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Uri Geller: o flamenguista que virou ídolo do Remo e marcou história no Baenão

Flamenguista desde a infância, Júlio César Uri Geller encontrou no Remo a oportunidade de se tornar profissional e construiu uma relação de carinho com Belém e o clube azulino.

Fábio Will
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“Vidas que se encontram sem alguma explicação. Caminhos que levam pro mesmo lugar”, assim como no trecho da música “Vidas que se encontram”, da banda de rock CPM 22, a vidas de técnico, jogador, Remo e Flamengo se encontram sem nenhuma explicação, mas os caminhos deles deram um jeito de seguir para o mesmo lugar.

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Torcedor apaixonado do Flamengo, Júlio César, o Uri Geller, fez a base no clube rubro-negro e tinha o sonho de se profissionalizar no time carioca. Mas quis o destino que Júlio César fosse “entortar” seus adversários longe do Rio de Janeiro (RJ), mais precisamente em Belém e com a o manto azul-marinho do Clube do Remo.

Aos 18 anos, Uri Geller não teve chance de avançar e ser atleta profissional no Flamengo, já que o time rubro-negro possuía um time muito competitivo, que não dava chance para que novos talentos pudessem jogar. Foi então que, sem perspectiva de avançar na carreira, Júlio César foi chamado pelo técnico Joubert Meira, com quem já havia trabalhado no clube, para defender o Remo, em Belém.

“Saí do meu Flamengo, pois quando você ‘estoura a idade’, fica complicado para entrar no time principal. Batalhei bastante, fui para o América-RJ, também não consegui jogar e fui para Belém, a convite do Seu Jouber Meira, o maior treinador que já tive na minha vida, e fui para o meu Clube do Remo. Sou tão agradecido ao meu Leão. Muito obrigado ao Remo, por ter me dado a oportunidade de ter jogado profissionalmente”, disse Uri Geller, que recebeu essa alcunha por conta do ilusionista famoso dos anos 1970, que ficou amplamente conhecido por entortar talheres com a “força do pensamento”. Já Júlio César ganhou o “apelido” por ter facilidade em “entortar” os adversários dentro de campo.

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Joubert Meira

Júlio César coloca o técnico Joubert Meira como um “pai” no futebol. Uri Geller afirma que ele foi o responsável por sua carreira ter deslanchado, pela confiança em seu futebol e no que poderia representar em Belém aos torcedores do Remo.

“Falar do Joubert Meira é fácil. Ele me deu a oportunidade de colocar a camisa 11 [do Remo]. Mesmo no Flamengo, quando estourei a idade, ele me deu oportunidade. O maior treinador que tive na minha vida, ele é tudo pra mim, o meu pai no futebol e não só meu, mas de muitos ídolos do Remo”, disse.

image Júlio César Uri Geller ídolo do Mengão (Reprodução / Facebook)

Estreia

Uri Geller contou como foi sua estreia pelo Remo, após chegar a Belém de ônibus, ter treinado e jogado logo em seguida, diante do Cruzeiro, em 1977, que era um dos clubes mais difíceis de se enfrentar na época e que tinha conquistado o título da Libertadores um ano antes.

“Foi uma estreia inusitada. Na época, o Remo teria que fazer 4 pontos para classificar e a missão era: ganhar do Cruzeiro, da Libertadores, por uma diferença de quatro gols. E o que aconteceu? Peguei logo o maior lateral-direito do Mundo na época, que era o craque Nelinho. E nós tivemos a felicidade de vencer o Cruzeiro, campeão da Libertadores, por 4 a 0 no Baenão. Não poderia ser uma estreia mais absurda. Nosso time ‘voava’! Em 1977 e 1978, que time é aquele?!”, disse.

Saudade

O jogador afirmou ter saudades de Belém, cidade em que jogou por duas temporadas e onde foi pai, além de ter sido o local onde realizou seu sonho.

“Tive dois filhos em Belém, Felipe e Rafael, dois paraenses, que infelizmente partiram. Quem me abriram as portas foi o Remo e o amor que tenho pelo Flamengo. Hoje, o pouco que eu tenho, devo a esses dois times, ao meu Mengão, que até hoje sou funcionário do clube e como sou agradecido ao Flamengo. Ao Remo, obrigado pela oportunidade, de ter aberto a porta para que eu jogasse de forma profissional”, falou.

Camisa

Ídolo dos dois clubes, Uri Geller ainda guarda a camisa que conquistou o título pelo Remo. Atualmente com 70 anos, o ex-jogador relembrou momentos vestindo o manto azulino e agradeceu ao Leão Azul pela oportunidade na carreira.

“É óbvio que tenho a camisa do Remo. Hoje ela está pequenininha, da final em que fomos campeões paraenses e fiz um gol de pênalti. Tenho essa camisa até hoje e ficou para o meu filho Henrique. Que orgulho tenho, que orgulho. Meu Leão, meus irmãos, obrigado por tudo mesmo. Valeu, meu Flamengo, valeu, meu Clube do Remo. Muito obrigado por tudo”, finalizou.

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