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31 municípios do Pará têm situação de emergência reconhecida, aponta relatório

Registros incluem chuvas intensas, estiagem, incêndios florestais, enxurradas, vendavais e outros tipos de desastres

Dilson Pimentel

24 de outubro de 2026 às 18:00

A imagem mostra Altamira, no sudoeste do Estado, que é a cidade brasileira com o maior número de focos de incêndio em 2026

A imagem mostra Altamira, no sudoeste do Estado, que é a cidade brasileira com o maior número de focos de incêndio em 2026 ( Foto: Foto: Gustavo Basso | NurPhoto via AFP )

O Pará tem 31 municípios com reconhecimentos vigentes de situação de emergência, segundo o Relatório Gerencial de Reconhecimentos Vigentes do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sinpdec), com data de 21 de outubro de 2026. Ao todo, o estado contabiliza 34 reconhecimentos, relacionados a ocorrências de diferentes naturezas, como tempestades locais com chuvas intensas, estiagem, incêndios florestais, transporte rodoviário de produtos perigosos, erosão de margem fluvial, enxurradas e vendaval. As informações foram divulgadas pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).

A diferença entre o número de municípios e o de reconhecimentos ocorre porque há municípios que aparecem mais de uma vez na relação. Os registros apresentam códigos de classificação de desastres, datas de ocorrência e prazos de vigência específicos.

Altamira, no sudoeste do Estado, não aparece na relação, mas decretou situação de emergência. É a cidade brasileira com o maior número de focos de incêndio em 2026. Em Altamira, uma das áreas mais atingidas pelo fogo é a Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio. Segundo o ICMBio, 4 mil hectares foram devastados. Trinta e três brigadistas atuam na região. Equipes dos parques nacionais do Carajás, no Pará, e de Itatiaia, no Rio de Janeiro, reforçaram o combate às chamas.

O decreto de emergência da prefeitura prevê ampliar ações de fiscalização e apoio às famílias atingidas. No oeste do estado, o fogo avança em áreas remotas. Em uma região onde os focos de incêndio não param de surgir no meio da floresta, as equipes oficiais enfrentam dificuldades para conseguir atender todas as ocorrências. Em locais de difícil acesso, são os brigadistas que ajudam a controlar as chamas.

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Outros municípios do Pará não aparecem no relatório

Óbidos, no oeste do Estado, também não aparece nessa lista. Mas a Prefeitura do município oficializou, na terça-feira (20), o decreto nº 384/2026-GAB, declarando situação de emergência em todas as áreas afetadas por incêndios florestais e pela seca severa no município. A medida foi tomada em decorrência do cenário crítico provocado pela ausência prolongada de chuvas, que reduziu drasticamente o nível do Rio Amazonas e afluentes, gerou forte escassez hídrica na zona urbana e rural e multiplicou focos de incêndio em áreas de difícil acesso. O desastre, classificado como de nível II de intensidade, acendeu o alerta das autoridades para os prejuízos econômicos, ambientais e o sério impacto na subsistência da população local.

Em Jacundá, outra cidade paraense que também não aparece naquela lista e fica no sudeste do Estado, a situação de emergência foi decretada em razão dos incêndios florestais e dos efeitos da fumaça. O documento, assinado pelo prefeito Itonir Tavares, aponta que a estiagem, as altas temperaturas e a redução da disponibilidade de água contribuíram para a propagação do fogo. O cenário também provocou prejuízos ambientais, econômicos e sociais, além de riscos à saúde da população.

A ocorrência foi classificada pela Coordenadoria Municipal de Defesa Civil como desastre de nível de intensidade II. O decreto prevê a mobilização integrada de órgãos municipais para combater os incêndios, avaliar os danos e atender às famílias afetadas, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade social.

Em nota, a prefeitura do município informou que os incêndios já estão bem controlados em comparação ao início de outubro. "O município disponibilizou uma equipe com transporte, maquinários, carro-pipa e a Defesa Civil está fazendo levantamento da situação ocorrida e prestando apoio às famílias afetadas", declarou.

Em Óbidos, no oeste do Pará, a medida foi tomada em decorrência do cenário crítico provocado pela ausência prolongada de chuvas
A imagem em destaque mostra uma área verde do município de Óbidos (Foto: Odirlei Santos | Ascom-PMO)

Ações articuladas do MIDR

O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), por meio da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), informou que mantém o acompanhamento das situações de emergência em todo o país e articula ações com os órgãos envolvidos para aprimorar a capacidade de resposta a situações de estiagem, seca e incêndio.

