De um lado, o amor que atravessa gerações e faz parte da história da família. Do outro, uma paixão que nasceu ainda na infância, de forma inesperada, a partir de um simples escudo visto em uma camisa. É assim que a pedagoga Rafaela Penelva chega ao duelo entre Remo e Flamengo, marcado para este domingo (6), às 16h, no Mangueirão, pela Série A do Campeonato Brasileiro.
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Com o coração dividido entre dois clubes que nasceram ligados à regata, ganharam dimensão nacional e conquistaram torcedores por diferentes partes do país, Rafaela não esconde o carinho pelos dois. No entanto, quando a bola rolar, não haverá dúvida sobre qual lado irá escolher.
“A minha paixão por futebol vem desde cedo. Desde criança, com cinco, seis anos, curto futebol, jogo, tenho influência do meu pai. Minha família toda gosta, vamos ao estádio, nos divertimos e é uma verdadeira resenha. É uma tradição, é cultural da nossa família, tanto a paterna quanto a materna”, conta.

No caso do Remo, a relação vai muito além do futebol. O clube azulino está presente na trajetória de diferentes gerações da família de Rafaela. O avô era remista, o pai também, e chegou a vestir a camisa do clube nas categorias de base. Além disso, o avô trabalhou no Leão.
“O Remo é de pai para filho, netos, bisnetos. Está no nosso sangue ser remista”, resume.
A ligação com o Flamengo, por sua vez, surgiu de maneira completamente diferente. Aos 11 anos, ainda muito ligada ao futebol regional e ao Remo, Rafaela se encantou pelas cores e pelo escudo rubro-negro que viu nas camisas de colegas de escola.
“O Flamengo é pessoal. Conheci o Flamengo quando tinha 11 anos. Foi na escola, aquela situação de conversas sobre times de futebol. Eu olhei os escudos das camisas dos meus amigos e, na época, estava precisando de um caderno. Eu e minha mãe saímos para comprar o caderno. Eu não entendia muito, pois era muito presa à questão do Remo, algo regional, e falei: ‘compra esse caderno, pois olhei esse escudo dias antes e achei muito bonitas as cores’. Comprei o caderno, quando percebi já estava assistindo aos jogos, escutei o hino pela primeira vez e adorei. E assim foi”, relembra.
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A paixão pelo clube carioca cresceu, mas nunca apagou a relação com o Remo. Para Rafaela, torcer pelos dois não representa uma contradição. São sentimentos construídos a partir de histórias diferentes: o Flamengo ocupa um espaço nacional, enquanto o Leão está diretamente ligado às raízes, à família e à identidade paraense.
“Eu acho normal ter dois times para torcer. Você se identifica com a história de cada um, as cores, as histórias. Conheço as histórias dos clubes e me sinto bem torcendo pelos dois. A questão do Flamengo é a nível nacional, o Remo pela minha cidade e eu não fico preocupada com essas questões”, explica.
Quando é preciso escolher...
O encontro deste domingo, porém, coloca essa relação afetiva à prova. De um lado, o Flamengo chega mirando a parte de cima da tabela e a briga pelo título. Do outro, o Remo luta contra a parte de baixo e tem como principal objetivo permanecer na elite do futebol brasileiro. As circunstâncias são diferentes, mas, para a pedagoga, a escolha já está feita.
“O coração fica a mil. Meus dois times vão se enfrentar e é muita adrenalina, nervosismo, pois amo os dois clubes, mas sei que tenho que escolher um, independentemente da atual situação em que Remo e Flamengo se encontram, pois estão em momentos diferentes, eu vou torcer pelo meu Leão, pelo sangue, pela raiz, nossa cultura, e vai ser Remo, não tem jeito. Uma hora a situação aperta e temos que escolher e é o Remo”, afirma.

Ela reconhece que o momento vivido pelas duas equipes aumenta ainda mais a dificuldade do confronto. Enquanto o Flamengo está na disputa pelo título, o Remo precisa somar pontos para se afastar do risco de rebaixamento.
“É uma adrenalina muito grande. O Flamengo briga pelo título, já o Remo para não cair para a Série B. São situações opostas. O Flamengo está em um melhor momento, mas eu vou ser remista e acreditar até o fim, pois o Remo é para quem acredita. É para cima”, declara.
E a torcida será em família. Sem dividir a sala ou criar uma disputa doméstica entre azulinos e rubro-negros, Rafaela garante que o apoio estará voltado ao time paraense.
“Vamos assistir em família, todos torcendo pelo Remo. Aquele jeito paraense de torcer, otimismo, a força”, diz.
Um sonho vivido no estádio
A relação de Rafaela com o Remo também ganhou capítulos marcantes dentro do estádio. Ela esteve presente em momentos importantes da caminhada recente do clube, incluindo os acessos que recolocaram o Leão na elite do futebol brasileiro.
Rafaela acompanhou de perto a subida da Série C para a Série B e, posteriormente, da Série B para a Série A. Para ela, ver o Remo novamente entre os principais clubes do país teve um significado que ultrapassou o resultado esportivo.
“Eu estava no estádio e vi o Remo subir da Série C para a B e da B para a Série A. Foi uma sensação incrível, algo inimaginável. O Remo finalmente na Série A, um time grande, do Norte, representar o nosso Estado. Um clube de identidade, garra, tradição. Quanto tempo nós esperamos”, recorda.
A emoção também carrega o peso da história familiar. Ao falar sobre o Remo, Rafaela não fala apenas de uma camisa ou de um clube. Ela fala do avô, do pai e de uma tradição que atravessou gerações.
“Meu avô era remista, meu pai é remista e jogou no Sub-20 do clube, meu avô trabalhou no Remo. Estou aqui por mim e por eles. Ser Remo é isso”, finalizou.