A reta final da primeira fase da Série C exige concentração máxima no Paysandu. Com três partidas restantes antes do quadrangular decisivo, a comissão técnica trabalha para manter o elenco distante das distrações e, ao mesmo tempo, corrigir os pontos que ainda incomodam na equipe. Os auxiliares Elton Macaé e Ignácio Neto detalharam o trabalho realizado ao lado do técnico Júnior Rocha e destacaram a busca pelo equilíbrio entre a força ofensiva e a organização defensiva.
Segundo Ignácio, a comissão trabalha de maneira integrada, com funções distribuídas durante os treinamentos. O objetivo é desenvolver diferentes aspectos do jogo sem perder a identidade construída desde a pré-temporada. “Tem dado muito certo desde a pré-temporada. A gente se organizou dessa forma em prol do desenvolvimento das dimensões importantes dentro do jogo”, explicou.
Macaé ressaltou que, durante os treinamentos, há uma divisão específica para trabalhar os setores da equipe. Enquanto Júnior Rocha concentra parte da atividade na organização defensiva, os auxiliares atuam principalmente nas movimentações ofensivas. “Geralmente quando a gente está fazendo a parte tática, o foco principal às vezes é na parte defensiva. O Júnior foca muito na parte defensiva e a gente fica na parte ofensiva, corrigindo alguns movimentos. Eu fico de um lado, o Inácio fica de outro e a gente vai se ajudando no decorrer do treino”, afirmou.
Ajustes na defesa
Apesar de reconhecer a característica agressiva do Paysandu, Macaé admite que a equipe precisa encontrar um ponto de equilíbrio para diminuir os espaços e sofrer menos gols. O trabalho defensivo ganhou atenção especial nesta reta final. “A nossa equipe, pelo DNA, é muito agressiva. A gente até teve uma reunião para tirar um pouquinho esse ímpeto, porque o tempo inteiro queremos pressionar o adversário e isso sobrecarrega um pouco”, explicou.
O auxiliar destacou que os treinamentos passaram a dar maior atenção à cobertura, à organização da linha defensiva e às bolas aéreas. A ideia, porém, não é abandonar a identidade ofensiva. “A gente está dando bastante foco nessa parte defensiva para tentar estancar o máximo e evitar ficar tomando gols. Mas a nossa equipe tem um DNA muito ofensivo, mesmo sem a bola. Ela é muito agressiva, encurtando toda hora”, disse.
Foco fora de campo
A comissão também trabalha para preservar o elenco das distrações durante a reta final da competição. O bom momento vivido pelo Paysandu aumenta a exposição e, consequentemente, a necessidade de concentração. Macaé reforçou que o grupo precisa manter a rotina profissional e evitar qualquer situação que possa tirar o foco do objetivo principal.
“A gente não veio a Belém para passear. Nosso sistema aqui é trabalho. Nós estamos aqui para servir o Paysandu, para viver o Paysandu e conquistar esse acesso”, declarou. Inácio destacou que o cuidado é ainda maior porque as vitórias aproximam jogadores e clube de pessoas e situações que podem interferir na concentração.
A preparação envolve também descanso, alimentação e hidratação. Para Ignácio, o período fora do treinamento tem peso semelhante ao trabalho realizado no campo. “O pós-treino é tão importante quanto o pré e quanto o treinamento também. Esse foco, descanso, alimentação e hidratação são muito importantes para que a gente consiga o objetivo comum do Paysandu”, disse.
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Força mental
A capacidade de reagir durante as partidas também foi apontada como reflexo do trabalho psicológico realizado com o elenco. Macaé lembrou que o Paysandu já conseguiu oito viradas na temporada, além da reação na final contra o Anápolis. “É nítido o trabalho que vem sendo feito psicológico. A gente está muito contente e muito feliz de ter um grupo forte mentalmente, que mesmo na adversidade não se entrega nunca”, afirmou.
A vitória sobre o Confiança, conquistada depois de o Paysandu sair atrás no placar, foi citada como mais um exemplo dessa característica. “Perdendo até os 41, 42 minutos, o nosso time estava buscando, buscando, acreditando. Conseguimos três pontos importantíssimos que com certeza vão nos dar um gás para conseguir esse tão sonhado acesso”, destacou Macaé.
Comissão pede confiança
As críticas da torcida durante os jogos também foram tratadas com naturalidade pelos auxiliares. Ignácio reconheceu a característica passional do torcedor, mas defendeu que as decisões da comissão são tomadas a partir de uma avaliação mais ampla do elenco e do jogo. “O torcedor é paixão, é emoção e está tudo certo nisso. Só que a comissão vive o dia a dia. Os comportamentos exigidos no treinamento, a parte psicológica, a parte fisiológica e a questão tática são levados em consideração para que a gente tome a melhor decisão para o coletivo”, explicou.
Macaé, por sua vez, afirmou que não chegou a ouvir as críticas durante a partida contra o Confiança, mas destacou a confiança no trabalho de Júnior Rocha e citou a entrada de Henrique como exemplo. “A gente confia muito nesse menino, que vem evoluindo muito nos treinamentos. Com a convicção que o Júnior sempre teve, achamos naquele momento que a opção era o Henrique. Ele entrou e conseguimos virar o jogo e conquistar esses três pontos importantes”, acrescenta.
Com o acesso como objetivo central, a comissão técnica tenta manter o Paysandu concentrado nos últimos compromissos da primeira fase, contra Ferroviária, Ituano e Maringá. Para Macaé e Ignácio, a combinação entre trabalho, organização e força mental será decisiva para que o time avance na competição e chegue forte ao quadrangular, com grandes chances de garantir o esperado retorno à Série B.

