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Cesta básica

Preço do feijão sobe 63% em 12 meses em Belém; veja quanto custa

Valor representa uma redução de 2,94% em relação a junho, quando o quilo do feijão custava, em média, R$ 9,17

Thaline Silva*

24 de agosto de 2026 às 10:48

( Foto: Igor Mota/ O Liberal )

Mesmo com a queda registrada em julho, o preço do feijão comercializado nos supermercados de Belém acumula alta de 61,82% no ano e de 63% nos últimos 12 meses, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA), divulgado nesta segunda-feira (24). O produto, que integra a cesta básica, foi vendido por R$ 8,90, em média, no mês passado.

O valor representa uma redução de 2,94% em relação a junho, quando o quilo do feijão custava, em média, R$ 9,17. Apesar do recuo mensal, o preço permanece significativamente acima dos valores registrados no início do ano e em julho de 2025.

Em janeiro de 2026, o quilo do produto era comercializado, em média, por R$ 5,69. Em dezembro de 2025, o valor era de R$ 5,50. Já em julho do ano passado, o preço médio era de R$ 5,46.

A trajetória mostra uma forte aceleração dos preços ao longo de 2026. Entre janeiro e junho, o valor médio do quilo passou de R$ 5,69 para R$ 9,17. Em julho, houve o primeiro recuo, para R$ 8,90.

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Na feira do Ver-o-Peso, o vendedor Macielo Leal afirma que os preços apresentaram redução nos últimos meses. Segundo ele, o fardo de feijão, que chegou a custar quase R$ 300 em abril, atualmente é vendido no atacado por valores entre R$ 240 e R$ 250. “Queda teve. Em abril, eu estava pagando quase R$ 300 pelo fardo de feijão”, relata.

No varejo, o quilo do feijão é vendido por cerca de R$ 10, segundo o comerciante. O valor, porém, pode variar conforme o preço de compra. “Às vezes, quando o preço chega mais barato para nós, a gente consegue baixar um pouco também”, explica.

Impacto na cesta básica

O feijão foi um dos produtos que contribuíram para a redução do custo da cesta básica de alimentos em Belém no mês de julho. De acordo com o Dieese/PA, o valor médio da cesta chegou a R$ 724,10, uma queda de 4,65% em relação a junho.

Apesar do recuo, a alta acumulada do feijão supera a inflação registrada nos mesmos períodos de comparação, segundo a análise do Dieese/PA. O produto é considerado um dos itens de maior peso no orçamento das famílias de menor renda, devido à presença frequente na alimentação cotidiana. O levantamento do Dieese/PA é realizado semanalmente nos principais supermercados da capital paraense, permitindo acompanhar as oscilações do preço do produto.

Tipos de feijão

Além do feijão mais consumido no dia a dia, como o rajado, o carioquinha e o preto, Macielo comercializa variedades produzidas na chamada “colônia”. Segundo ele, esses produtos são mais sazonais e têm preços influenciados pela oferta. “Às vezes, tem ano em que vem muito e o preço cai. Quando vem pouco, o preço sobe”, afirma.

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Neste ano, o feijão vermelho da colônia chegou a R$ 20 o quilo, enquanto o branco passou por uma redução e custa cerca de R$ 10. Macielo atribui o preço mais alto do vermelho à dificuldade de cultivo. “É uma plantação diferente e é mais difícil o pessoal plantar. Por isso, ele está caro”, explica.

O comerciante também cita o manteiguinho, mais utilizado em saladas, e diferencia as variedades conforme o uso na alimentação. “O manteiguinho é mais para salada, para misturar. Esses outros são mais para baião. Já o nosso, o cavalo, o rajado e o preto, é mais para o consumo do dia a dia”, afirma.

Fatores que influenciam o preço

Segundo avaliação do Dieese/PA, entre os fatores que ajudam a explicar a alta acumulada do feijão estão a redução da área cultivada, perdas de produtividade provocadas por condições climáticas adversas nas principais regiões produtoras, aumento dos custos de produção e encarecimento da logística de transporte e distribuição.

Mesmo com a queda registrada em julho, o cenário ainda pode sofrer novas alterações nos próximos meses. Para o Dieese/PA, eventuais novos reajustes podem manter o feijão entre os produtos que pressionam o custo da cesta básica e o orçamento das famílias paraenses.

Feijão (kg)

• Julho/2026: R$ 8,90
• Junho/2026: R$ 9,17
• Janeiro/2026: R$ 5,69
• Dezembro/2025: R$ 5,50
• Julho/2025: R$ 5,46
• Variação no mês: -2,94%
• Variação no ano (jan-jul/2026): 61,82%
• Variação em 12 meses (jul/2025 a jul/2026): 63,00%

*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de Política e Economia

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