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Com a pandemia, procura por brechós em Belém aumentou de 40 a 80%

À frente de brechó localizado bem em frente ao Ver-o-Peso, Patrícia tem peças que vão de R$ 2 a R$ 500 reais; as mais caras são os vestidos de noiva

Natália Mello

A pandemia da Covid-19 mudou o comportamento das pessoas no mundo inteiro e, por conta das dificuldades econômicas que a sucederam, acabou por fortalecer um mercado que propõe o consumo consciente por roupas e calçados. Em Belém, um brechó localizado no bairro da Campina, em frente ao Mercado do Ver-o-Peso, registrou um crescimento de pelo menos 40% na procura por esses itens.

  (Foto: Márcio Nagano)

Há 26 anos no mesmo ponto, o Ecostyllus Brechó hoje é comandado por Patrícia Meireles, o irmão, e os companheiros de ambos. Depois de estudar publicidade e moda, e acabar não concluindo, aos 37 anos, ela escolheu tomar a frente do negócio, que iniciou com o pai. Consolidados no centro comercial da capital paraense, ela tem produtos que variam entre R$ 2 e R$ 500 – os mais caros, normalmente, são os vestidos de noiva.

“Tem sido gigantesca a procura pelo brechó e assim conseguimos novos revendedores para a loja. Com o baixo custo para começar o negócio, as pessoas veem uma oportunidade para empreender. E hoje temos fornecedores de São Paulo, Santa Catarina”, afirma. “A gente conheceu esses revendedores através do meu pai, mas são de muito tempo, ele conseguiu indo lá em São Paulo conhecer os brechós, e captou os fornecedores para a gente”, pontua.

Há 26 anos no mesmo ponto, o Ecostyllus Brechó hoje é comandado por Patrícia Meireles, o irmão, e os companheiros de ambos (Foto: Márcio Nagano)

Os principais produtos procurados são casacos de frio, mas Patrícia diz que o público do espaço varia muito. “Temos um público muito amplo, gente de teatro, de moda, tem também muita gente jovem, de 15 e 16 anos, interessado pela moda sustentável, por um consumo consciente. É uma galera antenada. Mas também temos senhoras e senhores que são um público fiel de quando começamos no comércio”, declarou.

O Ecostyllus funciona de segunda à sexta-feira, assim como o Bazar Arte Pela Vida, localizado no bairro de Nazaré. Contudo, um pouco diferente de uma proposta tradicional de “fazer dinheiro” com a venda das roupas usadas, Francisco Vasconcelos, de 56 anos, decidiu ajudar pessoas que vivem com o vírus da imunodeficiência humana (HIV) com a renda obtida nos eventos, comprando remédios e cestas básicas. Os preços no espaço vão de R$ 5 a R$ 30, em média, com algumas peças podendo custar R$ 50, quando é o caso de um item exclusivo.

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Coordenador do Espaço Arte pela vida, ele abriu o bazar permanente em agosto de 2020, primeiro ano da pandemia do coronavírus. Depois de passar por praças e feiras, com o ponto fixo, ele conta que registrou um aumento de 80% nas vendas. “A gente conseguiu um espaço para ter o bazar permanente, porque antigamente era na minha casa. Estávamos tendo uma necessidade muito grande, porque a ONG recebe muito pedido de doação de cestas básicas, fraldas, e na pandemia isso tudo aumentou, porque as pessoas não tinham como trabalhar, como produzir, então a loja Ná Figueiredo cedeu esse espaço para ficarmos”, explicou.

Vale lembrar, segundo Francisco, que todas as roupas passam por triagem, antes de serem colocadas à venda, e são higienizadas. Caso não estejam no padrão adequado, seguem para doação. “Temos roupas de tudo que é jeito. Às vezes chega doação até de roupa nova, varia. Aí existe essa triagem, você encontra peças em ótimo estado, mesmo que usadas. Existe hoje um grande público, porque temos uma nova visão das pessoas, uma calça que não serve mais em mim, vou doar e pode ser útil para alguém lá na frente. E temos um público antenado, temos um público de classe B que consome essa moda”, ressalta.

O cabelereiro e maquiador Antônio Brito, de 63 anos, passou a ser um frequentador assíduo de brechós após morar um tempo no Rio de Janeiro. “Lá eu frequentava muitos brechós e, quando vim para Belém, vi que o Chico estava com brechó e hoje sou voluntário de lá, ajudo inclusive nas programações”, destaca.

“Aqui as pessoas eram muito preconceituosas. Eu, morando lá, comecei a ver que tinham coisas maravilhosas que poderiam ser utilizadas, por isso comecei a frequentar e compro bastante. Você vê coisas diferentes, porque tem pessoas que guardam muito tempo as coisas e não usam, e quando vamos ver estamos procurando algo numa loja e não encontramos. E aí em pleno comércio você acha e pode se vestir alinhado. As pessoas não sabem o que é brechó. Brechó é garimpar peças bonitas”, finaliza.

A dentista Ana Chêne, de 25 anos, começou a comprar em bazar em 2018, no Peru, onde morou por alguns meses por conta de um intercâmbio. Ao perceber as possibilidade de comprar peças novas por um preço mais baixo, decidiu tentar manter a prática quando voltou a morar no Brasil. Em Belém, ela se divide entre as compras em lojas tradicionais e bazares.

“Quando voltei não tinham tantas opções, e hoje temos bastante bazar online, em grupos, no Instagram. Acho que o bazar tem uma pegada mais limpa, consigo encontrar peças diferentes e que não encontraria numa loja de shopping ou, se encontrasse, seria por outro preço. Eu tenho uma saia, clássica, que eu amo, que comprei por R$ 15, e se fosse comprar em outro lugar pagaria pelo menos quatro vezes mais. Agora eu falo pra todo mundo que me pergunta: bazar não é a primeira vista, você tem que saber procurar e ter paciência”, concluiu.

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