Aos 10 anos e com apenas dois anos de jiu-jítsu, Anna Isis Monteiro Nobre já tem um título mundial no currículo. Conhecida como “Anna Foguetinho”, a atleta de Muaná, no Marajó, conquistou em 2025 o Mundial X-Combate, em Fortaleza, e agora se prepara para voltar à competição em busca do bicampeonato.
A trajetória começou de forma quase casual. Uma amiga convidou Anna para conhecer o jiu-jítsu e, desde os primeiros treinos, a menina chamou a atenção do mestre Francisco pela agilidade e pela facilidade para aprender os movimentos.
“Desde o primeiro momento em que ela pisou naquele tatame, já demonstrava um talento diferente. No primeiro campeonato que participou, já ganhou e começou a chamar a atenção de outras pessoas”, conta o pai, Madson Nobre.
Uma coleção de títulos em apenas dois anos
Depois da primeira conquista, Anna passou a acumular resultados em competições regionais. A atleta já foi campeã paraense, Norte-Nordeste, Open Amazônia, Norte Paraense, Open Norte e Grão-Pará, além de liderar o ranking paraense da modalidade em 2025.
O principal resultado veio no Mundial X-Combate, em Fortaleza. A conquista colocou a jovem atleta de Muaná em evidência e aumentou a expectativa em torno de sua carreira. Em 2026, ela também conquistou o cinturão do Coliseu Lutas, no Rio de Janeiro. Agora, o próximo grande objetivo está marcado para setembro, novamente em Fortaleza. Anna tentará conquistar o bicampeonato mundial.
Para Madson, a evolução da filha aconteceu rapidamente, mas é resultado de dedicação aos treinamentos. “Ela tem um talento muito grande. É aquela menina que não para, sempre muito ativa, e desde o começo demonstrou algo diferente”, afirma.

Viagens, rifas e pouca estrutura
A carreira de Anna também é marcada pelos desafios fora do tatame. Morando em Muaná, a família precisa enfrentar deslocamentos de barco até Belém para que a atleta possa participar de competições e buscar treinamento mais especializado.
A viagem de lancha dura entre três e quatro horas, dependendo das condições do rio. Em algumas ocasiões, Anna chega à capital praticamente no mesmo dia em que precisa competir.
Para bancar os custos, a família recorre a rifas, venda de lanches e outros produtos, além da ajuda de apoiadores. Madson Nobre também mantém uma empresa de lanches em Muaná, atividade que ajuda no sustento da família e na busca por recursos para a carreira esportiva da filha. “Em muitas vezes a gente contava com o apoio da própria família. Fazíamos caixinha, rifas, vendíamos bombons, salgados e outras coisas para conseguir um dinheiro para cada campeonato”, relata.
Segundo o pai, o poder público também passou a apoiar a atleta, que leva o nome de Muaná para as competições. Ainda assim, a família considera que Anna precisa de uma estrutura maior para continuar evoluindo. A intenção é proporcionar períodos de treinamento em Belém, onde há maior oferta de professores e preparação específica para competições de alto nível.
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Atleta, mas ainda criança
Apesar da rotina de treinamentos e competições, Anna mantém atividades próprias da infância. Ela frequenta a escola, faz aulas de reforço, tem tempo para brincar e treina jiu-jítsu. Recentemente, também passou a praticar wrestling. “Ela tem uma rotina de atleta, mas com hábitos de criança também. Tem o tempo dela para brincar, se distrair e estudar”, explica Madson.
O pai, que acompanha de perto toda a trajetória, evita antecipar uma especialização definitiva. Aos 10 anos, Anna ainda tem tempo para experimentar outras modalidades e descobrir qual caminho pretende seguir. “Ela é apenas uma criança e tem várias opções. O futuro vai dizer em que ela vai se especializar, mas, enquanto isso, vou apoiá-la no jiu-jítsu até conseguirmos algo maior para ela”, afirma.
Madson também alimenta sonhos mais ambiciosos para a filha. Entre eles, a possibilidade de vê-la chegar às principais competições das artes marciais. “Vou dar o meu suor para ver essa menina, em um futuro próximo, ganhando vários títulos. Quem sabe chegar a um UFC ou ao boxe internacional. É o que a gente quer e o que ela também sonha”, diz.
Enquanto o próximo Mundial não chega, Anna segue treinando e levando o nome de Muaná para além do Marajó. Aos 10 anos, “Anna Foguetinho” já sabe o que é ser campeã mundial. Agora, terá pela frente o desafio de repetir a conquista e continuar construindo, passo a passo, uma carreira que começou há apenas dois anos.
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