Cento e três jogos depois, a Copa do Mundo da FIFA de 2026 termina neste domingo (19), com a decisão entre Argentina e Espanha, no MetLife Stadium, em Nova York/Nova Jersey. Disputada pela primeira vez em três países diferentes, a competição teve a fase final inteiramente realizada nos Estados Unidos, enquanto México e Canadá receberam partidas até as oitavas de final.
Maior economia do mundo, os Estados Unidos receberam o torneio com cidades praticamente prontas para sediar grandes eventos esportivos. Estádios de futebol americano foram adaptados para o futebol, mas a rotina dos norte-americanos pouco mudou durante a competição. As multidões continuaram ocupando as ruas de Nova York, as filas permaneceram nos parques de Orlando e o tradicional sobe e desce na escadaria de Rocky Balboa, na Filadélfia, seguiu movimentado. As obras vistas em algumas cidades tinham como objetivo melhorar a infraestrutura urbana e não estavam diretamente ligadas ao Mundial.
A percepção é compartilhada pela brasileira Raquel Gargantini, bartender que vive em Nova Jersey. "A maior movimentação aqui foi de pessoas, de torcedores que vieram assistir aos jogos. Não notei muitas mudanças na cidade e as obras que existem são normais. Estão sempre trocando o asfalto ou ajustando tubulações nesta região", afirmou.
Ao longo da cobertura do Grupo Liberal, a reportagem percorreu diferentes estados norte-americanos e constatou que, mesmo durante os jogos da Copa, boa parte dos bares e estabelecimentos mantinha as televisões ligadas em canais esportivos, mas sem a transmissão das partidas de futebol. Para Raquel, essa realidade faz parte da cultura esportiva do país.
"Não tinha clima algum de Copa do Mundo até a estreia dos Estados Unidos. Eu trabalho em um pub que tem o costume de transmitir esportes e sempre há uma TV exibindo noticiários sobre basquete e futebol americano", concluiu.
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Um episódio registrado durante o programa Liberal+ Esporte – Primeira Edição, transmitido pelo YouTube de O Liberal, ilustrou essa diferença cultural. Na sexta-feira (17), o jornalista Felipe Campos perguntou, ao vivo, a um morador de Newark se ele preferia Pelé ou Messi. A resposta surpreendeu: "Quem é Pelé?"
Passados os 39 dias de competição, entre 11 de junho e 19 de julho, talvez o principal legado da Copa do Mundo de 2026 seja justamente a tentativa de consolidar a popularização do futebol nos Estados Unidos. Segundo a imprensa internacional, o país já iniciou conversas com a FIFA para sediar novamente o Mundial, desta vez em 2034.
O impacto da competição também foi sentido no ambiente digital. Influenciadores norte-americanos alcançaram grande repercussão ao acompanhar o torneio, caso do streamer IShowSpeed, que produziu conteúdo sobre a Copa para milhões de seguidores.
Ao mesmo tempo, a Major League Soccer (MLS) segue em expansão e reúne nomes de peso do futebol mundial, como Lionel Messi, Marco Reus, Robert Lewandowski e Luis Suárez, entre outros atletas que escolheram os Estados Unidos para dar sequência às suas carreiras. Mais do que decidir um campeão, a Copa de 2026 reforçou a estratégia de ampliar o espaço do futebol em um dos mercados mais importantes do esporte mundial, deixando um legado que poderá ser medido nos próximos anos.
