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Dois em cada três trabalhadores qualificados dependem do setor público na Amazônia

Entre os trabalhadores com ensino superior completo, 67,4% estão no setor público na Amazônia Legal

Thaline Silva*
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Um estudo do projeto Amazônia 2030 aponta que o setor público é o principal responsável por absorver trabalhadores qualificados na Amazônia Legal. Segundo o levantamento, cerca de dois em cada três profissionais com ensino superior na região estão empregados no serviço público.

A pesquisa, intitulada “As portas de entrada do emprego formal na Amazônia”, foi elaborada pelos economistas Gustavo Gonzaga e Vinícius de Sá, do Departamento de Economia da PUC-Rio. O estudo utiliza dados da Relação Anual de Informações Sociais, com base no ano de 2018, para analisar a estrutura do mercado de trabalho formal na região.

De acordo com os dados, a Amazônia Legal concentra 13% da população brasileira, mas responde por apenas 9% dos empregos formais do país. Em 2018, apenas 18,7% da população da região possuía vínculo formal de trabalho, percentual inferior aos 28,4% registrados no restante do Brasil.

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Dependência do setor público

Entre os trabalhadores com ensino superior completo, 67,4% estão no setor público na Amazônia Legal, enquanto no restante do país essa proporção é de 42,4%. O estudo indica que a menor presença do setor privado formal na região contribui para essa dependência do serviço público como principal porta de entrada para empregos de maior qualificação.

O levantamento também destaca o papel dos governos estaduais na geração dessas vagas. Entre os trabalhadores com nível superior empregados no setor público da Amazônia Legal, 42,5% estão vinculados às administrações estaduais, índice superior aos 33,1% observados no restante do país. Além disso, há maior concentração de servidores estaduais em funções administrativas. Na região, 29,2% dos profissionais com ensino superior atuam nesse tipo de atividade, percentual quase três vezes maior do que o registrado fora da Amazônia, onde é de 10,2%.

Diferença salarial amplia atratividade

Outro ponto apontado pelo estudo é a diferença salarial entre os setores público e privado. Na Amazônia Legal, trabalhadores com ensino superior no serviço público recebem, em média, 60,6% a mais do que aqueles empregados no setor privado formal — R$ 4.808 contra R$ 2.994, em valores de 2018. No restante do país, essa diferença é de 27,5%.

Mesmo após considerar fatores como experiência, escolaridade, gênero, raça e setor de atuação, o diferencial salarial permanece elevado. Na região, o setor público paga, em média, 46% a mais do que o privado para trabalhadores qualificados, enquanto no restante do Brasil o percentual é de 28,6%. No caso dos governos estaduais, o chamado “prêmio salarial” é ainda mais expressivo: chega a 55,7% na Amazônia Legal, contra 12,7% nas demais regiões do país.

Para os autores, os resultados indicam que as oportunidades formais de maior qualificação e remuneração na Amazônia estão fortemente concentradas no setor público, especialmente nas administrações estaduais. O cenário aponta para limitações na capacidade do setor privado de absorver profissionais qualificados na região. O estudo ressalta, no entanto, que os dados consideram apenas empregos formais registrados na RAIS e não incluem outras formas de inserção no mercado de trabalho, como o empreendedorismo e o trabalho por conta própria. 

*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de Política e Economia

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