Casos de síndrome respiratória grave caem 45% no Pará nas últimas semanas, aponta Sespa
Dados da secretaria apontam redução também entre crianças e adolescentes; cenário no estado difere de tendência de alta observada em cinco estados pelo Boletim InfoGripe
O Pará registrou uma redução de aproximadamente 45% nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nas últimas seis semanas, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), repassados ao Grupo Liberal nesta segunda-feira (14). O número de casos caiu de 681, registrados nas seis semanas anteriores, para 373 entre as Semanas Epidemiológicas 30 e 35, período de 30 de agosto a 5 de setembro.
A redução também foi observada entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos. Nesse grupo, foram contabilizados 158 casos no período, contra 299 nas seis semanas anteriores, o que representa uma queda de aproximadamente 47%.
O cenário registrado no Pará ocorre enquanto outras regiões do país ainda apresentam atenção para a circulação de vírus respiratórios. A edição mais recente do Boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgada na quinta-feira (10), aponta que cinco estados apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.
A atualização, referente à Semana Epidemiológica 35, também indica a manutenção do aumento dos casos de SRAG entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos nesses estados, principalmente em razão da circulação do rinovírus. Nas demais faixas etárias, a tendência apontada pela Fiocruz é de diminuição ou estabilização das ocorrências.
No Pará, os dados da Sespa apontam para um movimento diferente nas últimas semanas. Apesar da queda recente, o estado soma 4.973 hospitalizações por SRAG no acumulado de 2026, contra 4.915 no mesmo período de 2025. O resultado representa uma alta de aproximadamente 1,2%.
Segundo a Sespa, embora haja elevação no acumulado anual, os dados mais recentes mostram redução das hospitalizações e, até o momento, não indicam tendência de crescimento da SRAG no estado.
Rinovírus foi o mais identificado entre crianças
Entre os agentes respiratórios identificados no Pará ao longo de 2026 estão o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), rinovírus, influenza A, adenovírus, SARS-CoV-2 e metapneumovírus.
Nas últimas seis semanas, o rinovírus foi o agente mais identificado entre pacientes de 2 a 14 anos, com 35 registros.
Para o infectologista Lourival Marsola, a SRAG representa uma evolução mais grave de uma infecção respiratória e pode ser provocada por diferentes agentes. “Em geral, o paciente começa com sintomas que podem parecer os de uma gripe ou outra virose, mas evolui com comprometimento da respiração, podendo apresentar falta de ar, queda da oxigenação e necessidade de internação”, explica.
Entre os principais agentes associados a quadros graves estão influenza, SARS-CoV-2 e VSR. Outros vírus respiratórios e algumas infecções bacterianas também podem provocar a síndrome.
Falta de ar é um dos principais sinais de alerta
De acordo com o especialista, sintomas como coriza, tosse, dor de garganta, febre e mal-estar são comuns em infecções respiratórias e, isoladamente, não significam que o paciente tenha desenvolvido SRAG.
O principal sinal de alerta é a piora do quadro respiratório. “Falta de ar, dificuldade para respirar, queda da saturação de oxigênio e piora importante do estado geral são sinais de alerta”, afirma Marsola.
Nas crianças, os responsáveis devem ficar atentos também a sinais como dificuldade para respirar, recusa alimentar, sonolência excessiva ou mudanças importantes no comportamento.
Crianças pequenas e idosos estão entre os mais vulneráveis
Embora qualquer pessoa possa desenvolver uma infecção respiratória grave, alguns grupos apresentam maior risco de complicações. Entre eles estão idosos, especialmente aqueles com 60 anos ou mais; crianças pequenas, principalmente bebês; gestantes; pessoas imunossuprimidas; e pacientes com doenças crônicas, como problemas cardíacos, pulmonares e renais, além de diabetes. “Por isso, nesses grupos, prevenção e vacinação são ainda mais importantes”, destaca o infectologista.
A transmissão dos principais vírus respiratórios ocorre principalmente por meio de secreções eliminadas quando uma pessoa infectada fala, tosse ou espirra. O contato próximo, especialmente em ambientes fechados e pouco ventilados, favorece a disseminação.
As mãos também podem contribuir para a transmissão quando entram em contato com secreções contaminadas e, posteriormente, tocam o nariz, a boca ou os olhos.
Vacinação e ventilação ajudam na prevenção
Entre as principais medidas de prevenção estão manter a vacinação atualizada, especialmente contra influenza e Covid-19, além de seguir as estratégias disponíveis para prevenção do VSR nos grupos indicados. No caso do VSR, Marsola destaca a importância da vacinação de gestantes na 28ª semana de gestação e, conforme a indicação, da utilização de anticorpo monoclonal em bebês logo após o nascimento.
Também são recomendadas medidas como lavar as mãos regularmente, manter os ambientes ventilados, evitar contato próximo com outras pessoas quando houver sintomas respiratórios e cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar.
Em determinadas situações, principalmente durante quadros respiratórios ou em ambientes de maior risco, o uso de máscara também pode contribuir para reduzir a transmissão. Para o especialista, a prevenção também envolve responsabilidade coletiva, principalmente quando há contato com pessoas que apresentam maior risco de desenvolver formas graves. “Uma infecção que pode ser leve para uma pessoa pode representar um risco muito maior para um bebê, um idoso ou alguém imunossuprimido”, ressalta.
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