Breves, no Marajó, é o município com maior proporção de casos de covid-19 no Brasil

Estudo realizado pela Universidade Federal de Pelotas mostra que quase um quarto da população local já foi contaminada pelo novo coronavírus

Andreia Espírito Santo

Quatro cidades do Pará estão no top 15 da pesquisa Epicovid19-BR, realizada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e que tem o objetivo de fazer o maior estudo populacional sobre o coronavírus no Brasil.

A cidade de Breves, no Marajó, lidera a lista entre as cidades com maior proporção da população com anticorpos, ou seja, que tem ou teve o coronavírus no Brasil, com 24,8%

Castanhal fica em terceiro com 15,4%. Já Belém ficou em quarto lugar, com 15,1% da população com traços de infecção pela covid-19. Em oitavo lugar está Marabá, com a soma 8,3% de pessoas que já tiveram ou ainda têm a covid-19. (A lista completa está abaixo)

"Se Breves é a cidade com maior percentual do Pará, isso significa muito vírus circulando. É algo que não tem relação com testagem. As epidemias são sempre surpreendentes e dependem das dinâmicas de suas populações. Nenhuma pessoa do mundo tem imunidade ao vírus. A única coisa a ser observada é que em alguns lugares essas condições motivam aceleramento de casos ou não", avaliou o infectologista Fernando Barros, ligado ao grupo de estudos da UFPel, durante o painel "Covid-19 no Brasil: várias epidemias num só país", que apontou o Marajó no centro do mapa do coronavírus no Brasil.

Na primeira fase, a região Norte foi que apresentou maior preocupação para os pesquisadores da UFPel por ter o maior número de pessoas infectadas. Das 15 cidades com maiores prevalências da covid-19, 11 são da Região Norte, dois do Nordeste (Fortaleza e Recife) e dois do Sudeste (Rio de Janeiro e São Paulo).

“Esses resultados que nós encontramos acima de 10% em algumas cidades, especialmente concentradas no Pará e no Amazonas, ele é muito preocupante. Se a gente comparar com a literatura mundial, a gente tem poucos lugares e estudos com relatos tão altos com a proporção da população com anticorpos. Há pouquíssimos lugares que foram encontrados prevalências tão alta como essa. Comparando as diferenças das prevalências entre populações do Norte e do Sul, sabemos apenas que as razões só virão com o tempo para se observar. Nossa pergunta maior é como epidemia se comporta nos diversos pontos do País. Pará tem esse índices maiores que os de São Paulo. Frente a essa disparidade regional, precisamos de tempo de aprofundamento para entendermos o que está acontecendo", avaliou o reitor da UFPel e coordenador da pesquisa, Pedro Hallal.

A primeira fase da pesquisa da UFPel foi publicada na última segunda-feira (25). Ela foi realizada entre os dias 14 e 21 de maio. Durante uma semana de coleta de dados em 133 cidades espalhadas por todos os estados do Brasil, os pesquisadores concluíram 25.025 entrevistas e testes para o coronavírus. Mas, apenas 90 cidades, incluindo 21 das 27 capitais, entraram nessa fase do estudo. Isso porque só foi possível testar pelo menos 200 pessoas selecionadas por sorteio. Entre estas, Belém (PA) e Manaus (AM) foram as únicas que apresentaram resultado superior a 10%.

Das 10 capitais com percentuais mais altos da população com anticorpos, cinco são da região Norte, três são da região Nordeste e dois da região Sudeste. Belém liderou entre as capitais com 15,1% da população com anticorpos. Em seguida, Manaus apresenta 12,5% de percentual. (A lista completa está abaixo)

“A prevalência é bem mais alta do que a maioria dos estudos. Nós tivemos poucos estudos nos quais a prevalência era de 10 a 15%. Mas na região Norte do país nós encontramos muitas cidades com percentual muito alto. Isso significa que a pandemia está bem disseminada na população para que a gente tenha esse número tão grande de pessoas assintomáticas e sorologia positiva já demonstrando contato com a covid-19”, comenta a pesquisadora da UFPel, Mariângela Silveira.

Segundo o pesquisador Bernardo Horta, a universidade já foi procurada pelo Governo do Pará para que seja feita pesquisa semelhante de forma exclusiva no estado. 

"No Norte é preciso pensar como se dá o transporte e outras condições. As diferenças brasileiras não são fatores meteorológicos, de clima. E ter o retrato do Pará exige uma pesquisa específica. O governo do Pará já está procurando o grupo de Pelotas para fazer uma pesquisa similar à nossa no Estado", afirmou o pesquisador Bernardo Horta. 

A próxima fase da pesquisa é continuar a amostragem nas cidades onde não foi possível concluir as entrevistas e os testes. 

“Nós estamos trabalhando com uma amostragem de 25 mil pessoas. A primeira fase da pesquisa está concluída. Vamos para a segunda e terceira. Vamos tentar nessas fases chegar nos 133 municípios. Mas, para ser sincero, só teve uma cidade que não foi feita nenhuma entrevista ou teste. Nas outras 132 se conseguiu fazer. Mas nós decidimos que só incluiríamos na primeira fase os municípios onde foram feitos os 200 testes ou mais”, explica Pedro Hallal.

 

Top 15 com maior proporção da população com anticorpos para o coronavírus

BREVES (PA) - 24,8%

TEFÉ (AM) - 19,6%

CASTANHAL (PA) - 15,4%

BELÉM (PA) - 15,1%

MANAUS (AM) - 12,5%

MACAPÁ (AP) - 9,7%

FORTALEZA (CE) - 8,7%

MARABÁ (PA) - 8,3%

RIO BRANCO (AC) - 5,4%

PARINTINS (AM) - 5%

BOA VISTA (RR) - 4,5%

OIAPOQUE (AP) -3,5%

RECIFE (PE) - 3,2%

SÃO PAULO (SP) - 3,1%

RIO DE JANEIRO (RJ) - 2,2%

 

Ranking das capitais do Brasil com anticorpos do coronavírus

BELÉM (PA) - 15,1%

MANAUS (AM) - 12,5%

MACAPÁ (AP) - 9,7%

FORTALEZA (CE) - 8,7%

RIO BRANCO (AC) - 5,4%

BOA VISTA (RR) - 4,5%

RECIFE (PE) - 3,2%

SÃO PAULO (SP) - 3,1%

RIO DE JANEIRO (RJ) - 2,2%

MACEIÓ (AL) - 1,3%

Pará
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