A Sedec auxilia no repasse de recursos para apoiar o combate aos incêndios, como na locação de aeronaves. Outros órgãos do Governo Federal, como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), também realizam ações próprias.

Belém prevê muito calor durante o El Niño

Belém não está naquela relação, mas a capital se prepara para enfrentar um dos períodos mais intensos de calor previstos para 2026. Em outubro e novembro, a capital paraense entra no nível 3 de alerta do Plano de Ação Municipal de Belém para o Enfrentamento ao El Niño 2026-2027, com temperaturas de 39°C ou mais e sensação térmica de até 43°C. As mudanças climáticas, associadas às emissões de combustíveis fósseis, queimadas, gases de efeito estufa e guerras internacionais que lançam poluentes na atmosfera, são apontadas como fatores fundamentais para que o El Niño 2026-2027 seja o mais severo desde o início dos estudos sobre o fenômeno, em 1950.

O El Niño é um fenômeno climático natural provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical. Ele altera os padrões globais de ventos e chuvas. No Norte, costuma provocar redução das chuvas e aumento das temperaturas; no Sul, pode causar precipitações mais intensas e concentradas, elevando o risco de enchentes e deslizamentos.

O fenômeno começou em junho. Diante da previsão de intensificação dos efeitos, a Prefeitura de Belém elaborou o Plano de Ação Municipal de Belém para o Enfrentamento ao El Niño 2026-2027, com participação das secretarias municipais, do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Pará e do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). As estratégias dos órgãos foram reunidas no Protocolo de Alerta e Enfrentamento ao Calor Extremo, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belém (Semma). O documento orienta a atuação do poder público e os cuidados da população diante das altas temperaturas.

A titular da Semma, Juliana Nobre, disse que o protocolo é importante por mostrar os impactos que o fenômeno pode provocar na região, principalmente o calor extremo. “Precisamos estar preparados e esse protocolo tem justamente esse papel: integrar os diferentes órgãos e estabelecer ações de monitoramento, prevenção e resposta, permitindo que se antecipem cenários e se proteja principalmente as populações e os territórios mais vulneráveis”, afirmou.

Hidratação e alimentação  

Com as temperaturas elevadas, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Sesma), recomenda manter a hidratação e uma alimentação equilibrada, sobretudo para crianças, idosos e pessoas que passam muito tempo expostas ao sol. O calor aumenta a perda de água e sais minerais pelo suor. Quando a reposição é insuficiente, podem surgir dor de cabeça, tontura, cansaço, fraqueza e boca seca, sintomas que podem indicar desidratação.

A orientação é não esperar sentir sede para beber água, distribuindo o consumo ao longo do dia, especialmente durante atividades físicas, deslocamentos e trabalhos em ambientes quentes. Água de coco e sucos naturais, preferencialmente sem açúcar, também ajudam a aumentar a ingestão de líquidos, mas não devem substituir a água. Frutas e vegetais ricos em água, como melancia, abacaxi, laranja, manga, limão e pepino, contribuem para a hidratação e fornecem vitaminas e minerais. Podem ser consumidos no café da manhã, nos lanches ou como sobremesa. A conservação dos alimentos também exige atenção. Produtos perecíveis devem ser armazenados em temperaturas adequadas para evitar a proliferação de microrganismos e reduzir o risco de doenças transmitidas por alimentos.

Crianças e idosos podem ter dificuldade para perceber ou comunicar que precisam beber água. Familiares e responsáveis devem oferecer líquidos com frequência e observar sinais de desidratação. Também é importante evitar exposição prolongada ao sol nos horários mais quentes, usar roupas leves e procurar ambientes ventilados sempre que possível. A Sesma reforçou que manter uma alimentação equilibrada, priorizar alimentos frescos, conservar adequadamente as refeições e beber água em quantidade suficiente são medidas importantes para enfrentar as altas temperaturas.

Como se proteger do calor extremo em Belém

Beba água ao longo do dia

Não espere sentir sede para se hidratar.

Distribua o consumo de água durante o dia.

Água de coco e sucos naturais, de preferência sem açúcar, também ajudam, mas não substituem a água.

Evite o sol nos horários mais quentes

Evite sair de casa, principalmente entre 10h e 16h.

Reduza a exposição prolongada ao sol.

