SEX · 02 OUT 2026Assine

EDUCAÇÃO

Mais de 26% dos beneficiários do Fies no Pará estão aptos a nova linha de crédito empreendedora

Conforme o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), em junho de 2026, a taxa de inadimplência do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) no Pará é de 73,61% entre os contratos em fase de amortização

Saul Anjos

4 de setembro de 2026 às 16:00

Modificado em 4 de setembro de 2026 às 18:09

Cerca de 26,4% dos usufruidores do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) do Pará podem integrar o grupo de beneficiários aptos a uma nova linha de crédito reembolsável para iniciar ou expandir um empreendimento. Ou seja, essa iniciativa busca facilitar o acesso ao financiamento para abertura, manutenção ou expansão de pequenos negócios, contribuindo para a geração de renda e de oportunidades econômicas. 

Segundo o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), o estado possui 66.547 contratos ativos. Desse total, 19.240 contratos estão na fase de utilização e outros 47.307 em fase de amortização ­— momento em que um empréstimo ou financiamento começa a ser pago. Do total de contratos em amortização, 12.485 beneficiários se encontram adimplentes — equivalente à média de 26,4% que podem fazer parte dos beneficiários em condições de conseguirem a nova linha de crédito — e outros 34.822 estão inadimplentes. Conforme o FNDE, em junho de 2026, a taxa de inadimplência do Fies no Pará é de 73,61% entre os contratos em fase de amortização.

“Atualmente, 12.485 beneficiários encontram-se adimplentes conforme os critérios do Desenrola e, portanto, podem integrar o universo de contratos em amortização que poderá ser considerado no âmbito da nova linha de crédito. Ressalta-se, contudo, que o número exato de estudantes que poderão efetivamente contratar a linha de crédito deverá ser informado pelo respectivo agente financeiro, após a aplicação dos critérios e condições estabelecidos para a operação, bem como da análise de elegibilidade de cada beneficiário”, informou o Fundo Nacional.

A imagem em destaque mostra Jade Rocha Porto em uma biblioteca.
A imagem em destaque mostra Jade Rocha Porto em uma biblioteca. (Foto: Carmem Helena | O Liberal)

Chamado de Fies Empreendedor, o programa instituído pela Medida Provisória nº 1.373/2026 tem suas operações de crédito realizadas pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal. Na regulamentação vigente, estão previstas, entre outras condições, taxa de juros de 0,88% ao mês (equivalente a 11,19% ao ano).

Para pessoa física, o crédito disponível é de até R$ 80 mil e com prazo de até 60 meses e carência de até 6 meses. Já para pessoa jurídica, o limite de crédito é de até R$ 180 mil (teto de 60% da receita bruta anual do exercício anterior), possuindo um prazo de até 96 meses e carência de até 12 meses.

Entrada no mercado de trabalho

A professora Vera Lúcia Jacob Chaves, docente do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGED) da Universidade Federal do Pará (UFPA), contou que esse sistema de financiamento estudantil acontece em outros países que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo ela, as pessoas que pagam regularmente o empréstimo que receberam durante o período em que estudavam poderão ter acesso a essa nova linha de crédito para criarem um empreendimento que possibilite a entrada no mercado de trabalho.

“Um dos critérios é não ter carteira assinada, pensão ou aposentadoria. É aquele, de fato, que está trabalhando como motorista de aplicativo para pagar o seu financiamento. É uma forma que o governo está beneficiando o sistema de crédito financeiro, e o jovem formado vai poder criar alguma coisa que possa garantir o pagamento do Fies”, afirmou.

Chaves comentou que as regras do Fies vão sendo alteradas pelo Governo Federal, conforme as taxas de adimplência e inadimplência. Atualmente, o programa, entre as exigências feitas ao estudante e à instituição que está credenciada para conceder o Fies, está: não precisar de fiador, caso a renda familiar seja até 1,5 salário mínimo por pessoa e média de 450 na nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

“Há um processo que é importante destacar, que é o FNDE, que administra o recurso do Fies. Existe uma pressão permanente do setor privado em cima do Governo Federal e do Congresso Nacional, onde são reguladas as leis para regular esse financiamento, para que o governo facilite o acesso a esse financiamento estudantil”, contou.

Para quem pensa em aderir a essa nova linha de crédito, Vera Lúcia orientou a necessidade de ter atenção à possibilidade de endividamento. “É acréscimo de dívida. Além da dívida do Fies, irá adquirir uma nova. Vai pegar um outro empréstimo do Governo Federal, que terá que pagar. Então, é preciso analisar o tempo que irá pagar e as condições de pagamento”, conclui.

Conquista de um sonho

Jade Rocha Porto está no quinto semestre de Medicina na UNIFAMAZ, por meio do Fies. Ela contou que, na época em que fazia cursinho, conversava com os professores para entender todas as possibilidades que poderiam colocá-la no ensino superior. “Um coordenador me apresentou o Fies, disse que a irmã dele tinha se formado em Medicina pelo Fies e que eu me encaixava nas condições”, disse. Após seis meses de espera, ela conseguiu a tão sonhada vaga no curso. Segundo Jade, ela não se arrepende da escolha que fez.

Nova linha crédito Fies
Foto: Carmem Helena | O Liberal
Foto: Carmem Helena | O Liberal

Para quem pretende ingressar na faculdade, Jade recomendou o Fies. “Você enxerga com uma nova perspectiva tudo o que te cerca, como oportunidade de extensão e de iniciação científica. Tudo é mais valorizado quando você percebe o esforço que fez para chegar até aqui. No meu caso, passaria por toda a espera que tive, de fevereiro até agosto, para ingressar e estar onde estou”, afirmou. 

“Sempre quis Medicina e o Fies permitiu a realização desse sonho. E, com base nisso, o que sempre busquei desde o início da faculdade foi participar de tudo para ver o que mais gostava. Com sorte, consegui me apaixonar logo no primeiro semestre pela neurologia, e foram se abrindo várias portas. Atualmente, participo da Liga Acadêmica de Neurologia e Neurocirurgia do Estado do Pará (Lannep), onde sou diretora de extensão. O Fies fez com que eu valorizasse tudo o que a faculdade poderia me oferecer", finalizou.

Assuntos relacionados