus territórios.

O empreendimento reúne indígenas Waiwai, Hixkaryana e Kaxuyana, quilombolas e ribeirinhos. As operações de comercialização ocorrem a partir da produção de castanha-do-Brasil, pimenta indígena, copaíba e cumaru.

(Com informações Ascom Imaflora)

Pará
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