Prefira ambientes ventilados e use roupas leves.

Prefira alimentos leves e ricos em água

Consuma frutas como melancia, abacaxi, laranja, manga e limão.

Inclua vegetais, como pepino, na alimentação.

Água de coco, sopas e caldos também podem contribuir para a hidratação.

Reduza o consumo de bebidas que favorecem a desidratação

A prefeitura recomenda diminuir o consumo de bebidas alcoólicas e café durante os períodos de calor intenso.

Redobre os cuidados com pessoas vulneráveis

Crianças, idosos e pessoas com comorbidades precisam de atenção especial.

Ofereça água com frequência, inclusive a quem não pede.

Observe possíveis sinais de desidratação, como tontura, dor de cabeça, cansaço, fraqueza e boca seca.

Cuide da conservação dos alimentos

Mantenha os alimentos perecíveis em temperaturas adequadas.

Lave e higienize frutas e verduras.

Evite consumir alimentos que ficaram muito tempo expostos ao calor.

Saiba quando procurar ajuda

Em caso de mal-estar provocado pelo calor, procure atendimento de emergência e acione o Samu, pelo número 192.

Não faça queimadas nem queime resíduos

A prefeitura alerta ainda que queimadas e a queima de resíduos, além de proibidas, podem causar intoxicação pela fumaça, agravar doenças respiratórias crônicas e provocar reações alérgicas. Quem apresentar esses sintomas deve procurar o serviço de saúde mais próximo e denunciar a prática aos órgãos de fiscalização ambiental. As denúncias podem ser feitas presencialmente à Semma. Em situações de emergência ou incêndio, a população deve acionar o Corpo de Bombeiros, pelo 193, ou a Guarda Municipal de Belém, pelo 153.

Fonte: Prefeitura de Belém

Relação dos 31 municípios e as respectivas ocorrências

O relatório do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil apresenta o total de 34 reconhecimentos vigentes no Pará, distribuídos em 31 municípios. Há três municípios que se repetem na relação. São eles: Cachoeira do Piriá - incêndio florestal e estiagem; Muaná - incêndio florestal e estiagem; e Terra Santa - chuvas intensas e vendaval. Cada um tem dois reconhecimentos de situação de emergência, totalizando três municípios com registros duplicados.

Abaetetuba - Tempestade local/convectiva - chuvas intensas.

Abel Figueiredo - Estiagem.

Aurora do Pará - Tempestade local/convectiva - chuvas intensas.

Aveiro - Transporte rodoviário de produtos perigosos.

Brasil Novo - Tempestade local/convectiva - chuvas intensas.

Breu Branco - Tempestade local/convectiva - chuvas intensas.

Breves - Tempestade local/convectiva - chuvas intensas.

Bujaru - Tempestade local/convectiva - chuvas intensas.

Cachoeira do Piriá - Incêndio florestal em áreas protegidas; estiagem.

Capanema - Tempestade local/convectiva - chuvas intensas.

Curralinho - Tempestade local/convectiva - chuvas intensas.

Ipixuna do Pará - Tempestade local/convectiva - chuvas intensas.

Jacareacanga - Incêndio florestal em áreas protegidas.

Mojuí dos Campos - Tempestade local/convectiva - chuvas intensas.

Monte Alegre - Incêndio florestal em áreas não protegidas, com reflexos na qualidade do ar.

Muaná - Incêndio florestal em áreas protegidas; estiagem.

Pacajá - Estiagem.

Ponta de Pedras - Tempestade local/convectiva - chuvas intensas.

Portel - Incêndio florestal em áreas não protegidas, com reflexos na qualidade do ar.

Porto de Moz - Tempestade local/convectiva - chuvas intensas.

Prainha - Tempestade local/convectiva - chuvas intensas.

Rio Maria - Estiagem.

Rurópolis - Incêndio florestal em áreas protegidas.

Santa Izabel do Pará - Tempestade local/convectiva - chuvas intensas.

Santarém - Erosão de margem fluvial.

São Domingos do Capim - Tempestade local/convectiva - chuvas intensas.

São Francisco do Pará - Tempestade local/convectiva - chuvas intensas.

Terra Alta - Enxurradas.

Terra Santa - Tempestade local/convectiva - chuvas intensas; vendaval.

Trairão - Incêndio florestal em áreas protegidas.

Óbidos - Tempestade local/convectiva - chuvas intensas.